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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 92

O corredor estava silencioso, exceto pelo som distante do hospital improvisado que agora era o quarto de Leo, o bip compassado dos aparelhos, a voz calma de Helena ao orientar a medicação.

Quando Olivia saiu, fechou a porta devagar, tentando manter o coração sobre o controle. Não queria que ninguém visse os olhos vermelhos, a respiração trêmula, as mãos que ainda guardavam o calor do filho e as bochechas coradas que delatavam o quase momento com Ian.

Do lado de fora, o corredor parecia mais longo naquela noite. As paredes de madeira escura, os retratos antigos e o tapete grosso abafavam o som dos passos, mas não conseguiam abafar o peso no peito de Olívia.

Ela se soltou da porta devagar, como se o simples barulho da maçaneta pudesse quebrar a bolha frágil de paz que ainda envolvia o menino dentro do quarto. Por dentro, ela ainda sentia o coração acelerado; o pedido de Léo ecoando, a promessa de Ian latejando na mente como uma ferida aberta.

Olívia encostou a testa na madeira fria da porta por um segundo. Só queria respirar. Só queria ficar ali, sozinha. Mas outra vez, não teve tempo para respirar.

Quando ergueu os olhos, não estava mais sozinha.

A poucos passos dela, no meio do corredor, estava Teresa.

A mãe.

Parada, como se esperasse.

O coração de Olívia despencou como se tivesse caído de um penhasco. O corpo reagiu antes da mente: os ombros se enrijeceram, o maxilar travou, as mãos cerraram-se em punhos trêmulos.

Teresa estava exatamente como ela lembrava: impecável. Os cabelos claros puxados para trás em um coque rígido que não deixava fios soltos, o vestido sóbrio, o colar de pérolas delicado. Mas os olhos… ah, os olhos. Olhos que sempre observaram, avaliaram, julgaram. O mesmo olhar avaliador que Olivia aprendera a temer desde menina.

— Precisamos conversar, Olívia. — disse ela, num tom doce, quase ensaiado, como se estivesse oferecendo um chá, não abrindo uma ferida de anos. A voz suave demais mais parecia uma faca embrulhada em seda.

Olívia sentiu a raiva subir pelo corpo como fogo, enquanto o estômago revirava. Cada músculo do corpo pediu para recuar, mas as pernas estavam presas.

— Não. — respondeu, seca. — Não temos nada pra conversar.

Tentou avançar, mas Teresa deu um passo para o lado, bloqueando o corredor com uma sutileza ensaiada. Não precisou levantar a voz. Apenas ergueu o queixo e manteve o mesmo tom calmo.

— Claro que temos.

Olívia riu, um som amargo que soou mais como deboche, faíscas voando dos seus olhos.

— Você acha mesmo que depois de tudo... depois de me expulsar grávida de casa, você acha mesmo que a gente tem o que conversar?

A máscara doce da mãe tremeu por um instante, mas não caiu.

— Você não entende, filha… nós queríamos o melhor pra você.

O riso morreu nos lábios de Olívia. A voz dela saiu cortante, embargada de lágrimas que lutava para segurar.

— O melhor? — repetiu, incrédula. — O melhor foi me jogar na rua, me deixar sozinha, sem teto, sem nada ou ninguém, carregando um filho? O melhor foi dizer que eu era uma vergonha? Que tinha destruído a família?

Os olhos de Teresa vacilaram, mas a postura não cedeu. Sua voz se manteve firme:

— Você era jovem, imprudente. Se tivesse nos ouvido... não teria caído nas mãos de Benjamin e teria sabido como manter seu casamento.

O nome foi cuspido como veneno.

Olívia sentiu as pernas fraquejarem, a raiva e dor queimando juntas. Ela respirou fundo, controlando o rosnado do fundo da sua garganta.

— Eu não caí nas mãos dele. Eu fui destruída por ele. E quando mais precisei, vocês viraram as costas.

O silêncio entre as duas foi sufocante. Caindo como uma muralha que só fazia separá-las ainda mais.

Olívia quase podia ouvir o eco de noites antigas: portas batendo, gritos abafados, a voz dura do pai, e a mãe; sempre em silêncio, sempre cúmplice pela ausência.

— Recomeçar? — ela repetiu, sarcástica, embora os olhos dela se enchessem de lágrimas quentes. — Você acha que basta aparecer aqui, sorrir, como se nada tivesse acontecido? Como se anos não tivessem me dilacerado sozinha?

O silêncio caiu outra vez, mas dessa vez Teresa não sustentou os olhos da filha. Eles baixaram, as lágrimas finalmente escapando, deslizando discretas. Aquilo ela raro. Olivia mal lembrava de ver a mãe chorar. Mas mesmo assim, havia algo de contido, como se nem lágrimas fossem permitidas.

— Você não sabe de tudo, Olívia. — murmurou, a voz falhando pela primeira vez. — Um dia, vai entender por que tivemos que fazer o que fizemos.

A frase ficou no ar, carregada de mistério, de dor e de um peso que parecia maior do que ambas.

Olívia, com a respiração trêmula, aproximou-se ainda mais. Os olhos marejados dela não vacilaram quando encararam os da mãe.

— Não. — disse, firme, a voz embargada, mas cortante. — Eu não quero entender. Eu só queria ter tido uma mãe.

Virou-se, antes que o choro a vencesse, e caminhou pelo corredor antes que desmoronasse ali mesmo.

Teresa ficou para trás, imóvel, com as lágrimas silenciosas caindo e o corpo rígido. Por fora, ainda era a mulher impecável. Por dentro, no entanto, estava em ruínas.

Mas enquanto enxugava discretamente os olhos, o olhar dela endureceu.

E Olívia, mesmo sem olhar para trás, sabia: havia segredos escondidos, feridas enterradas… e talvez a mãe tivesse mais a ver com o jogo de Nicolau do que imaginava.

Quando finalmente saiu do corredor, Olívia entrou no quarto que dividia com Ian como quem foge de um incêndio. O coração ainda ardia, a respiração vinha em soluços, e as palavras da mãe martelavam na mente como facas afiadas. Ela queria sumir, desaparecer dentro do próprio peito, mas quando a porta se fechou atrás dela, não encontrou o vazio que esperava.

Ian estava ali. De pé, próximo à janela, o rosto sério à meia-luz, como se já a tivesse esperando.

Ela parou por um segundo, incapaz de fingir firmeza, incapaz de vestir a máscara que sempre usava diante dele. E, antes que a razão pudesse intervir, o corpo dela decidiu.

Sem pensar, sem calcular, Olívia atravessou o quarto e se jogou nos braços dele.

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