Eu não tinha certeza de como falar com Ethan novamente, aquela cena havia sido vergonhosa. Aparentemente só percebi isso depois de me masturbar duas vezes no chuveiro enquanto pensava nele.
Tomando um chá, a noite eu entendi que era inconveniente esse meu comportamento com Colleri. Eu não era uma adolescente cheia de hormônios e as coisas eram muito mais diferentes e difíceis do que anos atrás.
Era meio estúpido pensar assim, mas eu sempre desejei Colle, muito bem antes de ele me chupar no seu escritório. Foi no exato momento em que eu o vi no seu escritório. Eu me sentia tão tola por sofrer de uma paixão platônica por alguém assim, mas não podia evitar. Ele causava reações em mim que eu não tinha mínimo controle.
Na manhã seguinte, acordei e logo me vesti com uma bermuda jeans, camiseta, e botas de baixas. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e fui até a casa principal levar o blazer de Ethan. Quando cheguei na casa, dei de cara com Will.
— Hei, cowboy, bom dia! — Will disse, entusiasmado. Seus olhos encarando meu corpo descaradamente.
— Bom dia, Will — respondi, corando um pouco.
— Veio tomar café conosco?
— Oh não, apenas vim, bem...
Os olhos dele seguiram para os meus braços, onde eu tinha o blazer de Colle dobrado. Ele fechou a mandíbula, claramente irritado.
— Vejo que já encontrou com Colle. Ele está se preparando para tomar café com Caroline.
— A Caroline, também está aqui? — repeti inconsciente.
— Sim, Nicole, ela está.
Imagino instantemente ela transando todos esses anos com ele. Afinal de contas, qual a necessidade de trazê-la novamente aqui? Ele provavelmente não queria nada comigo, mas se tivesse Caroline, era uma foda certa no período em que ele ficasse na casa. Cerrando minha mandíbula, afasto as visões e me concentro no momento atual.
— Então acho que vou deixar que você entregue isso a ele — disse, não querendo ser inconveniente e atrapalhar o seu café. — Ou talvez eu mesma entregue. — Baixei minhas mãos constrangida quando percebi Will me olhando bem chateado.
— Não tão cedo, mocinha. — Ouvi uma voz conhecida e me virei novamente para a porta. Benjamin, a quem eu não via pelo mesmo tempo que Colleri, estava lá com grandes braços abertos preparados para um abraço.
Fui em sua direção e lhe dei um grande abraço de urso.
— Olhe só para você! — ele disse, passeando com os olhos atrevido pelo meu corpo e me fazendo corar. — Está uma mulher linda!
— Ah, obrigada. Que gentileza. Não é para tanto. — Sorri sem graça.
— Sim, é para tanto — afirmou assoviando. Você não tem nada de uma menina agora.
— Deixe disso — Will disse sério. — Está constrangendo-a.
— Ei, cara, um elogio não faz mal a ninguém. E ela merece.
— Apenas não com ela, cara. Apenas não com ela.
As sobrancelhas de Benjamin se juntam ao seu pedido estranho.
Eu fiquei entre os dois, sem saber se abrandava a tensão, falava algo, não sei.
Um pigarro tirou nossa atenção e viramos todos para encontrar Colleri vestido casualmente.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou com firmeza. Não há nada amigável em suas palavras, mas também há objetividade.
— Nada — falei primeiro. — Os olhos de Colle se estreitaram para mim como se soubesse que havia algo incomum acontecendo.
— Nicole deseja se juntar a nós para o café da manhã.
— Não! — retruquei para Benjamin, ainda olhando Para Colle.
— Sim — Ben afirmou.
— Não — eu e Will falamos em uníssono, fazendo com que todos olhassem para nós.
— É apenas um café, Nicole — Ben brincou.
— Ok — disse por fim. Eu belisco a ponte do meu nariz Aproximei-me de Colle e falei baixo. — Apenas vim te entregar isso. — Entreguei-lhe seu blazer. Ele me olhou por um momento. Em seguida, afirmou. — Primeiro o café da manhã.
Ele seguiu caminhando comigo, apoiando as suas mãos nas costas acima do meu bumbum, fazendo com que a minha necessidade se amplificasse.
Ei realmente deveria ficar irritada com o seu comentário que claramente tinha o objetivo de me diminuir, mas escolhi manter a calma e virar a situação, falando de coisas boas.
— Oh, sim, tenho um menino, ele se chama Nicholas, e é a melhor coisa que já me aconteceu. Ele vai estar até amanhã com Maria, ele é tão esperto e sensível, mas também consegue ser genioso, e tão inteligente... — Suspirei. — Ele está na escola e tem aprendido as cores e números... — Quando levantei o olhar, todos olhavam para mim, inclusive Colle, que parecia encantado com a história.
Caroline resmunga algo inaudível.
— Ah, sei, porém isso tudo parece tão chato. Não sei se um dia vou querer ter filhos. Eu realmente tenho dificuldade com crianças. Eles babam e fazem cocô... Argh! — Gesticulou com nojo. — Sem contar que os peitos da mãe caem e você acaba engordando, fora a vagina, que deve ficar totalmente estragada. Sendo sincera, dificilmente um homem dormirá com alguém que já tem filhos, o corpo...urgh! — disse, sorrindo com deboche. — Veja, você claramente é o exemplo disso.
Enquanto ela fala, não sei porque a primeira coisa que olho é para Ethan, e sua cabeça gira para cima e um músculo em sua mandíbula cerrada estremece, mas ele não desvia o olhar de ódio para Caroline. Ele Cerra os punhos e se levanta.
— Merda!
Ouvi alguém dizer.
Em seguida, Colleri tomou à frente.
— Que porra, de falta de educação é essa? — disse, gritando. Ele apoiou as mãos na mesa com força.
— Eu não disse nada — Caroline resmungou. — Estou falando sobre experiências de amigas próximas.
— Você não tem a porra de uma amiga Caroline. Não minta, usando sua falta de caráter como desculpa.
Ela aperta a mão contra o peito, parecendo escandalizada e realmente magoada. Porque eu vejo malditamente lágrimas em seus olhos azuis.
Rangendo os dentes contra uma onda de raiva, tento apaziguar:
— Colle, tá tudo bem — falei, levantando, na tentativa de diminuir a discussão. — Eu estava mesmo de saída. Obrigada pela gentileza do café. As palavras saem calmas e firmes, muito mais firmes do que pensei que jamais poderia dizê-las, mas, ainda assim, Colle olha para mim como se pudesse ver, através delas, as coisas que não estou dizendo.
Quando cheguei na frente da mansão, ouvi passos me seguindo. Olhei e era Will. Fiquei um pouco decepcionada.
— Nicole. — ele disse, suspirando. — Espere. Não fique chateada com Caroline, ela é mesmo difícil, instável e provavelmente está com ciúmes de colle.
— Tá tudo bem — afirmei com sinceridade. — Nunca houve e nem haverá algo entre mim e Colle. — Ergo meu queixo, sentindo minha determinação começar a desmoronar. — De qualquer forma, o problema dela é comigo. Mas pensei que, depois de cinco anos, ela deveria ter superado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...