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O bebê do bilionário romance Capítulo 20

Sentei na grande poltrona próxima ao vidro, que mais parecia uma pintura à mão. Comecei a ler. Eu sempre tinha amado a leitura, era como terapia. Passei horas lendo, pulando de um livro ao outro. Bocejei algumas vezes antes de assumir meus olhos pesados e cair no sono. Vi-me novamente vagando por dolorosas lembranças.

— Nicole mijou na cama! Nicole mijou na cama... Ela mijou na cama! — Um coro de crianças ria de mim, enquanto eu chorava, encolhida em um canto.

— Deixem-na em paz! — Uma instrutora do andar as aconselhou, enquanto espantav a as crianças de perto de mim. — Se isso continuar acontecendo com frequência, terei que falar com a sua mãe — ela disse com voz firme

— Ligue para ela, ligue para Madeleine. Diga que eu quero ir para casa.

— Querida, todos querem ir para casa. Mas vocês foram deixados aqui por um motivo. — Ela sorriu de forma perversa.

— Por favor! — Chorei baixinho. — Elas tomaram o meu Teddy. O meu pai me deu. Eu preciso dele de volta. Eu não consigo dormir sem ele.

Ela continuou a rir, como se eu tivesse contado uma piada.

— Você está muito grandinha para usar um urso para dormir e mijar na cama. — Ela o pegou meu urso jogado a alguma distância e, ao invés de me entregar, continuou a segurá-lo.

Levantei a cabeça e a olhei. Estendi minha mão para pegá-lo.

— Não, não, não querida. — Deu passos para trás. — Eu sinto muito, mas você está muito grandinha, isso está te fazendo mal, você não vê? Há três noites tem urinado na cama.

Neguei com a cabeça. — Por favor, senhora Clementaine. O meu pai me deu.

— Eu não posso fazer isso. E você precisa de um banho! Está fedendo a urina. — Ela me pegou pelo braço e me levou até o grande banheiro de cerâmica branca. Durante o caminho, eu chorei alto, esperneei, tentei me soltar das suas mãos, gritei por alguém. Pela minha mãe. Por meu pai. Qualquer um que pudesse me tirar de lá. Ela tirou minha roupa, ligou o chuveiro e me jogou na água fria, dando-me as costas.

— E não demore no banho! — ela disse de forma brusca antes de sair.

A água fria batia na minha costas enquanto eu tremia encolhida. Chorei por momentos que pareciam intermináveis. Eu não quero ficar sozinha. Por que me deixaram sozinha?

Vi a porta do banheiro se abrir e a luz do corredor entrar. Pequenos pés se aproximaram. Olhei para cima.

— Nós vimos o que fizeram com você — uma menina ruiva, aparentemente um pouco mais nova que eu, disse. — Foi cruel. Eu sinto muito. — Ela me deu o sorriso mais gentil que eu havia recebido em dias.

— Ela é mesmo uma bruxa! — uma menina loira de cabelos curtos, que eu

não tinha visto antes, disse com voz irritante.

— Shiiii!! Vivian! — A ruiva chamou sua atenção.

— Não é nada que você não tenha dito antes. — A loira fez um biquinho e se agarrou a uma pequena manta que carregava.

— Venha com a gente — a pequena ruiva disse.

Neguei com a cabeça.

— Você não precisa ficar aí sozinha. — Estendeu a mão para mim.

— Eu quero ficar sozinha, obrigado. — Abaixei minha cabeça novamente.

— Vamos, Alice — a loira disse, virando-se. — Se Clementaine, a bruxa, nos vir aqui, estaremos em apuros.

Vi seus pequenos pés saírem pela porta e voltei a chorar em silêncio.

Momentos depois, o chuveiro foi desligado. Olhei para cima e lá estavam elas novamente.

— Não vamos conseguir dormir com você aqui — Alice disse.

