POV/ ADRIAN
Uma semana.
Sete dias de bips constantes, cheiro de éter e o silêncio torturante de uma Clara sedada. O diagnóstico era pesado: faturas nas costelas pela massagem cardíaca brutal que eu fiz, uma fissura no crânio pela queda e o pulmão ainda se recuperando da água e das drogas. Ela estava ali, imóvel, sendo mantida em um sono induzido para que o corpo não desistisse de lutar.
E eu não saí do lado dela.
Meu ombro latejava com uma dor lancinante que subia pelo pescoço e descia até a ponta dos dedos. A bala tinha sido extraída, mas eu me recusava a usar a tipóia ou a tomar qualquer sedativo que me fizesse apagar. Eu trocava meus próprios curativos, olhando para o buraco na minha carne com uma satisfação doentia; era a minha penitência. Se eu não estivesse sentindo dor, eu não merecia estar ali.
— Adrian, a Sarah... os médicos da UTI disseram que o quadro dela é crítico. Ela está chamando por você — Mathew murmurou na porta do quarto.
Eu nem me virei. Continuei segurando a mão da Clara, sentindo a pele dela finalmente começar a esquentar.
— Sarah teve dez anos para ser mãe e esposa. Ela escolheu o vazio. A Clara teve seis meses e deu a essas meninas mais amor do que elas receberam a vida inteira. A minha prioridade está nesta cama, Mathew. Se a Sarah quiser se despedir, que faça isso com os aparelhos. Eu não vou sair daqui.
Minhas filhas entraram no quarto logo depois, trazidas pela Adelaide, que parecia ter envelhecido dez anos em uma semana. Elas vinham da escola direto para o hospital. A rotina agora era cercada por dez seguranças novos, homens de preto que vigiavam cada centímetro do corredor.
Geovana subiu no meu colo, aninhando-se contra o meu peito são, enquanto Ângela se sentou na beira da poltrona, encostando a cabeça no meu braço machucado. Eu fiz uma careta de dor, mas não as afastei.
— Papai? — Geovana sussurrou, olhando para a Clara com uma tristeza profunda. — Se você quiser se casar com a Clara... eu deixo.

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