Logo que abri a porta do chalé, ouvi o celular que havia deixado por lá, tocando e corri para atender.
— Nicole — A voz triste de Alice soava do outro lado.
— Alice. O que houve? — perguntei preocupada, seu tom não fazia nada para ocultar as suas emoções.
— Fomos assaltados. Ontem à noite. Levaram tudo do cofre da nossa casa.
— Oh, Deus. Sinto muito — disse com sinceridade. — Estão todos bem? Fizeram mal ao seu pai ou sua mãe? Ou a você? — sua voz grave me congela no lugar.
— Meus pais estão bem Nicole. Meu pai, na verdade anda estranho ultimamente. Por pouco não estava em casa no dia do assalto. Eu tinha ido a uma galeria de artes com Jamie e depois dormi em seu apartamento. Jamie insistiu tanto para eu que fosse a uma galeria de arte com ele. — Sua voz suave oscila ligeiramente.
— Alice? — Pergunto. — Está realmente tudo bem? — Meus dentes cravam em meu lábio inferior enquanto a culpa me corrói. Deveríamos estar mais juntas.
— S-sim. — ela disse depois de uma longa pausa. — Eu não sei. Na verdade...penso em terminar com Jamie. — Suspira fundo.
— Oh, querida Al. — pergunto, minha voz quase inaudível. — Ele não lhe trata bem?
— Não. Não é isso. — assume rápido. — É que ele é tão intenso...Odeio dizer isso em voz alta, mas é a verdade. — Não sei se gosto dele com a mesma intensidade que ele gosta de mim. Além do mais, apesar de a gente namorar quase não sei nada sobre ele.
— Talvez ele tenha um passado difícil. — afirmo, pensando sobre a situação de Colle.
— É, talvez seja. — Ela não parece convencida e nem feliz. — Ainda por cima, meu pai conversou com Lucian e pediu para que indicasse alguém de confiança para fazer a minha segurança pessoal. Eu não estou entendendo muito bem o que está acontecendo, mas acho que foi um ataque pessoal ao meu pai. Esse assalto. Roubaram centenas de dólares do seu cofre. E segundo a minha mãe, meu pai parecia estar facilitando para os assaltantes e está, ao que parece, escondendo informações da polícia. Eu não sei o que faço. Estou aos nervos, preocupada. Meu pai está abatido, parece doente. — Soltou um soluço. — Eu não sei o que faço, nunca passei por algo assim. Lucian pediu ajuda para Ethan. E me parece que ele indicou alguém para o meu pai. Um homem chamado Thomas. Você o conhece? Essa pessoa vai fazer a minha segurança até as coisas se acalmarem. A questão é, o que acalmar? Eu sei que meu pai está escondendo algo. Mas não sei o que. Pensei que talvez pudesse falar com Ethan?
Ela chegou no ponto.
— Acho que posso fazer isso. — disse ele, sua voz baixando uma oitava
Imediatamente senti a respiração de Alice mais leve do outro lado da linha.
— Tá tudo bem, Alice. Eu estou com você. Apenas se acalme. Verei o que posso fazer. Não é garantido, mais farei todo o possível.
— Eu sei que sim — ela afirmou. Logo depois, nos despedimos e desligamos.
*****
Algumas horas depois, estava retirando nossos pratos da mesa, quando a campainha soou. Quando abri a porta, Colleri estava lá.
—Eu não sabia se vocês tinham sobremesa, e isso estava no freezer. — Ele mostrou uma sacola com algo que parecia sorvete. — Não sei se gostam de sorvete de pistache — disse, parecendo nervoso.
— Ah, claro. Na verdade, acabamos de almoçar.
Nicholas passou por mim correndo e se agarrou às pernas de Colle, que o olhou sorrindo.
— Ethan! — ele gritou com alegria.
— Olá, Nicholas! Já estava com saudade! — disse sorrindo.
— Será que poderia ler uma história para mim?
— Não — eu disse firme. — O Sr. Colle tem muita coisa para fazer hoje.
