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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 54

O relógio antigo do estúdio batia as horas como marteladas. Clara andava de um lado para o outro, inquieta, os saltos ecoando no chão de madeira. A cada volta, mordia o lábio até quase sangrar. Benjamin permanecia encostado na escrivaninha, braços cruzados, mas o olhar dizia tudo: um animal enjaulado, raivoso, prestes a atacar.

— Ela não vai durar muito aqui. — Clara disse, venenosa, estreitando os olhos com um ódio letal. — É uma estranha tentando se enfiar onde não pertence. A cada passo, ela mostra fraqueza. O dossiê foi só o começo.

Benjamin apertou os punhos, os olhos escuros de rancor.

— O dossiê foi suficiente para plantar a semente da dúvida. Agora é só questão de tempo até Nicolau perceber que Ian está destruindo o próprio futuro por causa daquela mulher e não vai permitir que ele faça o mesmo com sua herança.

Clara riu baixo, cruel.

— Ian sempre foi cego quando se trata de mulheres. E ela… — fez uma pausa, os lábios arqueados em escárnio. — É a maior fraqueza que já vi.

Antes que Benjamin respondesse, a porta do estúdio se abriu sem aviso.

Nicolau.

Ele entrou devagar, como uma sombra viva, passos lentos, firmes, olhos como lâminas. O silêncio tomou conta imediatamente. Sua presença não precisava ser anunciada; ela engolia tudo em volta.

Clara endireitou a postura, mas o coração disparou, a estremecendo. Benjamin engoliu em seco.

— Como conseguiram aquelas informações sobre Olívia? — a voz de Nicolau cortou o ambiente como uma adega, grave, sem espaço para rodeios.

Benjamin hesitou apenas um segundo, respirando fundo, mas logo começou a desculpa ensaiada:

— Eu tenho meus contatos. Pessoas que investigaram o passado dela. Foi tudo criterioso, avô. Eu jamais colocaria algo sem ter certeza...

— Chega. — Nicolau o cortou, seco, sem elevar o tom. Mas foi pior que um grito, era um trovão disfarçado. — Eu já sei que nada daquilo é verdade.

O ar rarefez. Clara e Benjamin se entreolharam, incrédulos e atordoados.

Nicolau ergueu o queixo, os olhos de ferro queimando os dois.

— Eu mesmo investiguei Olívia Belmonte. — Nicolau continuou, erguendo o queixo. — Sei tudo da vida dela. Mais do que o seu ex-marido. Mais do que o seu futuro marido.

Benjamin empalideceu. A respiração falhou por um instante, presa na garganta.

Clara, curiosa, se inclinou para frente, com um brilho quase doentio nos olhos.

— O que o senhor sabe?

Nicolau sequer a olhou.

— Sei o suficiente para afirmar que essa será a última vez que ousam manchar o nome da família por benefício próprio. — Ele deu um passo à frente, a voz cortante. — Eu não tolero mentiras. E menos ainda quando sujam aquilo que lutei para construir por setenta e seis anos.

Benjamin tentou recuperar o fôlego, se recompor, mas a voz saiu trêmula, o desespero escondido atrás da postura rígida.

— Mas, vovô... Nós só queríamos proteger o senhor, proteger a família de alguém que pode nos…

— Cale-se, Benjamin. — Nicolau se aproximou até que os olhos se encontraram em choque, cravados no bisneto como fogo. — Não há proteção em inventar inimigos. Só há covardia. E você me envergonha.

O silêncio que se seguiu foi sufocante. Pesado demais até para respirar.

Nicolau virou-se para sair, mas parou de repente. Seu olhar cortou Clara em cheio, devorador.

— E os exames de gravidez?

Clara travou. O sangue sumiu do rosto.

— Eu… ainda estou esperando o resultado. — murmurou, quase inaudível e completamente trêmula.

Nicolau avançou um passo, devagar, o olhar penetrante como se fosse atravessá-la. Ela quase recuou.

