Entrar Via

Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 80

— Sendo assim, vovô… você deve já oferecer a mim.

A voz de Benjamin ecoou pelo salão como um raio, antecedendo um trovão tenebroso.

Olívia se virou devagar, instintivamente, sentindo o estômago gelar e o coração bater mais rápido. Ian não se mexeu, mas os olhos escuros se fixaram de imediato no homem que descia os degraus da escadaria com passos calculados, cada um acompanhado de um sorriso triunfante, com se fosse o dono do palco.

Ele tinha aquele sorriso satisfeito que Olivia conhecia bem demais, o sorriso de quem acreditava ter vencido antes mesmo da guerra começar.

— O resultado da Clara saiu. — disse Benjamin, saboreando cada sílaba como se fossem goles de vinho caro. — Ela está grávida.

O ar se partiu.

As palavras ecoaram pelo espaço amplo e gelado da mansão.

Por um instante, nem mesmo Nicolau conseguiu disfarçar a surpresa. O patriarca piscou, e a bengala tilintou contra o piso. Logo, porém, recompôs-se. O choque deu lugar a uma expressão de deleite perverso, como se tivesse acabado de ganhar uma nova carta no baralho.

Ele arqueou as sobrancelhas, e por um instante, o controle absoluto que sempre ostentava vacilou. A surpresa esteve ali, rápida, quase imperceptível. Mas logo deu lugar a algo diferente: interesse.

— É mesmo? — perguntou, com a voz baixa, arrastada, quase um ronronar. — Que notícia… inesperada.

Antes que alguém pudesse reagir, Clara surgiu no patamar superior, descendo com a graça de quem sabia que roubava a cena. Como sempre, impecável. Usava um vestido justo e elegante, maquiagem perfeita, o olhar frio. E nas mãos, carregava um envelope que balançava levemente.

— Inesperada para alguns, talvez. — disse, com ironia suave. — Para mim, eu sempre soube a verdade. Foi apenas o destino.

Quando chegou ao lado de Benjamin, entregou o envelope a Nicolau. Ele abriu, demorando-se de propósito, os olhos correndo pelas linhas do exame e riu baixo. O silêncio era tão denso que Olívia ouvia seu próprio coração bater.

Enfim, Nicolau ergueu os olhos.

— Teste de gravidez. Positivo. — anunciou, deixando o papel sobre a mesa de centro e observando a sala inteira. — Parabéns, Benjamin. Parabéns, Clara.

Benjamin estufou o peito, orgulhoso, e lançou um olhar direto a Ian, como quem dizia: Agora é a minha vez.

Ian, no entanto, permaneceu imóvel, expressão impassível, mas o músculo do maxilar tremia levemente, o único sinal de que aquilo realmente o afetava.

Olívia, por outro lado, sentiu uma mistura estranha. O estômago revirava. Não sabia ao certo pelo o que o que era.

Se era pela presença de Clara, a repulsa por ela usar até uma gravidez em arma e agora, um bebê, inocente, estava no meio desse jogo sujo.

Ou o desconforto, por lembrar do próprio filho frágil ainda na UTI.

Era sem dúvida, uma pontada de dor, porque sabia que uma criança sempre mudava tudo, mesmo quando usada da pior forma.

Instintivamente, levou a mão ao peito, lembrando-se de Leo.

Benjamin não perdeu a chance de atacar ao perceber o gesto de Olivia.

— Parece que não sou o único a construir uma família, não é, tio? — disse, com veneno na voz. — A diferença é que a minha não é baseada em farsa.

Olívia piscou, em seguida, ergueu o queixo, tentando conter a fúria, seu sangue fervia, mas foi ela quem respondeu.

— Farsa é uma palavra forte, Benjamin. — disse, firme. — Mas vindo de você, é quase poética.

Clara soltou um riso baixo, doce e cruel ao mesmo tempo, com a pura intenção de afetar.

— Engraçado ouvir isso de alguém que entrou nesta casa com um ridículo contrato assinado.

Ian avançou um passo, o corpo inteiro em tensão.

— Cuidado com o que diz, Clara. — sua voz grave cortou o ar.

Ela inclinou a cabeça, e arqueou uma sobrancelha, sem medo.

— A verdade incomoda, não é, Ian?

Os olhos dele faiscaram, mas antes que pudesse responder, Nicolau ergueu a mão. O gesto foi suave, mas a autoridade que carregava calou a sala inteira.

— Basta. — disse, firme, mas o sorriso traiu o prazer que ele escondia em ver todos se destruírem. — A notícia é excelente. Mas não se iludam. Anunciar uma gravidez não é o mesmo que construir uma família.

— Que vença aquele que provar que família não é apenas sangue… mas poder.

O silêncio que seguiu foi absoluto, quase sufocante.

E Olívia percebeu: a guerra não tinha começado.

Ela já estava em andamento.

Benjamin sorria satisfeito, Clara exibia sua vitória como um troféu, Ian permanecia rígido, e Olívia tentava controlar a tempestade dentro de si.

Nicolau apoiou-se melhor na bengala e pigarreou, voltando a assumir o centro da cena com a naturalidade de quem nunca o perdeu.

— Sendo assim… — começou, o tom lento e cheio de intenção — como já temos os nossos futuros herdeiros, não há mais tempo a perder.

O olhar dele varreu cada rosto, medindo, pesando, saboreando o efeito de suas palavras.

— Ian e Benjamin, preciso que me acompanhem até a empresa. Agora.

Fez uma pausa, apenas o suficiente para que a tensão se transformasse em ansiedade.

— Tenho algo importante a decidir.

E, sem esperar resposta, virou-se em direção à porta, deixando para trás o silêncio carregado de medo, raiva e expectativas.

Olívia sentiu o coração disparar.

Ian fechou o punho discretamente.

Benjamin sorriu ainda mais largo.

Deixe os jogos começarem.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido