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O bebê do bilionário romance Capítulo 24

— Nicole, tá tudo bem? — Ethan perguntou de forma ansiosa, enquanto olhava para mim.

— Ee-eu... Eu.

Tentei falar, mas o cansaço da corrida e o nervosismo da situação estavam me deixando sem voz.

— Eu... acho que tem alguma coisa errada com esse champanhe — disse enfim.

Percebi olhares em mim, mas não me senti nem um pouco envergonhada. Olhei para trás e lá estava a mulher que serviu, parou, sem entender nada. Ethan apoiou a mão em minha cotovelo, como para chamar minha atenção. Olhei em seus olhos, que estavam sérios como eu nunca tinha visto antes.

— Você tem certeza?

— SS-Sim. — Minha voz tremeu um pouco ao responder.

Thomas olhou para mim e respondeu. — Acho que pode ter se enganado, pois estou bem.

— Você deveria demiti-la! — Ouvi a voz bêbada e venenosa de Caroline atrás de mim. — Ela te envergonhou.

Baixei a minha visão. Eu poderia muito bem ter me enganado, senti meus olhos se encherem de lágrimas.

Então, Thomas começou a engasgar e caiu no chão.

Foi como se o tempo passasse em câmera lenta. A mulher, que antes carregava o champanhe, jogou tudo no chão e correu. A multidão da festa começou a se dispersar rapidamente, ouvindo alguém gritando para que chamassem um médico. Olhei para frente e vi Will, que havia pego a mulher. Ela gritava palavras em russo. Fechei meus olhos. Havia barulho, correria, medo, pessoas chorando. Quando os abri, vi Ethan na frente da mulher ajoelhada. Ela cuspiu nele, e ele a respondeu de forma várias, também em russo. Em seguida, ela foi erguida por Will, com Colle ao lado. Logo, eles desapareceram pela porta.

— Nicole! Nicole!

Olhei para trás e vi Maria me chamar.

— Está tudo bem, querida, está tudo bem — ela disse com calma. Peguei minha mão e, em nenhum momento, tentei impedi-la. Ela começou a me guiar .

Passamos pelo corredor até chegar à porta do meu quarto. — Venha, está tudo bem. — Caminhei com ela até perto da cama. Sentei. Ela abriu o zíper do meu vestido.

— Está tudo bem, Maria.

Ela me olhou com olhar maternal.

— É normal que fique assim. É a primeira vez que passa por uma situação dessas?

Acenei que sim.

— Se for viver com Colle, precisa saber que isso não acontece sempre. De qualquer forma, uma hora ou outra irá se acostumar.

Viver com Colle...Viver com Colle...?

Eu soube, depois que descobri sobre o seu sequestro e sobre a vingança, que ele era um homem perigoso. Seu trabalho o controlado, e ele criou muitos inimigos a partir disso. Eu sabia que ele andava armado, era visível o frio e a arma por baixo das suas roupas justas. Até encontrar uma arma na sua roupa enquanto estava limpando. Mas minha vida estar em risco, ver outras pessoas em risco ou ver mortas... Deus! Lembro de passar mal e ter pesadelos por um mês depois de ter atropelado uma família de furões na Autoescola. Eu não poderia viver assim. Eu não aguentaria. Tudo estava muito bom mesmo para ser verdade, e eu podia enxergar a verdadeira face da proposta fantasiosa de viver naquele pedaço de paraíso.

— Se quiser, eu posso lhe trazer um chocolate quente. — Maria interrompeu meus pensamentos. Ela estava claramente preocupada.

Neguei com a cabeça.

— Qualquer coisa, você sabe onde me achar — disse com um sorriso, quando se virou e saiu.

