POV/ CLARA
Ficamos ali, pele com pele, por um tempo que eu não soube medir. O mundo lá fora, com seu caos e suas cobranças, parecia ter sido barrado pela porta daquela suíte. Eu estava perdida no ritmo da respiração de Adrian contra o meu pescoço quando meu estômago protestou ruidosamente.
Olhei para o relógio na cabeceira: duas da tarde.
— Eu preciso levantar-se — sussurrei, tentando me mover, mas o braço dele se apertou ao redor da minha cintura como uma âncora de seda.
— Não. Fica aqui — ele murmurou, a voz ainda rouca de sono e satisfação.
— Mas eu estou com fome, Adrian. Muita fome — ri baixo, sentindo o rosto esquentar.
Ele abriu os olhos, aqueles olhos que agora me encaravam com uma suavidade. Ele suspirou, derrotado, e se levantou. Vê-lo caminhar nu pelo quarto, com toda aquela autoconfiança e os músculos das costas se movendo sob a luz da tarde, foi um espetáculo à parte. Ele pegou o telefone e pediu o serviço de quarto: um risoto, algo leve, e uma garrafa do melhor vinho que eles tivessem.
— Vem — ele estendeu a mão para mim. — Vamos tomar um banho enquanto a comida não chega.
Eu hesitei, sentindo o latejar suave entre minhas pernas, lembrando-me da minha nova realidade. Mas Adrian não me deixou ter vergonha. Ele me pegou no colo com uma facilidade desconcertante e me levou para o banheiro.
Debaixo da água morna, o cuidado dele foi quase excessivo. Ele não me tocou com luxúria, mas com uma delicadeza. Lavou meu cabelo, massageando o couro cabeludo com os dedos fortes, e passou a esponja pelo meu corpo como se eu fosse um cristal precioso. Aquele contraste de novo: o homem que podia destruir impérios estava ali, preocupado em não deixar o sabonete cair nos meus olhos.
Quando saímos, a comida já estava na porta. Comemos e bebemos o vinho ele me deu algumas explicações sem que eu precisasse pedir.
— Eu sinto muito pelo jeito que as coisas aconteceram em Porto Alegre, Clara — ele disse, girando a taça de vinho. — A Sarah... ela está morrendo. O câncer avançou para os pulmões. Tudo o que estou fazendo, o tratamento na Argentina, o teatro para a imprensa... não é por ela. Eu a desprezo pelo que ela fez comigo e com as meninas. Mas eu não posso deixar que a Geovana e a Ângela vejam a mãe definhar sem sentir que o pai fez de tudo para salvá-la. Eu estou comprando tempo para elas, não para ela.
A raiva que eu sentia começou a se transformar em uma empatia dolorosa. Ele estava carregando o mundo nas costas sozinho.
— Você devia ter me contado, Adrian. Eu entenderia — falei baixo, tocando a mão dele sobre a mesa.
— Eu tive medo de te perder para essa podridão, ela não é uma pessoa muito agradável. — confessou, apertando meus dedos.
Meu celular começou a vibrar no balcão. Era a décima chamada perdida da Isadora. Revirei os olhos me levantei e atendi, sob o olhar atento de Adrian.

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