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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 109

POV/ Adrian

Domingo, 13 de junho.

Eu mal consegui pregar os olhos. Cada vez que eu fechava as pálpebras, via o amarelo do vestido da Clara sumindo na escuridão do jardim, e logo em seguida, o vermelho do sangue de Sarah manchando o meu tapete. O passado e o futuro colidiram, e eu fui o único que saiu mutilado do impacto.

Acordei cedo, mas a mansão já não tinha o silêncio de antes. Desci as escadas sentindo o peso de cada degrau. Na mesa do café, a cena era um soco no meu estômago: Ângela e Geovana já estavam arrumadas, tomando café com os rostinhos brilhando de uma expectativa que eu não via há anos. E entre elas, sentada como se nunca tivesse partido, estava Sarah.

— Bom dia, papai! — As duas gritaram em coro.

Aproximei-me, beijando o topo da cabeça de cada uma. O cheiro delas ainda era de infância e inocência misturado com a colônia infantil de flores que a Clara escolhido.

Clara. Esse nome fez um coração acelerar.

— Bom dia, pequenas. — respondi apressado percebendo que não havia retribuído o comprimento delas.

— Papai, a mamãe disse que a gente vai ao cinema! Tem filme novo Live action da Lilo & Stitch, vamos? — Geovana puxou minha manga.

Senti um gosto amargo na boca. Olhei para Sarah, que me observava por cima da xícara de porcelana com um sorriso vitorioso, embora a palidez sob a maquiagem entregasse sua condição moribunda.

— Eu estou cansado, filhas. Tenho muita coisa para resolver... — Minha mente estava na Clara. Eu precisava ir atrás dela, explicar, implorar.

— Ah, Adrian, não seja estraga-prazeres — Sarah interrompeu, a voz suave — Vamos ao shopping, aproveitar o dia. Tem tanto tempo que a gente não sai em família.

Aquela palavra — família — fez meu estômago revirar. Era um insulto à memória de tudo o que eu tinha construído nos últimos anos. Mas eu olhei para as gêmeas. Elas estavam radiantes. Como eu poderia dizer "não" e ser o vilão da história delas agora que a mãe "milagrosamente" retornou?

— Está bem — respondi, seco. — Vamos ao cinema.

[Adrian]: Ela é minha mulher, Isadora. Mesmo que ela não saiba e um homem cuida da sua mulher.

Houve uma pausa longa. Eu via os "digitando..." aparecerem e sumirem. Mas não disse nada.

[Adrian]: A Sarah está com câncer. Estágio 4. Metástase. Ela é uma moribunda querendo um último ato. Eu não sei o que fazer, Isa. Estou preso. Só me ajuda a dar um pouco de sol para a Clara enquanto eu lido com as sombras aqui.

[Isadora]: Câncer? Puta que pariu, Adrian... Que desgraça. Olha, eu vou aceitar, mas só porque quero que ela tenha uma semana de deusa. Vou te mandando fotos dela para você não morrer de infarto aí no Sul.

[Adrian]: Obrigado, Isa. De verdade.

Desliguei a tela e depositei 10.000 reais na conta dela. O brilho do celular desapareceu, me devolvendo à realidade da sala escura. Sarah esticou a mão e tocou a minha no braço da poltrona. Senti um arrepio de repulsa, mas não me mexi. Pelo bem das meninas, eu continuaria ali, naquele teatro de papel, fingindo ser o marido de uma morta-viva, enquanto meu coração cruzava o país em direção ao calor da Bahia

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