POV/ ADRIAN
Aqueles dois dias foram os mais longos da minha vida. Eu estava fisicamente ali, levei as meninas para casa, dei banho nelas, tentei comer, mas minha mente nunca saía daquele hospital. Eu contava os minutos.
Finalmente, no sábado, recebemos a autorização.
Levei as meninas e a Isadora até o quarto. Quando abri a porta, a Clara estava sentada, encostada nos travesseiros, ainda pálida, mas com brilho nos olhos. Ângela e Geovana correram e se aninharam nos pés da cama, conversando sem parar, contando tudo o que tinha acontecido.
— Você não vai morrer né? Você prometeu. — Geovana perguntou, segurando a mão dela.
Clara riu, uma risada ainda fraquinha, mas real.
— Mas eu não morri, pequena. Eu prometi, não prometi? Vou viver para sempre.
As meninas ficaram ali, agradecendo do jeito delas, contando que tinham rezado e que agora iam cuidar dela. Eu fiquei parado na porta, apenas absorvendo a cena. Isadora percebeu o clima, deu um beijo na Clara e puxou as meninas para fora.
— Vamos deixar o papai conversar um pouquinho com ela — Isadora disse, fechando a porta atrás de si.
O silêncio tomou conta do quarto. Aproximei-me da cama com o coração na boca. Sentei-me na cadeira ao lado dela e peguei sua mão, sentindo o calor da sua pele.
— Me desculpa, Clara... — minha voz falhou. — Me desculpa por ter deixado você passar por tudo aquilo. Eu deveria ter te protegido melhor.
Ela apertou minha mão com a força que tinha e me olhou fixamente.
— Não pede desculpa, Adrian. Obrigada por ter vindo me buscar. Obrigada por tudo o que você fez...
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Alguns dias se passaram e a manhã da alta chegou com um sol irônico, brilhando forte demais através das janelas do hospital. Eu estava de pé, encostado na porta, observando a Clara terminar de se vestir com a ajuda da Isadora. Meu ombro ainda latejava sob a tipóia que eu finalmente aceitara usar, mas a dor real estava no meu estômago enquanto eu via as malas dela prontas.
— O carro está lá embaixo, Clara — falei, tentando manter a voz suave. — A Adelaide já preparou o seu quarto na mansão. As meninas estão decorando tudo com flores. Elas mal podem esperar para te receber de volta.
Clara parou o que estava fazendo. Ela se virou devagar, e o olhar que me deu não tinha o brilho de paixão de antes, nem o pavor que vi naquele tanque. Era um olhar de gelo. De exaustão pura.
— Você e o Imperador são as duas faces da mesma moeda mentirosa — ela continuou, implacável. — E eu não quero nenhuma delas na minha vida agora.
— Clara, por favor... — Minha voz falhou. O pânico de perdê-la era maior do que a dor de qualquer ferimento.
— Então me deixe ir. Já combinei tudo com a Isadora. Se você me ama, me dê a única coisa que me tirou desde que entrei naquela mansão: a minha escolha.
Eu queria trancá-la naquele quarto. Queria colocá-la em um jato e levá-la para onde só eu tivesse a chave. O Imperador dentro de mim rugia para não deixá-la cruzar aquela porta. Mas ao olhar para o rosto dela, para as marcas que o trauma deixou e que minhas mentiras aprofundaram, eu soube que, se a forçasse agora, eu a perderia para sempre.
— Tudo bem — sussurrei, sentindo meu mundo desmoronar. — Onde você vai ficar?
— Em um apartamento que a Isadora alugou. Com o meu dinheiro, Adrian. Não o seu.
Eu não disse mais nada. Apenas fiz um sinal para que um dos meus seguranças ajudasse com as malas. Ela passou por mim sem olhar para trás, um fantasma do que fomos.
Fiquei parado no quarto vazio, com o cheiro dela ainda impregnado no ar. O gênio da tecnologia que podia rastrear qualquer sinal no planeta sentia-se, pela primeira vez, completamente cego. Eu a deixaria ir. Mas, como eu prometi, eu seria a sombra dela. Ela não me veria, mas eu estaria lá. Sempre. Guardando cada passo até que ela pudesse me olhar de novo sem sentir nada além de paz.

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