Ele me olhou por um tempo, e depois falou. — Não seria demais pedir para que você nunca fosse embora daqui? Esse lugar é seu, você cuidou dele quando eu não pude. E vive com o seu filho, você, Maria e também Will. Como uma família, eu não posso tirar isso de você. E eu também não quero.
— Sr. Colle... — pigarreei. — Ethan, eu fico feliz com isso tudo, mas eu não pretendo atrapalhar com a Caroline ou até mesmo outra pessoa com quem o senhor tenha alguma intimidade. — A palavra “intimidade” saiu forçada.
Engulo um pouco da minha humilhação, minha voz encharcada de vergonha crua, e prossigo.
— Você disse que não tem nada com ela, talvez não tenha. E eu tô falando de um relacionamento amoroso, não estou falando de s-se-x-xo. — Abaixando minha cabeça para esconder o vermelho que rasteja por minhas bochechas. Dou continuidade. — Porque a última coisa que eu quero é atrapalhar qualquer coisa que estejam tendo, seja oque for.
Eu me endireito e ouço meu próprio batimento cardíaco em meus ouvidos. Eu respiro fundo, trêmula. Caramba. Estou um pouco nervosa.
Ele olha para mim, seus olhos escurecendo quando o silêncio se estende, a tensão brilhando entre nós.
— Eu posso ter mil defeitos, Nicole. Mas não sou um mentiroso compulsivo. Se eu falei que não tenho exatamente nada com a Caroline, é porque eu não tenho exatamente nada com ela. Eu não sou apaixonado por Caroline, não beijo a boca da Caroline e muito menos fodo a Caroline. Isso ficou claro para você? — As palavras dele saem ásperas e profundas. Eu sinto a intensidade disso até meus ossos. É o suficiente para me tirar do meu estupor.
— Eu entendi Colle, me desculpa. — Digo com sinceridade. Mas só de imaginar todas as mulheres com quem ele havia estado. Seu toque em cada uma delas, seus beijos, em como elas se sentiram com o peso do seu corpo sobre os delas.
Isso faz meu estômago revirar.
— E como foram esses cinco anos para você?
— Fiz muitas coisas. — Dou ombros. — Nem tudo saiu como eu imaginava, mas estou aqui e Nicholas também. Então isso deve significar algo bom, não é?
Enquanto falo cada vez mais e mais, os seus olhos permanecem fixos em mim. Eles nunca parecem me deixar.
— Parece que foram bem melhor que os meus — ele disse com um sorriso. — Ainda tem esse maldito escando com a empresa.
— Sinto muito por isso. — Afirmo, passando o dedo suavemente pelas bordas da minha xícara e encarando seus olhos azuis. — Espero que o responsável seja punido. Não é justo que isso esteja acontecendo com você.
— É, se tem uma coisa que eu aprendi é que muitas vezes a vida não será justa. Não importa quem você seja. — A expressão em seu rosto fica desconfortável
Apenas assenti.
— E tem saído com alguém? — perguntou, tentando parecer o mais casual possível, embora o suor entre os seus dedos o denunciassem.
— Houveram umas pessoas, mas ninguém importante. — Eu soltei, sentindo o calor rastejar em minhas bochechas.
— Will? Ele parecia bem possessivo em relação a você. — Ele não moveu um músculo, além de uma leve contração em sua mandíbula.
— Algo na cláusula do nosso contrato que proíba relacionamento entre funcionários Senhor Colleri? — Eu digo brincando, mas ele parece não gostar nem um pouco. Vejo o brilho escuro em suas pupilas, o lampejo de advertência.
— Eu espero que seja uma brincadeira de muito mal gosto Nicole. Eu não divido oque é meu. E não gostaria de demitir William. — Ele diz, com uma ponta de aborrecimento.
A raiva pisca em meu rosto. Confusão. Choque.
— Você está brincando, né Colle?
— Não — disse de uma vez.
A risada que borbulha na minha garganta sai escura e baixa. Olho para ele, que está irritado e luto contra um sorriso de escárnio que tenta puxar meus lábios.
— Não pode ser sério? Você fica cinco anos fora e agora quer dizer sobre quem eu durmo ou não?
Bufo com o absurdo de sua declaração. — Você está me dizendo que não transou com ninguém por cinco anos? — Reviro os olhos.
Ele se aproxima mais. Seus lábios roçam a concha do meu ouvido enquanto ele sussurra contra o meu pescoço. Os pelos curtos de sua barba raspam na lateral da minha bochecha e eu estremeço com cada palavra que ele pronuncia.
— Meu pau se recusava a foder, qualquer mulher que não fosse você. Por isso, eu fui durante cinco anos um maldito celibatário pervertido que tocava uma punheta, pensando na sua boceta melada sobre os meus lábios e o som que saia da sua boca enquanto você gozava. E em como, eu queria atravessar o país, só para foder você de verdade.
Meu pulso bate contra o lado do meu pescoço enquanto eu tomo respirações rápidas e superficiais. Eu posso sentir minha calcinha molhada, porra, muito molhada.
— Durante cinco anos? — meu suspiro se transformou em uma tosse, sacudindo meu peito. Um sorriso conhecedor curvou seus lábios.
O celular de Ethan tocou, quebrando toda tensão em que estávamos em volta.
Ele olhou a tela e se desculpou, avisando que precisaria atender. Fala por alguns segundos e depois desliga.
— Sinto muito, Nicole, mas havia me esquecido que tenho um compromisso com Thomas hoje. — ele diz, com uma ponta de aborrecimento. — Infelizmente, não posso desmarcar.
— Oh, claro, aquele mesmo Thomas?
— Sim, ele mesmo, Lucian me pediu indicação para alguém que pudesse fazer a segurança pessoal de uma amiga da família e eu indiquei Thomas para esse serviço.
— É alguém que conheço? — franzi as sobrancelhas em preocupação.
— Na verdade não posso dar mais detalhes até que o acordo esteja realmente formado Nicole. — Ele me deu um sorriso tenso. — Mas seja como for, eu e Thomas resolveremos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...