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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 70

A frase caiu como um trovão entre eles. Ian congelou, sem ar. As palavras queimavam na boca, mas não saíam. Porque se dissesse em voz alta, seria real demais. E por um instante, até ele duvidou se estava pronto para essa verdade.

Não sabia se Nicolau o acusava, se testava… ou se apenas dizia a verdade que ele próprio não ousava admitir.

E, pela primeira vez, Ian não tinha certeza se ainda conseguia atuar.

Seu coração gritava para jogar tudo para o alto, para encerrar a farsa do noivado e parar de viver na sombra de uma mentira. Nicolau estava morrendo, afinal. O império, a herança, nada daquilo fazia sentido quando tudo podia ruir de um dia para o outro.

Mas então, a imagem de Olívia sozinha naquela sala branca, agarrada à esperança de que o filho sobrevivesse, invadiu sua mente. O rosto frágil, os olhos determinados… Léo, deitado em uma mesa de cirurgia.

O nó em sua garganta se apertou.

Não era Nicolau. Não era a herança.

Era ela. E o menino.

E Ian, sem entender por quê, não conseguia deixá-los sozinhos.

Nicolau percebeu o silêncio dele e sorriu, frio, enigmático.

— Viu só? — murmurou. — O sangue pode até enganar nos papéis… mas nunca engana no que realmente prende um homem.

Nicolau terminou o café, levantando-se com calma, apoiando-se na bengala. E nesse momento, decidiu dar o golpe final:

— O tempo está acabando, meu neto. O meu... e o seu de escolher.

E saiu, deixando Ian sozinho encarando a própria xícara de café, com a sensação de que não era apenas o coração do avô que estava em contagem regressiva.

Se via devastado pela dúvida: Estava preso ao dever, à mentira… ou ao que começava a sentir de verdade?

A frase de Nicolau ainda reverberava na mente de Ian, como um trovão que não parava de ecoar.

"O tempo está acabando, meu neto. O meu… e o seu de escolher."

Ele permaneceu sentado por alguns segundos, imóvel, encarando a xícara de café que já esfriara. O vapor se dissipava lentamente, como a certeza que ele jurava ter até poucas horas atrás.

Quando finalmente ergueu os olhos, Nicolau já estava em direção a saída, apoiado na bengala, os olhos cinzentos faiscando como se tivesse acabado de vencer mais uma batalha, não contra Ian, mas dentro dele.

Ian se recompôs. Forçou os ombros a se endireitarem, vestiu de novo a máscara que já parecia colada ao rosto. Caminhou até o avô em silêncio e o acompanhou até o carro.

No caminho de volta, o silêncio foi quebrado apenas quando Nicolau, com a voz rouca e sem olhar para ele, disse ao motorista:

— Não me leve para casa. Preciso passar na empresa.

Ian girou o rosto devagar, incrédulo.

— Avô… depois do que você me disse, deveria descansar. Evitar estresse.

— O descanso… é só outro nome para a morte, Ian. — Nicolau rebateu com calma, os olhos fixos no horizonte. — Enquanto houver força, eu vou usá-la. É por isso que vocês ainda têm um império para herdar.

Ian quis retrucar. Quis gritar que ele não podia se arrastar até o fim fingindo que nada estava acontecendo. Mas as palavras morreram antes de sair.

Naquele instante, ele compreendeu. Era justamente por isso que Nicolau nunca contou a ninguém. Porque se o fizesse, o patriarca não seria mais visto como rei, mas como um homem à beira do fim.

Engoliu em seco. E apenas assentiu.

Chegando a empresa, quando o carro parou diante da torre de vidro, Ian já estava esgotado. O relógio ainda marcava as primeiras horas da manhã, mas para ele a noite parecia não ter acabado. O terno estava amassado, a gravata frouxa, os olhos ardendo de cansaço.

Ele não pretendia entrar. Não pretendia lidar com nada além do hospital. Mas quando desceu do carro, ouviu.

Um sussurro.

Duas vozes, baixas, na recepção.

O nome de Olívia no meio da frase.

E logo depois, o dele.

— Estão demitidas. Agora.

As duas abriram a boca, mas não ousaram responder. Apenas se retiraram, cabisbaixas, o som da porta fechando ecoando como um veredito.

Quando a sala voltou ao silêncio, Ian caiu pesadamente na cadeira. Enterrou o rosto nas mãos, sentindo o peso da noite, do avô, de Olívia, de Léo, de tudo.

E pela primeira vez em anos, não sentiu satisfação em impor medo.

Sentiu apenas vazio.

Os olhos correram pela mesa, pela pasta de documentos que não faziam mais sentido. Pelo reflexo da janela, que mostrava o sol subindo devagar no céu.

E uma única imagem invadiu sua mente, como um raio impossível de apagar:

Olívia, no hospital, agarrada à esperança como se fosse a única coisa que a mantinha respirando.

Era por ela que ele tinha se levantado contra Nicolau.

Era por ela que ele acabara de destruir duas carreiras sem pestanejar.

Era por ela e por aquele menino que seu coração batia agora em um ritmo que ele já não reconhecia.

Ian respirou fundo, passou as mãos pelo rosto e se levantou.

O dia apenas começava, mas dentro dele parecia já ter durado uma vida inteira.

Ao sair da sala, Ian recebeu uma mensagem em seu celular.

Era curta, objetiva, mas suficiente para gelar o sangue dele:

“Venha agora.”

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