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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 64

A madrugada avançava, mas o hospital parecia imóvel, ainda mais silencioso quando Ian desceu para a recepção. O relógio marcava uma hora indecente da madrugada, e o som dos passos ecoava como lembranças pesadas dentro ele. Lembranças da época em que aquele hospital havia se tornado uma espécie de segunda casa.

Ian caminhava pela recepção, as mãos nos bolsos, o corpo rígido, mas a mente fervendo, distante. Tomada pela sombra do avô, pela dúvida que queria finalmente tirar da garganta Tinha ido até ali com uma única intenção: perguntar, finalmente, sobre isso. Mas a pergunta queimava tanto dentro dele que parecia impossível formular as palavras. Como se, ao nomeá-las, fosse abrir uma caixa que não conseguiria mais fechar.

Antes que pudesse dar o primeiro passo em direção ao balcão, pronto ´para perguntar a recepcionista, uma voz atravessou o ar, o detendo.

— Ian.

Ele se virou, e o corpo inteiro se armou de imediato, ficando ainda mais rígido.

Carolina.

Ela surgiu da penumbra do corredor lateral, como se estivesse brotado da própria escuridão, estava ali, como uma aparição inoportuna.

Vestia um branco tailleur leve, os sapatos brancos marcando seu caminho pelo piso frio, o cabelo bem preso acima do rosto que continha uma maquiagem discreta. Parecia impecável, apesar do horário, mas havia algo diferente: os olhos. Não brilhavam com arrogância ou desprezo, mas carregavam um peso que Ian não estava acostumado a ver nela. Como algo de genuíno, como se a força da ironia tivesse se dissolvido na madrugada.

Ela caminhou devagar até ele, aproximando-se como quem não quer assustar um animal ferido.

— Acabei de encontrar seu avô saindo daqui. — disse, com voz baixa, quase cuidadosa. — O que aconteceu?

Ian virou o rosto, respirando fundo pela narina, como se a mera presença dela fosse insuportável. Ele cerrou o maxilar, o corpo inteiro dele exala impaciência.

A resposta veio seca, cortante.

— Nada.

Ele queria que aquela conversa acabasse ali, mas Carolina não recuou. Ela o estudava como quem busca brechas em uma muralha.

— Ian… não é porque nós dois terminamos mal que eu desejo o mal da sua família. — disse, e havia uma vulnerabilidade rara no tom, quase carregada de dor.

Ele soltou um riso curto, breve e sem humor quase um sopro de desprezo ou como quem bufa para afastar a fragilidade.

— Não tem nada a ver com a minha família.

Por um instante, silêncio. Carolina piscou, rápida, e então os olhos dela mudaram, se estreitaram, atentos, quase predadores como se tivesse juntado peças de um quebra-cabeças.

— É ela. — constatou, firme.

Aquela simples palavra o atravessou. Ian parou de respirar por um segundo. O sangue subiu ao rosto, mas ele manteve o semblante de pedra, o rosto endurecido.

— Eu não esqueci do show que você fez no banheiro do restaurante. — disse, num tom grave, e gelado como um aço frio. — E não estava blefando quando disse que se aproximasse da Olívia outra vez, teria consequências.

O olhar de Carolina foi... estranho. O rosto dela se manteve calmo. Sem raiva, sem medo, sem ameaça. Apenas um estranho vazio com uma serenidade gélida.

— Eu não tenho nada diretamente contra a Olivia. — murmurou. — Mas teria contra qualquer mulher. Porque quando se trata de você, Ian... você deveria ser apenas meu.

O ar entre eles ficou denso, sufocante. Ele deu um passo à frente, estreitando os olhos, a sombra do corpo projetada sobre ela, e falou baixo, e afiado:

— Nunca fui.

Girou o corpo para se afastar, decidido a encerrar aquilo.

Mas Carolina não desistiu. Seguiu seus passos rápidos pelo corredor ecoaram, insistente.

— Então o que aconteceu? — perguntou, firme, como quem não aceita o silêncio como resposta.

Ian parou abruptamente. Os ombros subiram e desceram numa respiração pesada. Quando virou para encará-la, havia exaustão demais no olhar, como se aquela madrugada inteira tivesse sugado tudo de dentro dele. Olheiras profundas, tensão marcada no maxilar, e algo quebrado por baixo da frieza.

A palavra saiu como um sopro rouco, grave e dolorido:

— Léo.

Ele arqueou as sobrancelhas, confuso.

— O que tem o meu avô?

Ela respirou fundo, desviando os olhos por um segundo.

— Bastaram alguns minutos de conversa com ele. E eu descobri. — voltou a encará-lo com intensidade. — Talvez você devesse conversar com ele. Todo minuto conta.

Não explicou mais nada. Apenas lançou aquele enigma como uma boca e se virou, caminhando pelo corredor, o som dos passos ecoando como marteladas na cabeça dele, até sumir.

Ian ficou parado, atônito, completamente atordoado. O coração batia alto demais. O que diabos ela quis dizer?

Ele respirou fundo, lembrando-se do que viera fazer ali em primeiro lugar: perguntar na recepção, finalmente, sobre seu avô na recepção. Mas fora interrompido pela aparição daquela mulher que era, ao mesmo tempo, passado, ameaça e sombra,

Estava prestes a voltar e seguir até o balcão para perguntar quando uma porta ao fundo se abriu.

Helena surgiu primeiro, apoiando uma figura pálida pelo braço.

Olívia.

Ian ergueu os olhos para ela, e naquele instante, o mundo pareceu parar.

Ela caminhava devagar, frágil, mas ainda sustentando uma força absurda nos ombros. O rosto abatido, os olhos marejados e cansados e, ainda assim, vivos, escondendo sua força e fragilidade ao mesmo tempo.

Ian sentiu algo dentro dele se partir.

Era como se a dor dela tivesse atravessado o peito e se instalado nele, como se a dor dela agora era também a sua.

E pela primeira vez, em tantos anos, ele sentiu medo.

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