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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 63

A sala estava mergulhada em penumbra. Apenas a luz amarelada do abajur sobre a mesa iluminava parte do rosto de Benjamin, deixando o resto submerso em sombras. Ele parecia um homem destroçado, a gravata frouxa, o paletó aberto, o copo de uísque derramado no tapete, o corpo afundado no sofá como se não houvesse mais forças para se sustentar.

Os olhos marejados refletiam uma dor que ele não deixava transbordar. Mas ela estava ali, escancarada.

Incompatível.

A palavra martelava em sua mente como um tambor de guerra.

Até que os passos ecoaram.

Clara.

O som dos saltos ressoando pelo mármore partiu o silêncio como pequenas facas. Ela surgiu na sala como quem não pertencia àquele ambiente pesado, impecável, radiante, a maquiagem intacta, o vestido abraçando cada curva como se tivesse acabado de sair de um baile. O perfume doce espalhou-se pelo ar, sufocante.

Benjamin ergueu os olhos, com raiva e alívio misturados. A raiva de quem se sente abandonado, o alívio de não estar mais sozinho naquele abismo.

— Onde diabos você estava? — a voz saiu rouca, carregada de uísque, mas também de mágoa.

Clara parou diante dele, não se abalando nem por um segundo. O sorriso nos lábios era quase cruel.

Não respondeu. Apenas tirou a bolsa do ombro com calma, abriu o fecho e puxou de dentro um envelope branco.

— O que é isso? — Benjamin perguntou, desconfiado, tentando se erguer.

Ela não disse nada de imediato. Deixou o suspense pesar, saboreando cada segundo. Depois ergueu o envelope entre dois dedos, como quem segura uma coroa.

— O resultado.

Benjamin piscou, confuso.

— Resultado do quê?

Clara sorriu mais amplo. Os olhos dela brilhavam como os de alguém que acaba de ganhar uma guerra.

— Da clínica. Estou grávida.

O tempo congelou.

O copo escorregou da mão de Benjamin, caindo no tapete e manchando o tecido com o uísque derramado. Ele não percebeu. Não sentiu. Apenas ficou imóvel, encarando-a como se tivesse levado um tiro no peito.

— Grávida…? — a voz saiu baixa, quebrada.

Clara assentiu devagar, teatral.

— Sim, Benjamin. Você vai ser pai.

Ele levou as mãos ao rosto, os dedos pressionando os olhos como se tentasse impedir as lágrimas que ameaçavam cair. Um riso curto, incrédulo, escapou de seus lábios.

— Não… não pode ser… — murmurou, mas não era descrença total. Era medo. Medo de acreditar.

Clara se aproximou, lenta, felina. Sentou-se no braço do sofá, inclinando-se sobre ele. Passou os dedos pelo cabelo dele, puxando suavemente.

— Pode, sim. — sussurrou no ouvido dele. — Está acontecendo.

Benjamin virou o rosto, encarando-a de perto. Os olhos dele estavam marejados, mas pela primeira vez havia um lampejo de esperança, como se aquela notícia pudesse apagar o peso de ser rejeitado pelo destino.

— Eu… — ele tentou falar, mas a voz falhou. Inspirou fundo. — Eu achei que era eu o problema. Com Olívia… todos aqueles anos, tentando… nada. Eu pensei que nunca…

Clara não o deixou terminar. Pousou a mão sobre o peito dele e, lentamente, guiou a dele até sua barriga ainda lisa.

— Não era você. — disse com convicção, olhando nos olhos dele. — Nunca foi você.

Benjamin fechou os olhos. Sentiu a mão sobre o ventre dela como se fosse real, como se pudesse já tocar o futuro que lhe foi negado tantas vezes.

— Eu quero acreditar. — confessou, a voz quebrada. — Quero acreditar com cada pedaço do que me resta.

Clara sorriu, mas dentro do sorriso havia veneno.

— Então acredite. Porque eu vou te dar o que ela nunca conseguiu te dar.

Ele a encarou, finalmente deixando uma lágrima escorrer.

— Um filho…

— O nosso filho. — completou Clara, quase com doçura. Mas seus olhos tinham algo mais. Ambição. Triunfo.

Ian se inclinou um pouco, o tom de voz grave, certeiro:

— Duas colheres de risoto não contam, Olívia. Nem para uma criança. Muito menos para você.

O silêncio que se seguiu doeu mais do que as palavras. Helena ergueu-se devagar, olhando para Olívia com delicadeza.

— Senhora… venha comigo até a sala de triagem. Só para medir sua pressão, checar taxas. — disse, doce, mas firme. — O Léo vai precisar de você forte quando acordar. E se não consegue comer, podemos dar soro.

Olívia fechou os olhos, derrotada pela verdade. A contragosto, levantou-se. Antes de seguir com Helena, virou-se para Ian:

— Você pode ir descansar. Eu… eu não preciso de você aqui agora.

Ele permaneceu parado, o olhar frio, mas carregado de algo que a confundia.

— Não vou a lugar nenhum. — respondeu, firme, quase como um juramento. — Fico aqui.

Olívia engoliu em seco. Por um instante, quis acreditar naquela força que ele parecia sustentar por ela. Apenas assentiu e seguiu com Helena, sumindo pelo corredor branco.

Ian ficou sozinho. A mente, porém, não estava vazia. Havia uma pergunta, um fantasma que o perseguia desde que pisara naquele hospital: tinha perguntas sobre Nicolau, o silêncio imposto sobre aquele lugar em relação ao seu avô que ele jamais comentara com Ian antes.

Caminhou até a recepção, o terno pesado sobre os ombros, o rosto fechado.

Estava prestes a chamar a recepcionista, quando um perfume familiar cortou o ar. Não era o cheiro estéril do hospital. Era algo doce, perturbador, quase fora de lugar naquela madrugada.

Ian girou o rosto devagar.

E então a viu.

Carolina.

Os passos ecoando pelo piso de mármore, o sorriso sutil demais para ser inocente, o olhar carregado de intenções que ele não queria decifrar.

O coração de Ian gelou.

O que diabos ainda iria acontecer naquela madrugada?

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