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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 75

Os passos de Olívia ecoavam pelo corredor como se ela fosse a única pessoa no hospital. O coração pulsava alto, o calor subia pelo pescoço até as orelhas, e o ar parecia rarefeito.

Quando finalmente parou diante deles, o mundo inteiro desacelerou.

Ian se levantou quase de imediato, como se tivesse sido pego em flagrante. O corpo dele se armou em rigidez, o olhar escuro preso nela. Carolina, no entanto, permaneceu sentada, tranquila, cruzando as pernas com um gesto ensaiado. O sorriso curto em seu rosto tinha gosto de toxidade e elegância.

Por um segundo, Olívia se arrependeu.

Não queria estar ali. Não queria se mostrar tão transparente. Ela sabia que tinha problemas maiores, seu filho ainda lutava em recuperação, mas já era tarde demais para recuar. Já estava exposta, e Ian a encarava.

Ela tentou falar, mas a voz saiu seca demais:

— Eu… não sabia que tinha companhia.

Ian respirou fundo. A voz dele veio baixa, grave.

— Não é o que parece.

Olívia riu sem humor, nervosa, cruzando os braços para conter o tremor.

— E o que parece, Ian? — perguntou, num tom quase sussurrado. — Porque daqui… parece bastante óbvio.

Carolina inclinou-se para frente, apoiando o queixo na mão, como se estivesse se divertindo.

— Olá, Olívia. — disse, o olhar estudando-a dos pés à cabeça. — Já estava sentindo sua falta.

Olívia travou a respiração, depois assentiu com a cabeça.

— Não comece a dissimular. Eu sei que tipo de pessoa você é.

O sorriso de Carolina se alargou, lento.

— Que bom. Facilita as coisas.

Ian se mexeu, impaciente.

— Chega. Isso não é o lugar para mais um campo de batalha.

Olívia quis concordar, quis dizer que ele estava certo. Mas a dor dentro dela pediu espaço.

— O lugar? — perguntou, firme, os olhos marejados. — Você sentado ao lado dela, conversando como se fossem os únicos que se entendem no mundo… esse é o lugar? Me pareceu bem íntimo.

Carolina arqueou uma sobrancelha, satisfeita com a faísca.

— Talvez seja porque somos, de certa forma. — disse em tom baixo, olhando para Ian.

A frase queimou. Olívia desviou o olhar, sentindo o chão escorregar sob seus pés.

Não queria brigar. Não queria se mostrar frágil. Procurou por uma saída, qualquer desculpa para estar ali.

— Eu só vim perguntar… — começou, tropeçando nas próprias palavras. — Se tem alguém na mansão agora. Preciso pegar algumas roupas.

O silêncio caiu como pedra.

Ian a observou com atenção, percebendo a desculpa mal disfarçada. A voz dele saiu dura, prática:

— Eu pego pra você.

Olívia piscou, surpresa, e a raiva veio como reflexo.

— Eu sei escolher minhas roupas, Ian. Não preciso de ninguém para isso.

A rigidez no olhar dele vacilou por um instante, como se o desejo de protegê-la se confundisse com controle.

— Eu não quis dizer isso. Só… achei que fosse mais fácil.

— Mais fácil pra quem? — retrucou, a voz carregada de emoção. — Pra mim ou pra você?

O silêncio voltou, ainda mais pesado.

Carolina riu, baixinho, quebrando o ar.

— Parece que vocês têm muito a resolver. — disse, quase em canto, mas com diversão no olhar. — Ian, ainda é bom ver que continua tentando controlar tudo. Não mudou tanto assim.

Ian a olhou de relance, a expressão sombria.

— Não é da sua conta.

Ele parou. Mas não se virou.

Carolina cruzou os braços, olhando de soslaio para Olívia, saboreando cada segundo.

Carla, ao lado, apenas sorria, como se tivesse acabado de ganhar o melhor espetáculo da noite.

Ian finalmente respondeu, ainda de costas:

— Não estou fugindo. Estou poupando você.

E saiu.

O silêncio que restou foi cortante. Olívia sentiu o peito arder, como se algo dentro dela tivesse se partido em dois. Carolina a observava como quem contempla uma vitória silenciosa. Carla, ao contrário, apenas inclinou a cabeça e murmurou:

— Então… ainda acha que é só acordo?

Olívia não respondeu.

Não tinha forças.

Foi então que uma voz firme soou atrás dela, quebrando o peso do corredor:

— Senhora Belmonte?

Ela se virou. O médico estava ali, a pasta nas mãos, o semblante sério, mas suave.

— Pode ir ver seu filho agora. Ele já está desperto.

Por um instante, tudo, Ian, Carolina, Carla, ciúmes, dores, provocações, desapareceu.

O coração de Olívia bateu descompassado, e os olhos marejaram. Nada mais importava.

Sem pensar duas vezes, ela virou as costas para as duas mulheres e seguiu atrás do médico, sentindo o peito apertado, mas agora por outro motivo: a urgência de ver o filho.

Naquele instante, todo o drama que a cercava se dissolveu em pó.

Só havia uma coisa no mundo: Léo.

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