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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 154

POV/ Adrian

O corredor do hospital estava mergulhado em um silêncio artificial e pesado, quebrado apenas pelo zumbido elétrico e irritante das luzes fluorescentes que faziam tudo parecer pálido e sem vida. O cheiro de éter e morte parecia impregnado nas paredes. Isadora estava encostada na parede oposta à porta do quarto, observando-me com uma mistura de choque e um cansaço que beirava a exaustão. Eu ainda tinha o braço imobilizado, o peso da tipóia me lembrando da minha fragilidade, mas a dor física era apenas um ruído de fundo, uma nota baixa em uma sinfonia de caos.

— Você precisa me explicar o que foi tudo aquilo, Adrian — ela começou, a voz baixa, mas afiada como uma lâmina de bisturi. — O sumiço, a frieza, o jeito que você a tratou antes de tudo desmoronar. Você agiu como um babaca completo.

Respirei fundo, sentindo o curativo repuxar no meu ombro, uma fisgada que não se comparava ao aperto no meu peito. Como explicar a estratégia de um homem que está disposto a se tornar o vilão da própria história apenas para manter sua rainha viva?

— Eu estava sendo caçado, Isadora. Azazel não queria apenas a minha empresa; ele queria o meu ponto fraco. E ele o encontrou no momento em que pôs os olhos na Clara. Eu precisei afastá-la. Precisei fingir que ela não significava nada, porque cada olhar de afeto que eu desse a ela seria uma sentença de morte assinada. No mundo de Azazel, o amor não é uma virtude, é um alvo.

Dei um passo em direção à porta, o som das minhas botas ecoando no piso de linóleo. Olhei pelo vidro a silhueta da Clara na cama, cercada por máquinas que bipavam em uma contagem regressiva para a minha própria sanidade.

— Eu fui um canalha, eu sei. Mas foi o único jeito de ganhar tempo para rastrear o sistema deles. Quando ela acordar, vou contar cada detalhe. Cada mentira, cada código, cada gota de sangue que derramei. Se depois disso ela decidir que eu sou o monstro que ela não quer por perto... eu vou deixá-la ir.

Meu peito se apertou com a própria mentira que acabei de proferir. Minha boca diz que a deixaria ir, mas minha alma grita que eu a prenderia em uma gaiola de ouro antes de permitir que ela se afastasse um centímetro de mim. Isadora me encarou, os olhos estreitos, tentando ler as camadas de sombras no meu rosto.

— "Gostar" é uma palavra para pessoas normais, Isadora. O que eu sinto pela Clara é uma patologia. É uma possessão que consome meus ossos. Eu não a amo como os poetas escrevem, com flores e promessas vazias; eu a amo como um pulmão ama o oxigênio enquanto está sendo sufocado. Ela não é um desejo, ela é uma necessidade biológica. Se ela for embora, eu não vou atrás dela para trazê-la de volta... eu vou atrás dela porque eu não sou capaz de habitar um espaço geográfico onde ela não esteja. Ela é a minha gravidade, e eu prefiro ver o universo colapsar a permitir que ela escape da minha órbita. Sem ela, eu sou apenas um sistema operacional sem código, uma máquina vazia esperando o desligamento final.

— Você é louco, Adrian — ela sussurrou, a voz carregada de um temor genuíno.

— Eu sou completamente por ela — respondi, voltando minha atenção para o vidro, para a única coisa que importava naquele hospital. — Mas eu nunca estive tão lúcido em toda a minha vida.

O visor do monitor cardíaco lá dentro pulsava. Beep. Beep. A frequência dela era o meu único relógio. Se aquele coração parasse, o meu mundo pararia junto. Eu não era mais o Imperador; eu era apenas um satélite condenado a girar em torno dela para sempre.

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