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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 67

O corredor parecia suspenso no tempo, como se até o ar estivesse preso na garganta. O nascer do sol pintava os vidros com tons dourados que invadiam o hospital, zombando da noite em claro mergulhada em dor e exaustão.

Olívia estava encolhida na cadeira, os olhos vermelhos, as mãos entrelaçadas tão forte que os nós dos dedos estavam brancos. A cada segundo, o coração dela se apertava, como se pudesse sentir, a quilômetros de distância, cada batida frágil do coração do filho.

Ian retornava ao corredor depois de horas. Ele vinha mais lento, mais pesado, mas no rosto carregava de volta a máscara que aprendera a vestir desde criança. A frieza, a dureza. Só que agora, dentro dele, tudo estava em guerra.

Quando os olhos dela o encontraram, foi como se uma corrente de choque passasse entre eles.

— Onde você estava? — perguntou, a voz baixa, desconfiada, mas carregada de uma doçura que não combinava com a raiva que normalmente sentia por ele. Como se ela quisesse puxá-lo de volta para perto.

Ian desviou o olhar para o nascer do sol. Respirou fundo antes de responder:

— Precisava resolver algumas coisas.

Ela o estudou, como se tentasse atravessar aquela muralha invisível. Mas estava cansada demais para forçar a porta que ele fechava sempre. Apenas assentiu.

Ficaram em silêncio. Um silêncio denso, cheio de perguntas não feitas.

Então ela murmurou, com um fio de voz:

— O sol está nascendo… tomara que seja um sinal de que o Léo também vai renascer.

Aquela frase atravessou Ian. Ele virou o rosto devagar para ela. Havia algo no jeito que Olívia falava, aquela fé desesperada, quase infantil, mas ao mesmo tempo corajosa. Algo que ele nunca teve. Algo que ele invejava.

Por alguns segundos, apenas a olhou. O olhar dele, tão fixo, tão intenso, que ela sentiu o estômago se revirar.

— Você nunca desiste dele, não é? — Ian murmurou, quase sem perceber.

— Nunca. — Olívia respondeu, a voz falhando, mas firme. — Ele é tudo o que eu tenho.

Ian respirou fundo, como se lutasse contra algo. Por dentro, havia uma fissura se abrindo, a mesma que sempre tentava esconder. O silêncio que ficou entre eles era pesado, só interrompido pelo habitual burburinho das máquinas do hospital.

Foi nesse instante que passos firmes ecoaram.

O médico apareceu no final do corredor. As luvas já tinham sido retiradas, a máscara pendia no pescoço, mas os olhos denunciavam a gravidade, continha aquele peso que nenhum profissional conseguia disfarçar.

— Senhorita Belmonte? Senhor Moretti? — chamou, com voz grave e cada sílaba caiu sobre eles como uma sentença.

Olívia levantou-se de um salto, as pernas vacilando e o coração parecia querer explodir pelas costelas. Ian apenas se ergueu, endireitou-se numa postura ereta, rígida, mas a mandíbula cerrada revelava a tensão.

— A cirurgia terminou. — disse o médico.

O silêncio que se seguiu foi sufocante.

— E então? — Olívia conseguiu sussurrar, a voz quebrada.

O médico hesitou. Apenas um segundo que pareceu uma eternidade. Mas foi suficiente para que o coração dela desabasse.

— A cirurgia foi bem-sucedida, tecnicamente. Conseguimos corrigir a malformação. — começou. — Mas… o estado dele é extremamente delicado. Seu filho está na UTI. As próximas horas serão cruciais para sabermos se ele vai reagir.

As palavras atravessaram Olívia como facas.

Ela cambaleou para trás, as pernas vacilando, a respiração falhando. O peito arfava, buscando ar que parecia não vir. Os olhos se enchendo de lágrimas tão rápido que ela nem conseguiu contê-las.

— Não… não, não, não… — murmurava, repetindo, a voz embargada, como se pudesse negar a realidade.

As lágrimas dela caíram, mas dessa vez não eram só de desespero. Havia algo ali. Uma força inesperada, vinda dele. Eles ficaram assim, presos um ao outro.

Mas Olivia mal teve tempo de processar aquilo, porque o som seco de uma bengala ecoou pelo corredor.

Nicolau.

Ele avançava devagar, imponente como sempre, mas cada passo era um golpe no silêncio, mergulhado em uma calma cruel. O olhar dele passou de Ian para Olívia, pousando demoradamente no abraço em que estavam.

— É curioso… — disse, com voz baixa, carregada de enigma. — Como a dor une mais do que o sangue.

Ian imediatamente se afastou, voltando à postura ereta, fria. Como se precisasse se armar de novo. Olívia limpou as lágrimas com pressa com as costas da mão, tentando recompor-se, mas seu corpo ainda estava trêmulo.

Nicolau parou diante deles, apoiando-se na bengala, olhando como se fosse um juiz diante de réus.

— As próximas horas dirão muito. — falou lentamente. — Não apenas sobre esse menino… — fez uma pausa, deixando a sombra das palavras se arrastar. — Mas sobre o destino desta família inteira.

O silêncio caiu pesado.

Ian cerrava os punhos, em alerta, pronto para enfrentar o avô. Aliás, ele tinha um milhão de perguntas para fazê-lo. Olívia, tremendo, não sabia se aquelas palavras eram uma ameaça ou apenas mais um enigma cruel.

E Nicolau, como sempre, virou-se de costas, como se tivesse cumprido o papel de sempre: jogar a bomba e deixar que a explosão corroesse todos.

E saiu.

Quando a porta da UTI fechou atrás dele, só restou o som das máquinas e o nascer do sol em luz dourada, iluminando um corredor cheio de dor, de segredos e de medos.

E principalmente, de duas pessoas em pedaços.

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