— Quero esse resultado o mais rápido possível. Porque essa é a única razão de você ainda estar nesta casa. Só porque supostamente carrega o tataraneto dos Moretti. Se não estiver grávida, Clara… você já estaria na rua.

Ele se retirou sem olhar para trás, deixando o ar impregnado de rigidez.

Clara ficou imóvel por alguns segundos, respirando ofegante, os olhos cheios de raiva, até explodir:

— Maldito velho arrogante!

Benjamin a olhou com intensidade, e depois de alguns segundos, perguntou, a voz baixa, quase suplicante:

— Você está mesmo grávida?

Clara respirou fundo, engolindo em seco, a mão trêmula tocando a própria barriga.

— Eu ainda estou atrasada… sinto que sim.

Benjamin deu um passo à frente, a vulnerabilidade rara estampada no rosto.

— Eu preciso acreditar nisso. Você sabe o que significa pra mim... Durante anos, com Olívia, tentamos. Ela queria tanto um filho… e nunca veio. Eu achei que o problema era comigo. Que eu era incapaz. Que nunca teria um herdeiro. Por isso que até hoje, eu ainda não sei se o Léo é realmente meu.

Clara arregalou os olhos, surpresa com a confissão. Pela primeira vez, viu nele uma fissura, um homem quebrado. Um humano. Seus olhos marejaram, mas não de bondade e sim de excitação pela oportunidade.

— Toda cirurgia cardíaca é delicada, arriscada. Há chances de complicações. Mas agora... — ele pausou. — Temos 60% de sucesso.

O número caiu no ar como um peso. Olivia arfou.

— E os outros 40%? — sua voz era um sussurro desesperado.

— Complicações. — o médico respondeu. — Que podem ser irreversíveis.

O ar fugiu de seus pulmões. Ela levou a mão a boca, as lágrimas vieram com violência, quentes, sem controle. Sentiu o corpo vacilar, as mãos tremendo. Suas pernas cederam, e ela teria caído se não fosse pelo toque.

Ian.

Ele segurou sua mão, firme, como se aquilo fosse instintivo. Ele não disse nada. Só ficou ali, segurando o seu mundo que ameaçava cair. Ele se manteve firme, mas seu maxilar estava travado, os olhos faiscando com um conflito interno que não mostrava para o médico.

Ele olhou para Olivia, que respirava com dificuldade, que tremia, as lágrimas correndo em silêncio. Ela parecia prestes a despencar de um penhasco invisível. Mas algo dentro dela, mesmo em meio ao desespero, encontrou apoio. Justamente na pessoa em quem jurava não confiar.

Sem pensar, ele levou a mão dele aos lábios. Um gesto simples, mas firme, ancorando-a.

— Olivia. — disse baixo, apenas para ela. — Respira. Ele vai passar por isso. Ele é forte.

Ela ergueu os olhos marejados para ele. Via nos olhos de Ian verdade. Medo. Dor. E acima de tudo, algo que parecia... cuidado.

— Ian... — sua voz quebrou. — E se eu perder ele?

O silêncio entre eles durou segundos que pareceram horas. Ian engoliu em seco e a voz saiu mais rouca do que pretendia:

— Então nós vamos lutar até o último segundo para não perder. — ele fez uma pausa, apertando mais a mão dela. — Você não está sozinha nisso.

As lagrimas de Olivia caíram mais rápido, porque era isso que ela temia: estar sozinha. E ouvir aquilo, justamente dele, foi como uma ferida e um bálsamo ao mesmo tempo.

O médico pigarreou, trazendo-os de volta.

— Vocês precisam decidir rápido. — completou o médico. — Já estamos preparando tudo.

Ele saiu, deixando-os sozinhos.

O silêncio voltou, mas não era vazio. Era doloroso, cercado de gritos que não saiam.

Olívia virou-se para Ian, os olhos marejados.

— O que eu faço, Ian? — a voz saiu baixa, quase um sussurro, mergulhada em desespero e lágrimas.

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