— Will — disse pausadamente, querendo observar a sua reação. — No sábado à tarde fui à casa de Colle. A porta estava aberta, caminhei até a cozinha.
Parei de falar quando olhei para ele e notei que sua postura estava rígida, a face pálida, os olhos arregalados. Nem precisei continuar.
Santo Deus.
— Não me diga que era você com Caroline? Diga que você não ficou com ela.
— E você estava com Colleri? — O tom de sua voz cheio de acusação.
— Você só pode estar brincando Will. — Meu rosto deve mostrar como estou zangada, porque seu sorriso sarcástico vacila.
— Eu sinto muito, Nicole, eu não sei o que me deu — falou.
— Puta merda! — Tirei minha mão que ainda estava apoiada de forma inocente na dele. — Will, o que você estava pensando? É Caroline! Você se lembra? — Passei a mão no rosto. Ela nem se quer chamava por você, você sabia disso? Você sabia que ela planejou que eu fosse até lá e achasse que você era Colleri?
Ele passou a mão por suas ondas loiras desgrenhadas, os olhos cheios de humilhação. Me senti mal por trata-lo dessa maneira. A verdade é que eu estava chateada, não por ele ter transado com ela, mas por ser Caroline. Eu a detestava, poucos dias antes ela havia me humilhado na mesa. E ele não havia gostado nem um pouco. Eu não sentia nada por Will, ainda assim, não gostei da ideia de vê-lo, ou saber que era ele com Caroline, simplesmente porque éramos amigos.
— Olha, tudo bem — disse de forma brusca. Fui até a french press e servi a ele uma xícara com café. — É por conta da casa, apenas vá. Eu preciso pensar — disse, virando-me. — Eu achei que você detestava Caroline. Ela usou você Will.
— No fundo eu sei disso. Eu fui um grande idiota, né? — murmurou cabisbaixo, passando a mão livre pelo cabelo.
Eu não consegui responder. Na verdade, eu mal conseguia fazer contato visual com ele.
— Merda! eu a detesto! — ele disse aumentando seu tom um pouco, fazendo com que algumas pessoas que estavam entrando se assustassem. — Me desculpe. Eu já disse, não sei o que aconteceu, quando vi, eu já estava com ela. Isso nunca mais vai acontecer.
— Realmente não me importa, eu não estou com você, apenas pensei que tivesse um pouco de dignidade dentro de si. Você se esqueceu quem ela é? Nós somos amigos, Will, você foi meu amigo durante todos esses anos, eu esperava mais que isso de você.
— Eu sinto muito. — franziu as sobrancelhas os ombros cabisbaixos.
Houve um murmurinho atrás dele e percebi que a fila crescia.
— Sinto muito, tenho que atender — disse a ele.
— Tá tudo bem. — Ele pegou o café e saiu.
Passei o restante do dia atendendo apenas a parte do café e balcão. Meu coração estava apertado pela forma com que eu havia tratado Will; o que ele fazia da vida dele não era problema meu.
No final da tarde, um homem alto entrou com um grande buquê de rosas tão grandes que cobriam o seu rosto, e na suas mãos, uma sacola de uma loja cara de chocolates. Ele abaixou, deixando-as sobre o balcão. Os clientes olhavam encantados.
Oh, não.
— Will? — disse surpresa, quando as rosas finalmente revelaram o seu rosto.
Ele se aproximou de mim e começou a falar.
— Eu sinto muito, sei que não há desculpas suficientes, e eu não sei o que mais te dizer. Apenas me deixe te mostrar.
Então, segurou minha nuca como se fosse me beijar.
Eu me afastei rapidamente. Meus lábios se curvaram, não o suficiente para classificar como desgosto, mas o suficiente para transmitir meus pensamentos:
Eu não quero você.
— O que você tá fazendo? — perguntei em um sussurro.
Ele me olhou como se não entendesse nada.
— Bom, eu pensei que como hoje de manhã você não gostou de mim e Caroline... —Ele parecia nervoso, estava ruborizando. Os poucos clientes estavam prestando atenção.
Minhas mãos começaram a tremer, e uma camada fina de suor cobri-las e Vergonha que eu nunca senti percorreu meu corpo.
Pobre Will. Havia sido minha culpa, eu não deveria ter dito qualquer coisa que o fizesse entender errado. Eu deveria ter lhe explicado direito, e não devia tê-lo deixado criar esperanças.
— Eu sinto muito, baby. — Ele parecia arrependido. — Isso não deveria ter
acontecido e, definitivamente, nunca mais vai mais acontecer.
*
Algumas horas depois, eu estava com Colle em sua cama, limpando delicadamente o seu corte no nariz com um kit médico.
— Acho que vai precisar de pontos. — Colleri fez uma careta quando passei o antisséptico no corte.
— Não mesmo, confie em mim. Já tive cortes piores, e ainda assim não precisei de pontos.
Sorri.
— O que vai acontecer com Will?
— Eu não posso mais tê-lo aqui, não depois de ele ter me agredido, de saber que ele que criou aquela confusão entre nós e que transou com Caroline dentro da minha casa. Mesmo sendo... — ele se corrigiu. — Mesmo que fosse como um irmão para mim, ele ainda era meu funcionário, e eu não tolero esse tipo de atitude. E o pior foi descobrir o que eu já desconfiava: que ele é afim da minha namorada.
— Você me chamou de namorada. — Eu soltei, sentindo o calor rastejar em minhas bochechas.
Colleri me encarou como se fosse a coisa mais comum do mundo. — Você está comigo agora Nicole. Oque achou que aconteceria? — Seus olhos permanecem fixos em mim. Eles nunca parecem me deixar. — Eu quero você. E não vou aceitar qualquer um no meu caminho. Eu sei que durante todos esses anos ele foi muito gentil, eu não o culpo por sentir algo por você, que homem, em sã consciência, viveria cinco anos ao seu lado e não se apaixonaria?
Dou um sorriso brilhante enquanto me arrumo na cama.
— Eu precisei de bem menos que isso. — Sorriu sincero — E sei também que Nicholas o adora. Eu não posso mais mantê-lo aqui, mas ele poderá ver Nicholas quando quiser. E eu o transferi para a empresa de Lucian. Um tempo distante lhe fará bem.
— Namorada? — falei alto, sorrindo como uma adolescente boba.
— Estou falando há meia hora e você só ouviu isso?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O bebê do bilionário
Está faltando capítulos autora...
Cadê o resto dos capítulos?...