Passei o dia seguinte recebendo as louças que foram encomendadas para o jantar, organizando o grande Salão Sul e palpitando sobre a decoração. Não vi o Sr. Colleri durante o restante do dia. Will e Benjamin estavam tão ocupados como eu, e Maria estava fora, havia ido visitar a irmã na cidade e só voltaria na noite seguinte. Tive tanta coisa para fazer que mal consegui sentar. Mas finalmente a noite havia chegado e eu estava deitada na confortável cama. Meu celular vibrou na cama e eu atendi no primeiro toque
— Nicole! — Alice gritou do outro lado da linha
— Estamos com muita saudade! Está tudo bem aí?
— Sim claro. — Sorri. — Todos aqui me tratam muito bem.
— Você não nos ligou no almoço — Vivian gritou por cima da minha voz.
— Desculpe, estive muito ocupada. Colleri vai dar uma festa depois de amanhã e eu estou ajudando a organizar.
— Hum... Colleri? Nada de Sr. Colleri? — Vivian disse pausadamente, com desconfiança.
— Ai, Vivian, que nojo! Ele deve ter o dobro da idade dela.
Quase pude imaginar Alice fazendo cara de nojo.
— É apenas uns anos mais velho que eu. E não eu não penso nele desta forma.
Há um pequeno silêncio da Vivian e Alice do outro lado da linha e depois uma histeria, com risadas.
— Ele é um daddy gostoso — Alice soltou uma risada histérica e eu tive que
tirar o telefone do ouvido.
— Meu Deus Alice ele nem é tão mais velho — Há um tremor em minha voz, não
importa o quão forte eu tente soar. — Não me diga que você está pesquisando sobre ele?
Ergo meu queixo, sentindo minha determinação começar a desmoronar.
— Não fui eu, foi a Vivian! — ela gritou.
— Sim, — Vivian puxa o celular de Alice. — Eu tô no Google agorinha. — Ela suspira exageradamente como se estivesse apaixonada. — Ele é isso tudo mesmo? Porque se for, amiga, eu deveria ter vindo em seu lugar! — Ela ri exagerada como sempre.
Eu pensei em mentir. Mas que mal havia em assumir algo que era verdade?
— Sim, é — disse secamente, sem querer prolongar o assunto.
— Ah! Não me diga que anda observando seu chefe? — Outra gargalhada.
— Não! — Gritei de volta e, finalmente, ri. — Não há possibilidade disso.
— Oh, sei. No mínimo, ele deve ser gay. Além do mais, não há menções de relacionamentos anteriores, família ou algo pessoal além de que sua empresa foi formada há quase dez anos . E isso é estranho, ele é um CEO famoso. Ele nem da entrevistas e tem menos de sete fotos online. — Diz Alice.
— Não faça isso. — Vivian Diz. — Colle é um homem decente. Meu pai jamais arriscaria a sua vida salvando um homem indecente.
— Não foi oque eu disse. — Respondeu Alice.
— Ele é um homem de vida privada. Quase foi morto há uns anos. Eu também desapareceria do mapa se fosse ele.
— Oh, — Respondeu Alice. — Eu não sabia disso. — Pobrezinho.
Droga.
— Sabe. Eu sei que o Luck foi um grande filho da puta. — Ela suspira triste. — Mas em algum momento você deverá voltar a olhar para você. Sabe? Sem aquele remorso por si mesma.
Eu mordo meu lábio para controlar minhas lágrimas.
— Eu amo você, nós amamos você. — Talvez não seja agora, e nem com o Senhor Colleri.
Meu coração batia forte contra minhas costelas.
— Mas em algum momento, você precisará voltar, não — Ela se corrige — começar a viver.
Eu sorrio amargamente.
— Como farei isso com um bebê? — Exploro o pensamento que estava de alguma maneira me incomodando há tempos.
— Nós mulheres fazemos isso desde os primórdios. Você também vai conseguir. — fala suavemente. — Só não deixe de viver. Você merece ter toda e qualquer experiência, que sabe...não teve. — Posso sentir Alice corando do outro lado da linha. — Eu te amo!
Despedimo-nos, desliguei o celular e me deitei para dormir. Custei a pegar no sono. Por mais que eu não quisesse assumir, meus pensamentos insistiam em retornar para o Sr. Colle.
Na manhã seguinte, estavam todos de folga, menos eu. A casa estava vazia. Tomei meu tempo organizando tudo e conhecendo mais a propriedade.
Estava no terceiro andar, próximo ao quarto do Sr. Colle, quando abri uma grande porta de correr e encontrei a biblioteca. Era enorme, tinha livros que iam do chão ao teto, uma lareira, poltronas, vidros que substituíam as janelas e tomavam toda a parede, moldando a magnífica visão do riacho e das montanhas; parecia um quadro. E era o local perfeito para ler. Olhei cada prateleira.
— Jane Austen. — Sorri para mim mesma quando peguei o livro na mão.
Não. Definitivamente, não era a cara de Colleri. Será que ele escolheu todos os livros? Será que ele gostava de literatura inglesa? Livros clássicos? Cinquenta tons de cinza? Balancei minha cabeça de um lado para o outro, enquanto sorria e sentia o rubor no meu rosto. Eu tinha que parar com aqueles pensamentos estúpidos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...