— Você gosta dele, não é? — Maria me assustou com a sua voz. Eu havia me esquecido que ela ainda estava ali. Tentei controlar o meu sorriso enquanto lembrava das suas palavras no bilhete.
— Ele é apenas encantador. — Justifiquei. — E tão gentil. Cuidadoso. Eu me sinto bem em tê-lo por perto.
— Oh, não há nada de ruim em gostar dele, menina. Ele é realmente encantador — disse com uma piscadela. — Além do mais, ele te olha de uma forma que eu nunca vi olhar para alguém.
Oh, não, a conversa estava ficando estranha.
Ele estava flertando comigo. Isso é tudo. Por que diabos alguém como ele se interessaria por mim? Eu não me considerava uma mulher que chama atenção. Além de estar grávida. Tudo bem que essa parte ele não fazia ideia. Mas ainda sim, Ethan provavelmente tinha mulheres que se jogavam em cima dele o tempo todo. Mulheres. Elegantes, inteligentes, bonitas, que poderiam lhe dar tudo o que precisasse. Eu seria apenas um passatempo, somente uma diversão até que ele voltasse para Nova Iorque.
— Bom, então eu vou me vestir, Maria. — Sorri de forma educada e lhe acompanhei até a porta.
Uma vez sozinha, livrei-me do roupão de banho. Eu continuava com o mesmo corpo, sem nenhuma evidência de uma possível gravidez. Apenas meus seios estavam maiores e doloridos.
O vestido subiu com facilidade, ele havia comprado do tamanho exato. Meus seios ficaram em uma evidência maior, mas nada vulgar. Uau. A Vivian me acharia “gostosa”, finalmente. O vestido Vermelho era tomara-que-caia, com cauda sereia. Calcei sandálias que por sorte eu tinha trago na minha mala, e eram do mesmo tom. No meu cabelo, apenas coloquei uma presilha. Quando eu desci, meus ouvidos foram invadidos por uma linda música instrumental. Havia pessoas por todos os lados. Garçons serviam champanhe e todo o tipo de petisco. Meus olhos corriam pelo lugar à procura de Ethan. Pessoas andavam de um lado para o outro, riam, interagiram. Senti-me meio perdida. Avistei Maria do outro lado da sala, imersa em uma conversa. Will estava rodando em silêncio, provavelmente cuidando da segurança. Ele apenas me cumprimentou com um aceno de cabeça. Avistei também um homem muito bonito, do mesmo porte que Colle. Cabelos castanhos escuros, smoking. Ele me olhava de vez em quando, e tive que ficar desviando o olhar. Minutos depois, vi Colle adentrando a multidão em minha direção.
— Está linda! — Baixou o olhar e beijou minha mão formalmente. — Tão linda que dói olhar.
Meu corpo estremeceu com seu toque.
— Fico feliz que tenha usado o vestido. Ficou perfeito em você.
— Eu que agradeço. — Corei.
Em seguida, um garçom se aproximou, oferecendo-nos champanhe. Ele pegou duas taças. Merda. Sorri gentilmente e fingi beber.
“Nada de bebidas na gravidez”
— Espere aqui tem alguém que eu quero que conheça. — Ele saiu e, em seguida, voltou com Sr. Bonitão de cabelos castanhos.
— Nicole, esse é Thomas.
Estendi a mão para um aperto. Ele a beijou e demorou um pouco mais que Colle. Mas diferente dele, não causou nenhuma reação em mim.
Colle observou calmamente, ele apertou os músculos da mandíbula e eu vi seus braços flexionarem e as veias incharem.. Cheguei a supor, por segundos, que ele estava incomodado.
— Olá — eu disse sem graça.
— Ele é um grande amigo. — Apalpou suas costas. Thomas deu um sorriso.
Conversamos os três por alguns minutos. Por algumas vezes, fiquei meio perdida, mas Colle fez questão de me deixar bem à vontade, fazendo-me interagir no assunto.
— Viajei para vários Países, mas realmente, Ethan, o que você tem aqui é lindo — disse Thomas, referindo-se à propriedade.
— Sim — ele respondeu. — Eu também tenho um carinho grande por esse lugar. E você sabe que eu já viajei muito, mas hoje procuro manter uma vida calma, em um lugar onde, quem sabe, não possa criar uma família?
