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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 131

POV/ ADRIAN

O encontro com os ex-agentes foi marcado no coração do meu domínio, o Ambrosia Club. O ar ali era denso, saturado com o cheiro de perfumes caros, fumaça de narguilé e o suor da luxúria contida que emanava da pista. No centro do palco, sob uma luz carmesim que parecia sangue filtrado, Melancia deslizava pelo metal do pole dance com uma perícia que hipnotizava qualquer um. Mas eu não via a dança. Meus olhos devoravam relatórios, nomes e rotas de fuga, enquanto minha mente trabalhava como uma máquina de guerra.

— Ele vai atrás do que você mais ama, Adrian — o agente sussurrou, a voz rouca competindo com a batida grave e incessante da música. — Azazel não ataca o patrimônio primeiro. Ele ataca o coração. Ele quer te quebrar de dentro para fora, até não sobrar nada além de ruínas.

Meu sangue gelou instantaneamente. Eles sabem. Esses malditos sabem onde dói. Em um segundo, a galeria de imagens da minha vida desfilou diante de mim como um filme de terror: Adelaide, minha bússola moral; Ângela e Geovana, minhas flores frágeis e as únicas razões da minha existência. E Clara. Minha Clara. Minha pessoa favorita no mundo, a dona do riso fácil que agora era o meu único oxigênio. Se ele tocar nela, eu queimo este país inteiro até que sobre apenas cinzas.

Melancia deslizou para o meu colo, interrompendo o horror dos meus pensamentos. O calor do corpo dela contra o meu era um incômodo físico, uma distração que eu não queria. Ela sussurrou contra minha máscara de couro, a voz carregada de uma promessa que eu desprezava naquele momento:

— Seus convidados estão tensos, patrão... vou trazer a melhor vodca. Deixe que eu os relaxo.

Eu dei um sorriso de canto, o reflexo mecânico do Imperador jogando o jogo social, enquanto meu estômago se revirava em desgosto.

— Faça isso. Precisamos de clareza e de conforto — eu disse sarcasticamente, sentindo o peso da mentira na língua.

Eu estava ali, o estrategista frio, calculando escoltas e perímetros de segurança, quando meus olhos vagaram pelo salão inferior, mergulhado na penumbra azulada. O ar fugiu dos meus pulmões como se eu tivesse levado um soco brutal no plexo solar. No meio da multidão, um vestido vermelho escuro cortava o ambiente como uma ferida aberta. Era ela. Clara.

O choque foi paralisante, um raio que atravessou minha espinha. O que ela está fazendo aqui? Por que ela está vestida para matar no meu clube, no meio desses abutres? Mas o que veio a seguir foi a destruição total da minha sanidade. Vi o gringo se aproximar. Vi a mão dele, imunda e atrevida, deslizar pela cintura dela. Vi Clara sorrir para ele. Um sorriso que não era dela... era meu. Tudo nela era meu por direito de conquista e de alma.

Quando ela o puxou pela mão em direção aos quartos privativos, senti minha pressão arterial subir a níveis perigosos. Meu peito estava sendo esmagado por uma mão invisível, uma agonia que subia pela garganta. Não era mais como se minhas bolas estivessem sendo apertadas por um torno; era como se meu coração estivesse sendo arrancado vivo. Caralho! Eu vou matar esse desgraçado. Vou arrancar as mãos dele por ter ousado tocá-la.

Ela me enfrentou com um desprezo que doeu mais que qualquer ameaça russa, mais que qualquer faca encostada na minha garganta. Quando ela se deitou na cama, desafiando meu comando, e disse que ficaria com ele, o sangue ferveu em minhas veias até quase entrar em combustão. O gringo fugiu como um rato acuado, sentindo o cheiro da morte que emanava de mim, mas eu só conseguia ver a Clara. A minha Clara, agindo como uma desconhecida.

— Não me faça perder a paciência, Mel... — tentei manter o controle, as mãos cerradas até os nós dos dedos ficarem brancos e sem sangue. Eu estou morrendo por dentro, Clara. Por favor, não faz isso comigo.

— Agora você tem paciência para falar comigo? — ela gritou, a voz embargada de mágoa.

Cada palavra dela era uma faca cega entrando lentamente no meu coração, girando na ferida que eu mesmo tinha aberto com o meu silêncio covarde. Eu queria gritar a verdade. Queria dizer que estava vivendo um pesadelo acordado, que a mãe das minhas filhas estava morrendo em casa e que os russos estavam caçando cada pessoa que eu amava. Queria implorar perdão por ter sumido. Mas eu estava travado. O Imperador estava mudo, sufocado pela própria culpa e por um ciúme que o consumia como ácido.

Como eu explico que te deixei no escuro para tentar te salvar da luz podre da minha vida? Como eu te digo que estou quebrado, Clara?

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