No dia seguinte, acordei e preparei as panquecas prediletas de Nicholas, pois sabia que ele chegaria. Comecei a moldá-las na frigideira quando alguém bateu na porta.
— Está encostada, pode entrar — gritei.
Maria entrou, mas estava sozinha.
— Isso está com um cheiro ótimo — falou.
Sorri gentilmente.
— Onde está Nicholas? — perguntei.
— Oh, querida, chegamos bem cedinho hoje de manhã. Você sabe, estamos no verão, e Nicholas quis tomar banho no rio. Eles estão lá desde de manhã. Eu não achei que se importaria, Colle sempre amou crianças.
Oh, não.
— Maria, não que eu realmente me importe, só não quero atrapalhar Colle. Ele chegou há três dias, deve estar querendo descansar.
— Tenho certeza que não atrapalha, querida, ele gosta muito de você e também de Nicholas. Eles estão se dando bem. — Sorriu.
— Bom, não posso deixar isso estragar, vou levar essas coisas em uma cesta de piquenique e os dois poderão aproveitar melhor.
— Acho que lhe faria bem ficar com eles um pouco, tomar um banho no riacho.
— Ah, não, Maria, acredite em mim, aquele rio não vai com a minha cara.
Ela franziu as sobrancelhas em preocupação, não entendendo muito bem.
— Apenas vá, minha filha! Apenas vá. Ele vai gostar de te ver, ainda mais com esse banquete.
Um sorriso ultrapassou a minha careta.
— Tudo bem, Maria. Mas você sabe me dizer se... Caroline está lá?
— Não, minha querida, quando chegamos ela havia acabado de sair, foi fazer compras na cidade.
Graças a Deus. A última coisa que eu queria era encontrar Caroline.
— Então tá, melhor eu ir antes que essas panquecas esfriem.
Após arrumar devidamente a cesta e me trocar, Maria me acompanhou até o riacho. Fomos conversando sobre todo o ocorrido do final de semana com Nicholas, que pareceu muito divertido.
— Ele adora ir para lá — Maria disse sorrindo.
— Fico feliz por ele gostar, é bom que ele saia e tenha em volta pessoas que o amem.
Nicholas esteve em uma fase tremenda de perguntar sobre a família dele. Primeiro, expliquei que ele tinha a mim, Vivian, Alice, Maria e Will, e que nós o amávamos, cuidávamos, e também convivíamos com ele. Então ele havia me perguntado sobre o pai. Por que todas as crianças tinham um pai? E que uma avó e um avô que geralmente eram pais dos seus pais? Ele disse que desejava ter uma grande família com tios e primos, como a de seu amiguinho Pedro. Foi difícil ouvi-lo dizer aquilo, eram explicações para as quais eu ainda não tinha as respostas. Ou tinha, mas tem coisas que nenhuma criança deveria saber.
O campo gramado que se estendia até o riacho nunca esteve tão animado, meus olhos pararam em Nicholas, que corria pelo gramado próximo ao deck. Ele estava atrás de uma bola de futebol, enquanto Colle chutava e gritava palavras de incentivo. Aquela visão quase me fez chorar. Ele tinha alguns coleguinhas da sua idade, e Will, sempre que podia, estava presente, mas vê-lo com Colle era diferente. Eu nunca pensei que o veria de forma tão espontânea; ele sorri, e o tratava com muito carinho.
Nicholas estava claramente feliz. E aquilo era tudo para mim. Meus olhos estavam ardendo em lágrimas não derramadas.
Nicholas fez um gol glorioso e foi correndo, com um enorme sorriso, para o colo de Colle, que o abraçou e bagunçou os seus cabelos. Maria, que estava ao meu lado, começou a bater palmas, comemorando e eu instintivamente a imitei.
— Você foi muito bom, Nicholas! — ela disse.
— Muito bom — repeti.
— Mamãe! Ele correu na minha direção e eu me agachei para recebê-lo em um abraço.
Ele ainda cheirava como meu bebezinho.
— A mamãe morreu de saudade — falei, enquanto o abraçava. — E como foi lá com Maria e sua irmã?
— Muito bom, mamãe, comemos bolo de chocolate e sorvete também, alimentamos os patos. — Ele sorriu eufórico.
Olhei para o lado e vi duas lindas panturrilhas suadas. Colle estava lá.
— Ele é mesmo um menino especial — disse.
Levantei e o olhei nos olhos. — Obrigada.
— Estou bem com isso...de verdade, eu gostei muito de tê-lo aqui hoje. Sempre que eu puder, devemos fazer isso.
— Tudo bem, fico feliz que tenha gostado dele, ele é um bom menino. Bom, eu não sabia se já tinham comido algo, e eu tinha preparado umas panquecas... aproveitei e trouxe algumas coisas, bem... hum... — Agachei e peguei o cesto. — É tudo simples, mas o Nicholas adora. — Sorri.
Eu senti falta de você.
— É lindo — disse, olhando para o céu azul e o sol que brilhava firme, ofuscando a minha visão.
— E o mais importante. Senti sua falta — falou num sussurro, como se fosse um segredo obscuro.
Ele me encarou com uma feição que eu não conhecia, admiração? Respeito? Eu nem pude responder, apenas corei, dando um meio sorriso. Passou a mão no meu, rosto tirando o cabelo úmido agarrado na minha bochecha e pescoço.
— Também senti a sua falta, Ethan.
— Eu tenho tanta coisa para explicar — ele continuou, apoiando as mãos gentilmente em meus ombros.
— Apenas esqueça, Ethan... já faz muito tempo. — Tentava ignorar o arrepio na minha pele, resultante do seu toque.
— Eu apenas preciso esclarecer — ele disse, ainda me encarando. — Eu preciso contar tudo.
Como se o universo sentisse onde aquela conversa levaria, olhei para o final do caminho que ligava o deck e vi Caroline se aproximando. No mesmo instante, chamei Nicholas. Ele resmungou um pouco, pois queria ficar, estava se divertindo.
— Você, não precisa ir agora. Ethan se aproximou, apoiando levemente a mão no meu ombro para chamar minha atenção. Obviamente, reconheceu minha expressão de poucos amigos ao ver que Caroline estava cada vez mais próxima.
— Eu sinto muito — disse a ele. — Mas ainda tenho que fazer nosso almoço. — Sorri. Ele pareceu insatisfeito por um instante, mas logo cedeu.
Eu fui até Nicholas, o peguei no colo e subimos juntos ao deck.
Comecei a espremer a minha roupa encharcada e envolvi Nicholas em um roupão de banho.
— Você pode almoçar conosco — Ethan, que subiu logo atrás de nós, disse.
— Eu agradeço muito, Ethan, mas acho que quero almoçar no chalé. Não quero que Nicholas se envolva em qualquer aspecto com Caroline, ela já tem muitos problemas e não quero que Nicholas seja mais um deles. — disse, tentando não parecer rude.
— Eu entendo. Pelo menos, deixe-me acompanhá-la.
— Eu realmente gostaria, mas acho que ela não iria apreciar — disse baixo, dando um sorriso, já que Caroline estava bem próxima a mim.
— Ahh! Finalmente achei você — Caroline disse com o seu jeito histérico.
Passei por ela, carregando Nicholas no colo, sem nem me despedir de Colle. Segui estrada adentro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...