POV/ CLARA
Tentar me reconstruir ao longo desse último mês foi a tarefa mais difícil da minha vida. Minhas feridas físicas estavam fechadas; as marcas nas costas e no crânio agora eram apenas linhas rosadas que eu evitava olhar no espelho. Mas as feridas de dentro... essas ainda sangravam toda vez que eu fechava os olhos e sentia o gosto da água gelada.
Eu me sentia uma estranha no meu próprio corpo. Isadora era maravilhosa, mas eu sabia que ela escondia algo. O apartamento era bom demais, a comida nunca faltava e, às vezes, eu tinha a sensação estranha de que, quando eu saía na varanda para ver o rio, havia um par de olhos me seguindo lá de baixo. Eu tentei me convencer de que era paranoia, um resquício do trauma, mas o cheiro de sândalo parecia impregnado no ar, mesmo quando ele não estava por perto, na verdade estava.
Eu estava em terapia, tomando remédios para os pesadelos e tentando entender como o meu "acerto de contas" ao sair da mansão tinha vindo com tantos zeros à direita. Eu achava que o Adrian estava tentando comprar o meu perdão, e estava decidida a não vender.
Mas o Adrian não j**a pelas regras.
Desde que recebi alta e ele começou a invadir minha casa todos os dias, o Adrian inventou um novo ritual: ele insiste em passar pomada cicatrizante nos meus machucados. Mesmo com a Isadora e eu dizendo que não era necessário, ele fazia questão. Ele repetia, com aquele olhar sombrio, que eu só tinha aquelas marcas por causa dele e que ele cuidaria de cada uma.
Era uma tortura sentir aqueles dedos grandes e firmes deslizando na minha pele. O problema é que alguns arranhões eram bem baixos, quase no início das minhas coxas, perto demais de onde eu não queria que ele chegasse. E mesmo quando deu 20 dias e ele ainda insistia em passar pomada em cicatrizes que obviamente já estavam fechadas. Era a desculpa dele para me tocar, e a minha desculpa para deixar.
Um dia, enquanto ele estava ajoelhado na minha frente, eu me movi para tentar aliviar a tensão e acabei esbarrando nele. Recuei o quadril por instinto, mas foi o suficiente para sentir o quão duro o membro dele estava através da calça de alfaiataria.
Meu Deus, ele está pronto para me rasgar ao meio aqui mesmo, no meio da sala.


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