Thomas riu. — Ei, cara, você está certo. Depois de tudo o que passou, merece um pouco de calmaria.
— E você viaja muito, Nicole? — Thomas perguntou enquanto dava mais uma golada na sua bebida.
— Bom... eu viajei algumas vezes com meus pais, isso foi antes que meu pai adoecesse. Também fui algumas vezes na propriedade dos pais da minha amiga Alice. No entanto, não conheço muitos lugares — disse envergonhada.
Ethan deu um sorriso largo. Em seguida, acrescentou. — Querida, quem sabe não voe para nova Iorque comigo?
Querida? Meu rosto se aqueceu.
— Ethan! — a voz irritante de Caroline chamou. Ela o abraçou por trás de forma que, quando ele se virou para olhá-la, eles quase se beijaram.
Vaca.
Ele soltou as mãos gentilmente do seu pescoço e se virou para falar com ela.
— Caroline — ele disse entredentes. — Eu já pedi para que não lhe servissem mais champanhe.
— Eu não estou bebendo champanhe, isso é uísque — ela disse, metendo-se entre nós. — Ah! Vamos, não seja um chato! Eu quero dançar! Dança comigo! — E armou novamente aquele falso bico.
Ethan trancou a mandíbula. Estava claramente irritado.
— Eu? — Ah, claro, com quem mais ele estaria falando? — Na verdade, não acho que bebidas e grandes eventos combinem. — Não mesmo.
Acabei sorrindo.
— A verdade é que eu até entendo. Eles são primos, e ele estava em Nova Iorque, perto dela, agora está aqui, ele deve sentir sua falta.
— Não é como se eles fossem primos de verdade. Eles até namoraram uma vez. A tia por parte de mãe do Ethan se casou com o pai dela, e nessa história toda, eles já tinham catorze anos.
Oh, meu Deus. Que burra.
Senti meu rosto ficar branco.
— Err... uh...Thomas, se não se importa, eu preciso sentar, meu pé está
dolorido.
Saí sem nem querer saber se estava sendo mal educada. Eu precisava respirar, estava me sentindo sufocada. Corri em direção à cozinha, que momentaneamente estava vazia. Apoiei meus braços trêmulos no balcão e aspirei uma lufada de ar para poder me acalmar. Droga, não era para eu estar chateada assim, mas estava com ciúmes, não conseguia evitar. Nós não tínhamos nada, mas saber que eles eram ex-namorados tinha sido demais para mim.
Estou com tanto ciúme que não consigo respirar. É ridículo até para mim.
Ouvi passos na direção da cozinha e, como queria um pouco de privacidade, fechei-me na despensa, deixando apenas uma fresta aberta. Sentei em um pequeno pufe, tirei meus sapatos e comecei a massagear meu pé. Uma mulher vestida como o restante dos garçons entrou. Ela começou a falar sozinha, diversas palavras que eu não entendia, parecia russo, não sei.
Ela pegou a garrafa de champanhe e serviu um pouco em cada taça. Momentos depois, pegou um pequeno frasco e entornou um líquido em todos eles.
Droga. Eu não sabia o que era aquilo, mas não parecia certo.
Ethan era dono de uma empresa de segurança e, pelo que ouvi Will e Benjamin dizerem, ele já fez coisas que eu não julgaria certas. Mesmo ainda não entendendo os seus motivos, aquilo queria dizer que, provavelmente, ele poderia ter muitos inimigos. E se aquilo fosse veneno? E se fosse alguma coisa para matá-lo, fazê-lo mal?
Tremia enquanto me esforçava ao máximo para não fazer barulho. Finalmente, ela saiu da minha visão. Quando tive certeza que ela não estava mais lá, saí com cuidado da despensa e andei rapidamente para o salão. Quando cheguei lá, ela estava indo em direção ao Ethan, mas antes foi parada por Thomas, que pegou uma taça e, em seguida, colocou a vazia na bandeja. Ethan também pegou uma.
Corri como uma louca em sua direção. Eu ainda estava descalça. Imediatamente empurrei a taça das mãos de Thomas, que havia tomado um gole, e tentei puxar com força a da mão de Ethan.
Os olhos de todos se voltaram para mim, inclusive da mulher que servia o champanhe. Ouvi as pessoas comentando, algumas rindo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...