— Na verdade, não. — Ethan disse. — E eu adoro contar histórias.
Engoli um sorriso que insistia em sair. Eles entraram e se sentaram no sofá. Ethan começou a contar uma história, eu não queria atrapalhar o momento dos dois, então escapei para cozinha onde ainda conseguia ouvir sua voz.
— Ela era perfeita — ele narrava a história. — Tinha cabelos pretos curtos, sardas e cheirava a bala de goma.
Oh, não.
— bala de goma? — Nicholas ria.
— Sim, é difícil de acreditar, mas é o melhor cheiro do mundo. E tinha uma pulseira mágica — Ethan continuou a narrar, — que poderia dar a ela tudo o que ela quisesse, de coisas supérfluas a seu verdadeiro amor.
— Como a mamãe — Nicholas afirmou. — Mamãe tem uma pulseira mágica também, ela guarda como um tesouro.
Quando terminei de falar, senti Ethan apoiar as mãos no meu joelho. Um gesto aparentemente inocente.
— Vou ligar para Thomas e ver o que ele descobre por fora. Ele embarca amanhã, se isso te deixa mais tranquila.
— Sim, claro, agradeço muito, desde sempre, por tudo — falei. — Ele se aproximou de meu rosto e passou o dedo sobre os meus lábios. Fechei os olhos.
— Não há nada que eu ame mais do que fazer você feliz.
Ele olha para mim com expectativa, então quando o silêncio entre nós se estica até o ponto de ruptura, ela fala.
— Quero recuperar o tempo perdido, não tenho mais como voltar atrás, mas quero fazer isso aqui valer a pena. — Ele entrelaçou seus dedos nos meus e suspirou. — Jante comigo amanhã. Eu tenho muita coisa pra lhe dizer, explicar. Eu sei que, para você, o que passou, passou, mas eu preciso que você saiba...
— Ok. — Completei para ele. — Eu jantarei com você.
— Ahh isso!! — ele comemorou, um pouco mais alegre que o normal. Em seguida, seu tom se tornou calmo e sua expressão, normal. — Te espero às seis da tarde. — Ele passou por mim e beijou minha mão formalmente.
No dia seguinte, recebi um sms de Ethan antecipando o jantar em uma hora. Quem janta às cinco da tarde?
Na hora do jantar, fui até a casa e bati na porta. Não houve resposta. Bati de novo, mesmo silêncio. Empurrei a porta, que estava encostada, e quando cheguei à mesa de jantar, estranhei o fato de ela não estar arrumada.
Como Colle era o homem das surpresas, resolvi andar pela casa. Provavelmente ele estava jogando comigo. Quando cheguei ao corredor da cozinha, fiquei intrigada quando vi algumas peças de roupas jogadas no chão, mas continuei, começando a sentir que havia algo errado. Cada músculo do meu corpo estava rígido e gritando o instinto para eu voltar.
O que faz meu estômago revirar quando chego à porta. É Caroline. Ela está sentada nua no balcão da cozinha, de costas para a porta. Suas pernas estão bem abertas e o som característico de sexo oral está bem claro.
Sua cabeça inclina ainda mais para cima, olhos fechados em seu estupor de prazer , enquanto seus dedos se entrelaçam nos cabelos logicamente loiros do homem que a agrada enquanto ela aperta o rosto dele na sua boceta a procura de alivio. Como se pressentisse a minha vinda aqui, Caroline virou-se para mim e eu fiquei sem reação. Vi sua boca gemer sem som. “Isso, Colle.”
A raiva cresceu dentro de mim em níveis catastróficos preciso de tudo em mim para não explodir
Minha respiração quase parou, dei passos para trás e corri na direção do corredor; desajeitada, tropecei e caí. Notei que o paletó no chão era idêntico ao que Colleri sempre usava, e tinha até o seu cheiro. Na mesma hora senti a bile subir à minha garganta e meus olhos queimarem em lágrimas.
— Filho da puta! — soltei quando, lágrimas que venho segurando começam a escorrer pelo meu rosto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...