POV/ CLARA
Para testar os limites dele, comecei a abusar da sua "boa vontade". Eu queria ver até onde o Imperador desceria por mim.
— O quadro da sala está torto — eu disse, sem olhar para ele, enquanto ele deixava a Geovana brincar no tapete.
Ele se levantou, em silêncio, e ajustou a moldura.
— Ainda está torto, Adrian. Dois milímetros para a esquerda.
Ele ajustou.
— Agora um para a direita. Não, desce um pouco.
Ele fez isso dez vezes. Sem reclamar. Sem aquela arrogância que costumava dobrar o mundo. Onde estava o homem que dava ordens a governos? Ah, sim, estava medindo o prumo de uma gravura de flores para não me irritar.
No dia seguinte, eu decidi que queria o sofá em outra parede.
— Adrian, esse sofá está horrível aqui. Muda de lugar?
Ele não me pediu para levantar-se. Ele simplesmente apoiou as mãos na base do estofado e arrastou o móvel comigo em cima. Vi os músculos do braço dele saltarem sob a camisa branca, o tecido esticando no ombro que eu sabia que ainda estava em recuperação. Ele não soltou um único gemido.
— Melhor assim? — ele perguntou, a voz grave me fazendo estremecer.
— Não. Ficou péssimo. Volta para o lugar original.
Ele voltou. Em silêncio. Meu Deus, ele é um trator humano. E por que isso me deixou tão... animada? Traidora. Eu sou uma traidora do meu próprio feminismo.
Trinta minutos depois, ele estava na minha porta. Encharcado da chuva, com três sacolas de comida mexicana e uma expressão de quem teria atravessado um furacão se eu tivesse pedido nachos.
— Aqui — ele disse, ofegante. — Pedi para dobrarem a pimenta, como você gosta.
Uma noite eu estava distraída, tentando esquentar umas tortilhas extras, quando o desastre aconteceu. Eu era uma negação na cozinha, e na minha lerdeza, acabei deixando o pano de prato perto demais da chama.
O fogo subiu rápido. O alarme de incêndio começou a apitar de forma ensurdecedora. Entrei em pânico, mas o Adrian foi mais rápido. Em vez de procurar água, ele arrancou o paletó caro e, com movimentos precisos, abafou as chamas no fogão antes que o fogo se espalhasse.
— Adrian! O seu terno! — eu gritei, rindo entre o desespero e a diversão ao ver o tecido de grife chamuscado.
— O terno não importa. Você está bem? Se queimou?
Ele largou o paletó de lado e correu até mim, segurando meu rosto com as mãos firmes, revistando cada milímetro em busca de qualquer dano.

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