— Agradeço, Sr. Colle, mas não precisava me esperar para o café — disse com gentileza.
— Na verdade, precisava. Eu gostaria de saber como você estava depois que te deixei no meu quarto. Quando voltei lá, você não estava. — Ele bebeu seu café, abaixou a xícara. Ele me dá um olhar sério, e eu me viro para meu café da manhã, meu rosto corado.
Eu nem percebo quando ele se arrasta do seu lugar para chegar mais perto de mim. Conforme ele se aproxima, eu endireito meus ombros e tento esconder o arrepio que sobe pela minha espinha. Solto um pequeno gemido quando seu supera acaricia meu queixo, o toque em desacordo com sua postura meio hostil.
— Err... eu... bem, agradeça, agradeça seu cuidado comigo.
Linhas de estresse nos cantos dos seus olhos azuis e os vincos de desassossego que pintavam sua testa mostravam que ele estava muito preocupado comigo. — Não há o que agradecer. Eu cheguei cedo ontem da minha reunião, estava indo ao meu quarto quando estava dormindo desconfortavelmente na biblioteca. Estava tendo um pesadelo... eu acho... estava falando...
Porra.
Se abrir uma cratera ali e ela me engolisse, eu não me importaria.
— Eu tive uma infância complicada. — Não sei porque digo isso, mas apenas sai com naturalidade.
Ele tira os lábios do café que novamente bebe e eleva os olhos suaves para olhar para mim, suas sobrancelhas levantadas em curiosidade.
Mas eu não daria a ele mais do que isso. De alguma maneira ele compreende, porque muda de assunto.
— Bom. Acho que você sabe que amanhã é o meu Baile Anual. Não é nada grande. Eu sei que você já atendeu a lista das pessoas contratadas.
Acenei com a cabeça.
— Bom, você não está na equipe.
Ele deve ter lido algo na minha expressão, porque acrescenta.
— amanhã não a quero como minha empregada. Eu quero você como convidada.
Oque?
— Olha, Sr. Colleri, eu agradeço, mas realmente prefiro trabalhar amanhã.
— Eu vou insistir para que venha como convidada. — Ele solicita com gentileza, porém algo me diz que isso não é nada além de uma ordem. — Foram contratados funcionários extras para o evento. E eu gostaria que você tivesse uma dança comigo amanhã.
O quê ? Quase engasguei com o suco de laranja.
— O quê? — disse ao baixar o copo.
— Uma dança, Nicole — ele disse sorrindo.
— E... Eu não sei... — minha voz falhou.
— Não sabe dançar? Ou não sabe se dança comigo?
— Os dois. — Meus olhos passeandoam por seus lábios ainda úmidos de café. — Em seguida abaixei a minha cabeça para esconder o vermelho que rasteja por minhas suspeitas, porque com aqueles lábios da maneira naturalmente pecaminosa que ele me encarava me fazia desejar coisas que eu definitivamente não deveria.
— Eu lhe dei a oportunidade de não trabalhar. — Ele diz sugestivamente me lembrando da nossa última conversa em seu escritório.
— Sim, eu realmente prefiro trab...
— E se você trabalha para mim, isso significa que você faz o que eu mando. — Me corta. — E se eu desejo você amanhã no baile, você estará no baile. — Seu rosto ficou sombrio, sua expressão ilegível, que ele deu um pequeno sorriso e até se levou um pouco.
Sem saber o que fazer com o conhecimento de que eu teria um baile para ir amanhã, resolvo ir fazer meus serviços.
— Bom, se não se importa, vou subir. Tenho alguns afazeres na parte de cima.
- Sim claro. Também preciso resolver umas coisas no escritório. Se não se importa, gostaria de lhe acompanhar.
Subimos juntos. Eu me senti um pouco deslocada. Colleri não me parecia uma má pessoa e definitivamente não me assustava. Porém, era um enigma que claramente gostava de dar ordens e nitidamente não aceitava que seus desejos não fossem realizados. Eu me perguntava se isso era por tudo o que passou. O fato dele ter sido sequestrado e maltratado. Talvez isso lhe tivesse mostrado como não estar no controle, por isso ele desejava sempre poder comandar tudo a sua volta.
Durante o trajeto, eu não sabia se puxava o assunto, também não queria parecer mal educado. Ele passou um pouco à minha frente, dando-me a bela visão do seu traseiro. Ele estava vestido casualmente, calça jeans, blusa polo e descalço.
Ah, não. Não é difícil as coisas.
— Agradeço o elogio, Sr. Colleri — disse de uma vez, com a intenção de interromper o assunto. — Mais uma vez agradeço por tudo, por ontem. — Pigarreei. — Eu às vezes tenho pesadelos. Agora que sou adulto não é tão recorrente como antes, mas de certa forma, uh... senti algum alívio ontem, obrigada.
Eu sei que sim. Sorri novamente em reposta.
— Oh, Sr. Colleri. Não é como se eu só trabalhasse aqui — ela disse com uma singela piscadela. — Aqui é meu lar, encare isso como se eu apenas estivesse voltando para casa
Ele sorriu.
— Como você pode ser tão teimosa? Ok, Maria. Apenas deixe, aliás, deixem todos vocês, de me chamar de Colleri — ele disse em tom brincalhão.
— Por favor, esqueçam o “senhor”, isso faz com que me sinta velho. Me chamem de Colle ou pelo primeiro nome. — Sorriu enquanto entrava na sala, pedindo licença e fechando a porta.
— Esse menino é uma raridade — ela disse com uma piscadela para mim. — Difícil encontrar alguém com o coração como do Sr. Colleri. Digo — ela disse se corrigindo, — Ethan.
Minhas pernas fraquejaram e tive uma súbita vontade de sair correndo.
— Está tudo bem, Nicole? — Maria perguntou gentilmente.
Não.
Colleri é o Ethan? O mesmo Ethan que Ben e Will estavam falando? O lunático assassino? Ele me faria mal? Ele já matou alguém?
Oh, meu Deus. Eu já sei a resposta.
— Sim — respondi, minha voz baixando uma oitava.
— Então parece que vocês estão se dando bem — Maria comentou enquanto caminhávamos no jardim.
— Eu e Colleri... Ethan. Hum... sim. Ele tem me tratado muito bem... só tenho a agradecer... a todos vocês, na verdade.
Ela sorriu com ternura. — Nós não estamos fazendo nada.
— Oh, sim, estão — disse com suavidade. — Eu nunca me senti tão acolhida e bem tratada em um lugar. — Suspirei enquanto falava.
— Tenho certeza que não é nada que você não mereça.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...