Segui o corredor meio perdida. Eu mal havia passado por ali, não houvera tempo de memorizar o caminho. Ouvi vozes e risadas vindos de uma sala, segui andando e parei em frente à porta. Benjamim e Will estavam no que parecia ser uma sala de jogos, jogando sinuca de forma descontraída.
— Ah, boa noite, Nicole. Deseja se juntar a nós? — Benjamin comentou entusiasmado.
— Na verdade, não agora, estou tentando me encontrar. Onde está Maria?
— Acho que já foi deitar, ela dorme cedo. — Will disse, largando o taco e se aproximando. — Você precisa de algo? Está com fome? Ela quis servir o seu jantar, chegou a bater na sua porta, mas você não acordou. O próprio Sr. Colleri deu ordens para que não fosse incomodada.
— É muito gentileza. Será que ele estaria disponível para me receber agora?
— Ah, sinto muito. Ele não jantou conosco, apenas passou para um banho rápido, se arrumou e saiu para uma reunião de última hora.
— Ah, claro.
Não sei por que me senti meio decepcionada. Acho que no fundo, só queria agradecer à pessoa que estava salvando a minha vida.
— Ok, será que eu poderia pegar algo para comer?
— Claro. Eu ia descer agora mesmo. Já estou cansado de perder.
— Ah, Will! Você não parecia cansado na décima vez! — Benjamin zombou.
— Me aguarde, Ben! Terá revanche! Mas não antes que eu leve Nicole para se alimentar. — Ele sorriu, enquanto me conduzia à cozinha.
Nem preciso dizer que o lugar era tão fascinante quanto o resto da casa. Cada detalhe era perfeito, com acabamentos majestosos.
— Bom, o que temos para agora é sanduíche de peito de peru e suco de laranja. — Ele apoiou tudo no balcão. Sorri em resposta.
— Então! Qual a sua história?
Ele estava falando comigo?
— Nada que seja interessante — disse, sem querer estender o assunto.
— Ok — veio a resposta, enquanto ele me entregava o sanduíche.
— Desculpe, não quis ser grossa. Apenas não há nada para contar.
— É que ninguém consegue entrar nessa fortaleza, sem ser de total confiança do Sr. Colleri, e até ontem à noite nós nunca tínhamos ouvido falar de você. Realmente estamos precisando de uma nova governanta, a Maria não está mais na idade para cuidar disso tudo, mesmo com ajuda. O Sr. Colleri a tem como uma mãe, e que diabos de filho gostaria da mãe trabalhando assim? — Bebeu seu suco de uma vez.
Soltei um pequeno sorriso.
— Tem razão, mas realmente não há nada a saber. Eu morava no Tennessee, estava me formando, tive alguns problemas familiares e precisei me mudar temporariamente. Graças a Deus, um tio conhecia o Sr. Colleri e soube que ele precisava de alguém de confiança para o trabalho. Então me ofereci. Agora cá estou eu. — Usei a cara mais lavada que tinha para que ele comprasse a mentira. Eu não tinha planos de ficar muito tempo ali, portanto, não sairia contando para todos sobre a minha vida.
— Ok! Não estranhe, é apenas força do hábito.
— Tá tudo bem. — Sorri.
— Olha, se quiser pode subir. Amanhã Maria deve começar a te orientar melhor. E você terá muita coisa para aprender, já que o Sr. Colleri oferecerá um jantar daqui a uma semana.
— Oh, claro. — Olhei para ele, que gentilmente recolhia as loucas e as punha na pia limpa.
— Ah, não se preocupe com isso, eu mesmo lavo. Como boas-vindas.
—Agradeço. Boa noite, Will.
— Boa noite e bem-vinda, Nicole.
Acordei, vesti uma calça jeans confortável, uma regata preta e desci.
Fui direto para a cozinha e não encontrei ninguém. Segui as vozes e cheguei a uma grande mesa de jantar, que estava fartamente abastecida com todo o tipo de comida. Encontrei Maria, Will e Ben sentados à mesa.
— Err... uh... bom dia — acenei vergonhosamente.
— Bom dia, querida, por que não se junta a nós? — Maria perguntou de forma gentil.
— Ah, sim. — Olhei para a cadeira na outra ponta, onde provavelmente o Sr. Colleri deveria estar sentado, mas não estava.
— Aqui trabalham outros funcionários, mas morar, só nós — Will completou.
— Passamos a maior parte do tempo na casa dos funcionários. A Maria mora aqui na casa principal, com você e o Sr. Colleri.
— O Sr. Colleri parece ter tanto dinheiro, não quero parecer mal-educada, mas nunca ouvi falar dele ou o vi na televisão. Sabe, pessoas com tanto dinheiro costumam participar de reality shows, programas de namoro, algum programa tipo Largados e Pelados...
Eles riram, então Will respondeu à pergunta.
— Não o Sr. Colleri, ele corre dos holofotes. É quase se fosse alérgico ou algo assim. O homem tem a vida tão privada que mal tem funcionários. Acho que ele se sente melhor agindo por si mesmo.
— Sim, eu entendo, mas e parentes? Filhos, esposa, netos?
Will soltou uma risada baixa.
— Não, ele não tem ninguém, e suponho que também não tenha idade para
tudo isso.
— Não vejo a hora do meu menino encontrar uma boa moça. — Maria suspirou
Meu menino? Quantos anos teria o Sr. Colleri? Pensei em perguntar, mas sabia que estava soando como uma adolescente curiosa, então deixei para lá.
Acabamos mudando de assunto. Aos poucos, cada um foi se retirando e assumindo os seus postos.
— Nicole, querida. Será que você me ajudaria a tirar a mesa?
— Ah, claro. Imediatamente. — Levantei e segui Maria. Ela me explicou sobre o serviço, realmente não era nada pesado. Em seguida, me mostrou a casa e sua propriedade. Passamos uma hora conhecendo tudo, eu estava encantada.
Nicole, você pode tirar as roupas da secadora?
— Pode deixar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...