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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 123

POV/ CLARA

Na manhã seguinte, acordei com os raios de sol invadindo o quarto, aquecendo minha pele e trazendo uma sensação de paz que durou exatamente três segundos. Tateei o lado ao lado da cama, esperando encontrar a firmeza dos músculos de Adrian, o calor da sua pele contra a minha.

Vazio.

O lençol estava frio, como se ele já tivesse partido há horas. Sentei-me bruscamente, o pânico subindo pela minha garganta como um refluxo ácido.

— Adrian? — chamei. Minha voz ecoou, solitária e pequena, batendo nas paredes da suíte luxuosa.

Nenhuma resposta. Fui até o banheiro, o coração na boca... nada. Apenas um silêncio sepulcral e o rastro do perfume dele, sândalo e poder, que ainda pairava no ar como uma provocação. Ele tinha ido embora. Sem um bilhete, sem um adeus, sem uma explicação. A sensação de abandono me atingiu como um soco físico no estômago. Eu tinha m/e entregado, tinha deixado que ele desbravasse cada cicatriz da minha alma e do meu corpo, e ele simplesmente partiu na calada da noite, como um ladrão que rouba o que quer e foge antes do amanhecer.

Fui até a recepção com as pernas ainda bambas. A conta estava paga. Liguei para ele uma, duas vezes. O celular chamava até cair na caixa postal.

Peguei um táxi e voltei para o nosso hotel em silêncio, sentindo o latejar entre minhas pernas me lembrando a cada segundo do que eu tinha feito. Contei tudo para Isadora. Ela me acalentou, gritou de felicidade por eu finalmente ter perdido a virgindade e jurou o Adrian de morte tudo no mesmo minuto. Isadora sendo Isadora.

— Se ele te ama, Clara, ele que venha atrás. Ele tem o seu número, tem o seu endereço. Não gaste mais nem um centavo de energia com esse homem agora — ela sentenciou, cruzando os braços. — Vamos viver.

E nós vivemos.

Decidimos estender nossa estadia por mais duas semanas. Goiânia estava em festa com a Expo- GO, e Isadora me arrastou para o olho do furacão. Foram noites intensas, regadas a cerveja gelada, chapéus de cowboy e o som alto do sertanejo que parecia narrar a minha própria desgraça amorosa. Cantamos até ficar roucas com Gusttavo Lima, choramos as pitangas com Luan Santana e lavamos a alma com Maiara e Maraisa.

Eu postei fotos. Muitas. Apareci em ângulos que eu nunca teria coragem de mostrar antes: sorrindo, com o rosto corado pelo álcool, dançando entre a multidão. Eu queria que ele visse. Queria que ele soubesse que, enquanto ele estava lá no Sul lidando com o "teatro" da ex-mulher, eu estava aqui, florescendo no calor do Centro-Oeste.

Eu me diverti, de verdade. Bebi além da conta, senti o vento no rosto e a liberdade de quem não deve nada a ninguém. Mas, todas as noites, quando as luzes dos shows se apagavam e eu encostava a cabeça no travesseiro do hotel, o silêncio voltava a sussurrar o nome dele.

Duas semanas se passaram. O sol da Bahia e o de Goiás tinham deixado minha pele dourada e meu espírito mais forte, mas o tempo de fugir tinha acabado. Era hora de voltar para Porto Alegre. Era hora de encarar a mansão, as meninas e o homem que me deu o céu para logo em seguida me soltar no abismo.

Eu estava voltando, mas não era a mesma Clara que saiu de lá. Tinha saído menina e voltado mulher.

***************

A viagem de volta foi o caminho mais triste que já percorri. O céu cinzento de Porto Alegre parecia um espelho do estado da minha alma. Eu tentava me convencer, em um último esforço de sanidade, de que ele teve uma emergência real, de que ele me amava, de que o silêncio era apenas proteção.

Mas quando os portões da Mansão Cavallieri se abriram, a realidade me atingiu como um soco que roubou todo o meu oxigênio.

Adrian estava lá. Mas não era o meu Adrian de Goiânia. Não era o homem que havia gritado "EU TE AMO, PORRA!" com o rosto colado ao meu. Porque se fosse ele, não estaria ali. Não estaria como estava.

Eles pareciam a família de comercial de margarina que ele tanto dizia odiar. E eu, ali na sombra, era apenas a babá de novo. O "nós" de Goiânia não passou de uma alucinação febril de uma noite de verão.

Me levantei como um autômato, as articulações rígidas. Meus movimentos eram pesados, como se eu estivesse submersa em chumbo líquido. Caminhei de volta para o portão, cambaleando, o mundo girando ao meu redor.

— Senhorita Clara? Aonde a senhora vai? — um dos seguranças me interceptou, a voz carregada de confusão. — Aconteceu alguma coisa? Está tudo bem?

— Não... não aconteceu nada — minha voz saiu como um sussurro oco, vinda de um lugar muito profundo e morto dentro de mim.

— Mas a senhora está sangrando! — ele apontou para o meu joelho.

Olhei para baixo. O sangue escorria, quente e vermelho, manchando minha pele e sujando minha perna. Ele tinha razão. Mas eu não sentia o corte. Eu não sentia o ar. Eu só sentia o vazio absoluto.

Dei passos apressados, quase correndo daquela imagem de "perfeição" que me destruía. Peguei o primeiro táxi que passou. O trajeto até em casa foi um borrão de lágrimas e asfalto. Chorei no banco de trás, chorei no banho deixando a água quente queimar a ferida aberta no joelho, chorei limpando o sangue e chorei comendo sorvete direto do pote, tentando desesperadamente preencher o buraco negro no meu peito.

Isadora não estava; tinha um evento no clube. Eu olhei para o celular. A dor era insuportável, e a única cura para a dor que o Adrian "doce" me causou era a anestesia que só o Imperador sabia aplicar. Se ele me descartou para viver aquele teatro com a esposa morta-viva, eu iria atrás do único homem que me fazia esquecer quem eu era através da dominação.

Eu precisava do Imperador.

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