— Hei, tome. — Vivian me estendeu um pequeno urso. — Esse é o Sr. Eagles.

Olhei para elas sem entender.

— Por favor, aceite — a loira disse de forma suave.

— Vamos. Não te fará bem ficar tanto tempo em baixo da agua. — a ruiva me deu um roupão de banho.

Peguei o urso de sua mão e levantei. Vesti o roupão e caminhei para fora com elas.

— Vai ficar tudo bem — a loira disse. — Vamos ficar juntas. Nada de mal vai acontecer.

A ruiva deu um sorriso aconchegante.

Não.

Não vai ficar tudo bem.

Eu tô com medo

Eu me sinto sozinha Eu não quero estar sozinha.

Meu coração dói.

Eu não quero estar sozinha.

— Não me deixe — Repeti, agoniada.

— Não querida, jamais a deixarei.

Senti-me protegida. Pela primeira vez, aquele pesadelo que se repetia em anos se tornou suportável. E pela primeira vez eu não queria acordar. Era bom, eu me sentia amada.

Mexi-me confortavelmente na cama. Abri meus olhos. Aquele cheiro. cheirava a puro... Colleri. Olhei para os lados e, quando comecei a recuperar os sentidos, tentei levantar bruscamente e caí da cama, de bumbum no chão. Os lençóis se embolaram no meu pé, e me sacudi até que eles soltassem. Graças a Deus eu ainda estava vestida do mesmo jeito. No quarto de Colleri.

Santa merda! NO QUARTO DO COLLE! O que eu estava fazendo ali? Eu estava na biblioteca. Aquele pesadelo... o cheiro... a voz.... Certa vez as meninas haviam me alertado que eu falava dormindo.

Senti um enorme rubor subir para o meu rosto. Levantei lentamente e pus o lençol no lugar. Olhei em volta. Nada de Colleri. Saí de fininho do seu quarto. Não vi ninguém. De verdade, eu nem queria. A sensação que eu tinha era que, se encontrasse alguém, poderiam ver dentro da minha alma minhas piores intenções e eu sinceramente não conseguiria negar.

Praticamente corri quando cheguei no corredor do meu quarto. Finalmente pude me perder nos meus pensamentos.

Quando acordei, tomei meu banho e demorei o suficiente para que todos já tivessem saído da mesa de café. Vesti um vestido florido e desci. Passei por todos os corredores apreensiva. Ah, hoje é a folga de todos, lembrei e finalmente respirei aliviada. Quando cheguei à mesa de jantar, fiquei surpresa ao ver o Sr. Colleri ainda sentado. Ele estava lendo um jornal que cobria o seu rosto. A mesa estava desfeita, mas havia um prato devidamente arrumado com um pedaço de bolo, um pão, e torradas, suco, café e algumas frutas. Oh, droga. Não vai me dizer que ele espera que eu coma ao seu lado.

Pigarreei de leve. Ele não reagiu e continuou a ler o jornal. Será que estava chateado? Mesmo se não estivesse, com que coragem eu iria falar com ele?

Aproximei-me da cadeira, peguei meu prato e tentei caminhar para outro assento mais distante. Fui impedida. Ele segurou meu pulso com a mão. Foi como se um choque elétrico passasse por nós, tenho certeza que ele sentiu também. Ele semicerrou os olhos em minha direção, fazendo-me estremecer. Mordi meus lábios instintivamente em resposta.

— Eu gostaria que se sentasse ao meu lado, Nicole.

Ele abaixou o jornal. O sol poente brilha pela janela acima da porta, lançando-o em um brilho quente, deixando sua beleza absurda quase imaculada. Até doía ver.

Ele olha para mim, seus olhos escurecendo quando o silêncio se estende, a tensão brilhando entre nós. Então pego meu prato e sento ao seu lado.

— Eu não sabia o que você gosta de comer, então pedi de tudo um pouco. — Sorriu, trazendo consigo a leveza.

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