POV/ Adrian
Segunda e terça tentei me soterrar em trabalho. Números, planilhas, códigos de segurança... qualquer coisa que impedisse minha mente de vagar para o andar de cima, onde o cheiro de hospital começava a impregnar as cortinas da ala leste. Mas o silêncio da mansão era opressor. Sem os risos da Clara, a casa parecia um mausoléu climatizado.
O encontro com Azazel Kolovisk na quarta não ajudou a melhorar meu humor. Ele me recebeu em seu escritório particular, um lugar que cheirava a charutos caros e sangue antigo. O russo me olhava com aquele desdém.
— Você está atrasado, Adrian — Azazel disse, a voz grossa como lixa. — Meus sócios não gostam de esperar. Fechamos com uma empresa da Suécia semana passada.
Senti o músculo da minha mandíbula saltar. Eu era o Imperador, mas ali, eu era apenas um empresário que tinha falhado em um compromisso.
— Eu tive problemas pessoais, Azazel. Questões de vida ou morte — respondi, mantendo a voz gélida. — A vida da mulher que eu amo estava em risco. Houve um sequestro, uma situação que exigiu cada grama da minha atenção. — fiz uma pausa, mas ele não disse nada, apenas continuou me olhando com cara de desdém enquanto acendia um charuto — Se o seu senso de negócios é menor que o seu ego, tudo bem. Não preciso da mixaria do seu dinheiro.
Azazel soltou uma fumaça densa, seus olhos azuis-gelo fixos nos meus.
— Relaxa, Cavallieri — ele disse com um sotaque carregado. — Mas lembre-se: você ainda vai se arrepender disso. Russos não esquecem. E russos não mentem.
Saí de lá sentindo o peso daquelas palavras. No carro, olhei para Mathew, que mantinha a expressão impassível de sempre.
— O que você acha que aquele desgraçado quis dizer com "russos não esquecem", Mathew?
— No mundo dele, Adrian, isso costuma ser uma sentença de morte adiada — Mathew respondeu, seco. — Ele se sentiu insultado. E homens como Azazel transformam insultos em guerra.
— Fique de olho. Não quero surpresas.
Eram meio-dia de terça-feira quando meu celular vibrou. Meu coração, que estava em modo de combate, deu um salto diferente. Era a Isadora.
Abri a mensagem e eram fotos. Por um momento, o mundo parou. Clara estava em um barco, cercada por golfinhos. O biquíni branco contrastava com a pele que o sol começava a beijar, e o cabelo vermelho estava uma bagunça linda de vento e sal. Mas foi o sorriso dela que me destruiu. Um sorriso aberto, radiante.
Mesmo vivendo naquele inferno na mansão, ver a felicidade dela era o meu único alento. Parecia que a pressão no meu peito diminuía um pouco. Se eu tinha que apodrecer no escuro para que ela pudesse brilhar naquele azul da Bahia, que fosse.
O momento de paz foi interrompido por outra mensagem. Desta vez, de Sarah.


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