POV/ ADRIAN
Alguns dias se passaram na mansão. Sarah estava se esforçando; usava maquiagem para esconder a palidez, vestia roupas elegantes para parecer a mulher de antes, um dos rins tinha parado de funcionar e todo seu cabelo havia caído. Ela estava horrível. Em uma tarde cinzenta, ela pediu para ir a área da piscina ver nossas meninas se divertirem enquanto conversávamos.
— Adrian... — ela chamou, a voz fraca, como um rádio perdendo a sintonia. — Eu nunca te pedi desculpas por ter ido embora. Por ter deixado você sozinho com elas.
Eu não disse nada. O silêncio era a única coisa que eu tinha para oferecer a ela. As palavras de perdão pareciam pesadas demais para a minha língua.
— Não quero morrer com esse peso. Por favor... me perdoa. — Ela estendeu a mão, trêmula, a pele parecendo papel de seda prestes a rasgar.
Eu olhei para aquelas mãos que um dia eu segurei com promessas de eternidade e que depois me soltaram no abismo. Respirei fundo, sentindo um cansaço que parecia vir da medula dos meus ossos. Por um momento, não vi a mulher que me traiu; vi a mãe das minhas filhas, o veículo que trouxe a Ângela e a Geovana ao mundo. O qual sou imensamente grata.
Aceitei o toque. Encostei minha cabeça no ombro dela, um gesto de humanidade.
— Obrigado, Sarah. — Minha voz saiu rouca. — Obrigado por ter me dado a Ângela e a Geovana. Elas são a razão de eu ter lutado, enriquecido e, principalmente, de eu ainda estar aqui. Elas são a única parte boa de nós dois.
Ela envolveu meu rosto com as palmas frias. O cheiro dela era uma mistura perturbadora de perfume caro e hospital.
— Eu ainda amo você — ela sussurrou, e uma lágrima solitária abriu caminho pela maquiagem pesada. — E sempre vou amar. Você me fez feliz, me fez realizada. Me fez mãe.



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