Caminhei devagar até o banheiro, terminei de me despir, encostei-me na parede do box e deixei minhas costas escorregarem até me sentar, flexionado dobrados, encolhidos sobre meu corpo, enquanto me abraçava no chuveiro, nua. Lembrei-me mais uma vez de quando era pequena, com medo, sozinha. Porém, desta vez eu não chorava. Deixei a água em temperatura escaldante. Eu queria que limpasse de vez toda a sujeira em que eu havia me enfiado. Mas que porra! Como eu pude perder o controle da minha vida assim?

**

Demorei a dormir. Quando consegui pegar no sono, foi turbulento. Soltei um grito. Quando abri meus olhos e me sentei na cama, finalmente liberta daquele pesadelo, minha cabeça latejava e meus olhos estavam pesados.

Houve uma batida suave na porta. Olhei para o meu celular. Três da manhã.

— Nicole — a voz de Colleri chamou.

— Colle? — respondi.

— Sim. Estava tendo um pesadelo, será que posso entrar?

Levantei da cama e abri a porta.

Ele estava vestido da mesma forma de algumas horas atrás, porém, agora a roupa estava um pouco mais desleixada, amarrotada, gravata frouxa. Ele passou por mim, seu cheiro invadindo o meu quarto.

— Eu queria te agradecer. O que você fez hoje...

— Tá tudo bem. — Dei um meio sorriso.

Abri a porta e lá estava ela, segurando uma bandeja enorme de café da manhã.

— Oh, Maria, não precisava. Quanta gentileza. — Sorri.

— Não é nada, menina, queríamos todos saber se você estava bem, ficamos preocupados. Você estava em choque ontem à noite. Está se sentindo melhor hoje?

— Estou sim, Maria. Muito melhor.

Peguei a bandeja de sua mão. Com um sorriso, nos despedimos.

Tomei café tranquilamente. Mais tarde, quando desci para o corredor do escritório de Colle, acabei ouvindo parte de uma discussão.

— Ninguém sequer notou a minha falta! — Caroline gritava histérica. — Você teve a coragem de dormir no quarto ao lado do dela e nem passou no meu para saber como eu estava. Eu também fiquei com medo! Ainda por cima ela recebeu café na cama! E eu? Ela está no melhor quarto! E eu? Como você pode me tratar assim?

— Não esqueça com quem você está falando, Caroline — Ethan disse em tom baixo e ameaçador.

— Sei bem com que estou falando, Ethan! Depois de tudo oque passamos juntos! Nunca pensei que me deixaria sozinha. E você está mudado, eu vejo, eu fui sua família quando estava tudo errado. E sua namorada quando só haviam nós dois.

De alguma maneira, apesar do ciúme que me deixava transformada, parecia muito errado ouvir algo íntimo sobre os dois.

— Por favor, Caroline. — Ele da um suspiro cansado e seu tom é meio triste. — Você precisa superar aquilo, tínhamos quatorze anos, a gente não tinha que ter passado por nada daquilo, — Outro Suspiro triste. — principalmente você. Mas, foi só um modo de fugir daquela merda que era a sua realidade. Eu nunca menti para você, aquilo não signif... — Ele não terminou a frase.

— Não me diga que não significou nada! — ela disse com voz chorosa.

— Eu sinto muito, Caroline, se significou mais para você do que para mim. Eu juro, eu entendo, depois de — Sua voz abaixa e não posso identificar oque ele tá falando. Mas depois ele aumenta o tom, e continua. — Se você não superar isso, isso vai lhe derrubar, e uma hora não poderei ir até você. Além, do mais, eu te amo como uma prima, você nunca passará disso para mim.

— Por favor, não diga isso — ela revidou. — Eu te amo.

— Eu também te amo, Caroline, mas como prima, e nosso relacionamento nunca irá além desse ponto.

— Eu não sei o que você viu nela! Ela é ridícula! Uma empregada! Você poderia me ter! Eu te faria feliz. — Soltou um soluço triste.

— Não fale dela assim, já lhe disse — sua voz se alterou.

— Você a ama, é isso? Como pode amá-la?

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