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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 86

Os dias tinham passado em um ritmo estranho: lento como gotas de soro caindo, rápido como as batidas descompassadas do coração de Olívia cada vez que um médico surgia com uma prancheta na mão.

Agora, finalmente, o alívio tinha um nome: alta da UTI.

Léo estava fora do perigo imediato, em um quarto comum. Ainda frágil, ainda cercado de aparelhos, mas ali, onde a mãe podia tocar o vidro sem medo de contaminar, onde podia ouvi-lo resmungar baixinho, onde o coração dela, pela primeira vez em semanas, parecia respirar.

Olívia ajeitava as roupas dele em uma pequena mala. Cada peça era dobrada com uma reverência silenciosa, como se fosse algo sagrado. Ian ajudava em silêncio. O silêncio dele não era vazio, era atento. Observava os movimentos dela, sabia que qualquer palavra mal colocada poderia fazer desmoronar o frágil equilíbrio daquele momento.

— Vou buscar os relatórios de medicação com a enfermeira. — disse ele, baixo, antes de sair.

Olívia assentiu, sem erguer os olhos.

Foi nesse instante que a porta se abriu.

— Bom dia, campeão! — uma voz feminina soou animada, carregada de uma doçura ensaiada.

O corpo de Olívia congelou. O sangue pareceu sumir das veias.

Não. Aqui não.

Carolina.

Por reflexo, Olívia quis erguer a voz, expulsá-la, mas a presença de Léo na cama a conteve. O menino ergueu os olhos, um brilho curioso e frágil surgindo em meio ao cansaço.

Carolina entrou como quem tinha todo o direito, jaleco impecável, prancheta na mão. O coque no cabelo, sem um fio fora do lugar. Os olhos frios, mas disfarçados sob a máscara de profissionalismo.

E, diante de Léo, era outra. Sorridente, carinhosa. Uma versão que Olívia reconhecia, mas não aceitava.

— Está se sentindo melhor, mocinho? — perguntou Carolina, ajeitando o estetoscópio.

Léo piscou devagar.

— Eu lembro de você… — disse, voz suave, quase um sussurro. — Você esteve na casa do Ian.

A menção foi como uma facada no peito de Olívia. As mãos dela tremeram contra o lençol que segurava.

Carolina sorriu. Não olhou para Olívia.

— Isso mesmo. Eu cuidei de você lá também.

A enfermeira aproximou-se da cama. Checou sinais vitais com gestos rápidos, precisos. A doçura que usava com Léo parecia quase convincente, quase. Para Olívia, era um veneno bem disfarçado.

Mas, ao observá-la, uma parte dela sentiu o estômago revirar: ela realmente sabe o que está fazendo. Carolina não parecia uma víbora diante de Léo, parecia genuína. Como se houvesse nela uma divisão: profissional competente, mulher perigosa.

Olívia odiava não conseguir separar.

Carolina terminou as anotações e se afastou da cama.

— Tudo dentro do esperado. — disse, suave. — Vou deixar por escrito os cuidados que precisam seguir em casa. Ele está reagindo bem.

Olívia respirou fundo, levantou-se e foi até a porta, disposta a encerrar aquela visita. Mas Carolina, em vez de sair, parou ao lado dela. Os olhos mudaram. Doces para Léo segundos atrás, agora eram lâminas.

— Espero ser convidada para o casamento de vocês. — murmurou, com um sorriso curto. — A não ser, é claro, que você ache que Ian não consiga casar com você… se eu estiver ao lado dele.

Olívia sentiu o sangue ferver. As mãos tremeram de raiva. Queria gritar, empurrar, acabar com aquela encenação. Mas o coração dela disparava tanto que mal conseguiu respirar.

Estava prestes a explodir quando a porta se abriu de novo.

Ian a encarou, confuso, mas por dentro, já sentia: Nicolau tinha movido mais uma peça.

E agora, era ele quem precisava dar uma resposta.

— Vamos descobrir o que diabos está acontecendo. — Ian responde, os olhos fixos, mas raivosos.

Olívia assente freneticamente, ainda que seu coração a traísse com incerteza e dúvida. Realmente não imaginava que aquilo iria chegar tão longe assim...

***

O caminho de volta para mansão foi feito em silêncio. Olívia, exausta, segurava a mão de Léo no banco de trás, como se o contato fosse a única âncora capaz de mantê-la de pé. Ian dirigia sério, o olhar fixo na estrada, mas por dentro ruminava a bomba deixada por Carolina. O ar entre eles estava pesado, cada respiração carregada de palavras não ditas.

Quando finalmente chegaram à mansão, Nicolau já tinha preparado o terreno: a porta estava aberta, luzes acesas, como se esperasse por eles. Ian estacionou, ajudou Olívia com Léo, e juntos atravessaram o hall.

O som dos passos ecoou pelo mármore frio. Eles pararam no centro da sala principal, onde tantas discussões já haviam começado.

E foi então que Olívia travou.

O coração dela disparou, os olhos arregalados, a mala escorregando de sua mão. A respiração ficou curta, como se faltasse ar naquele espaço imenso.

Ali, diante dela, estavam duas pessoas que pertenciam ao passado, rostos que ela jamais quis rever, sombras que acreditava ter deixado para trás.

A voz dela saiu em um sussurro áspero, que se quebrou em fúria:

— O que diabos vocês estão fazendo aqui?

O silêncio que se seguiu foi tão pesado que parecia que até as paredes da mansão aguardavam a resposta.

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