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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 79

O ar da biblioteca parecia mais pesado do que de costume. O relógio antigo marcava os segundos em batidas secas, como se zombasse do silêncio entre eles. A quietude densa, sufocante.

Olívia estava em pé, braços cruzados, coração acelerado, mas o corpo rígido, como se fosse desmoronar se desse um passo a mais. Ainda sentia a pele arder onde os lábios dele tinham estado, mas não queria admitir. O peito doía pelo orgulho e pelo medo de dizer a coisa errada.

E Ian... Ian a olhava como se fosse uma pergunta sem resposta. Permanecia diante dela, parado, com o rosto ainda levemente marcado pelo tapa, mas os olhos firmes, escuros, fixos nela.

Por longos segundos, nenhum dos dois ousou falar.

O orgulho os amarrava. O medo os calava.

Até que Ian, respirando fundo, deixou a voz escapar, quebrando o silêncio:

— Sobre Carolina…

O nome caiu entre eles como uma pedra no lago. Olívia cerrou os olhos e prendeu o ar, preparada para ouvir a confirmação dos seus piores pensamentos.

Mas ele continuou, respirando fundo:

— Eu a vi naquela madrugada. No hospital. Ela estava de plantão. — A voz era grave, pausada, como se escolhesse cada palavra com cuidado. — Tivemos uma conversa rápida… e ela me disse algo sobre Nicolau. Algo que me deixou... preocupado.

Olívia se endireitou de repente, piscando os olhos rapidamente, o coração acelerado.

— O quê? — a voz saiu urgente, nervosa. — O que o Nicolau tem?

Ian desviou o olhar. Os músculos do tosto tenso. O maxilar se contraiu. Ele engoliu em seco, como se tivesse um nó na garganta e tivesse dificuldade até de respirar.

— Nicolau é Nicolau. — respondeu, frio, como se a frase fosse suficiente, tentando encerrar o assunto.

— Não, Ian! — Olívia deu um passo à frente, insistindo. — Eu estou perguntando o que ele tem. Você sabe de alguma coisa!

Ele fechou os olhos por um instante, como se lutasse contra a memória, contra o peso do que carregava.

— Eu não quero falar sobre isso. — disse, enfim, a voz baixa, quase um pedido carregado de dor contida. — Não agora.

Olívia o observou em silêncio. Pela primeira vez, viu não apenas frieza, mas medo. E aquilo a desconcertou mais do que qualquer resposta. Ela respirou fundo, tentando respeitar o limite. Mas a inquietação ainda roía por dentro.

Antes que ela pudesse insistir, Ian voltou a olhá-la e havia algo novo em seus olhos.

— E foi ela também quem conseguiu que você visse Léo pela sala de vidro.

Olívia piscou, confusa.

— O quê?

— Ela falou com a equipe. Usou os contatos dela. Eu não pedi nada. Foi iniciativa dela.

Olívia abriu a boca, fechou, abriu de novo.

— Eu… não entendo.

Por um instante, Olivia ficou sem palavras. A Carolina que conhecia, cruel, venenosa, a víbora que desejava sua queda, tinha feito algo... bom? Talvez por orgulho, talvez só para chamar a atenção de Ian. Talvez fosse apenas jogo. Mas no fim, pouco importava. O resultado tinha sido a chance de ver o filho. E isso era tudo.

— Eu... não sei nem o que dizer… — murmurou, perdida.

Ian a observou em silêncio, depois respirou fundo, como se reunisse coragem, e então falou, cada palavra pesada de verdade, como se realmente pesasse toneladas:

— A última coisa que eu quero na vida é Carolina. Eu desprezo o que ela é. O que se tornou. Tudo o que ela fez. Não existe nada neste mundo que me faria escolher ela em vez de você.

Olívia sentiu o coração disparar tão rápido que chegou a doer. Aquilo não era uma declaração, mas… para Ian, era. Era o mais próximo disso que ele poderia chegar.

Ela fechou os olhos, por um instante, deixando que lembranças a invadissem:

O contrato.

As brigas.

A noite no lago.

As confissões sussurradas naquela noite interminável no hospital.

As conversas a beira do colapso.

As madrugadas em que ele ficou ao lado dela quando tudo parecia desmoronar.

A maneira como ele sempre estava lá, mesmo quando dizia que não se importava.

No meio de todo o pesadelo, a única constante tinha sido ele. A pessoa que sempre esteve lá, fosse como fosse, era ele.

E, de repente, abandonar Ian agora lhe pareceu covardia, lhe pareceu errado. Ele estava preso em sua própria luta, sufocado pela sombra do avô, tentando conquistar algo que parecia inalcançável.

Ian, ainda parado diante dela, ergueu os olhos.

— Quer que eu vá com você?

Ela hesitou. Parte dela queria dizer sim. Parte dela precisava do espaço.

— Não. — respondeu baixo. — Eu dou conta.

— Então te espero na sala. — ele diz.

Olivia saiu do quarto, quase correndo, como se estivesse em uma procura desesperada por ar. Minutos depois, voltou pela sala, carregando as malas. O coração ainda em turbilhão, a mente presa à frase que ele dissera. Só mais uns meses sendo minha…

Mas antes que pudesse alcançar a porta, encontrou Nicolau já ali, apoiado na bengala, como se a esperasse.

— Então? — perguntou, os olhos brilhando com a crueldade de sempre. — Já marcaram a data?

Ian abriu a boca, mas para surpresa de todos, foi Olívia quem respondeu, firme, sem titubear:

— Sim. Dentro de algumas semanas. Quando Léo sair do hospital.

O ar pareceu mudar. Por um segundo, Nicolau congelou, a máscara quase cedendo. Não esperava que ela tivesse coragem de responder. Não esperava que ela aceitasse.

Mas logo se recompôs, erguendo o queixo.

— Ótimo. Sendo assim… em breve tudo será decidido.

O olhar dele percorreu Ian e Olívia com prazer cruel, antes de completar:

— Minha herança ficará para aquele que primeiro construir uma família. Para aquele que provar que consegue lidar… e manter o que é mais difícil.

O silêncio caiu como faca.

E então, uma voz ecoou do alto da escadaria, carregada de algo letal e triunfo.

— Sendo assim, vovô… você deve já oferecer a mim.

Olívia e Ian ergueram os olhos ao mesmo tempo, apenas para ver Benjamin descendo os últimos degraus, um sorriso satisfeito no rosto.

— O resultado da Clara saiu. — ele anunciou, saboreando cada palavra. — Ela está grávida.

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