POV/ CLARA
Fomos para o sofá. A luz da sala estava apagada, restando apenas o brilho da tela e o calor do corpo dele ao meu lado. O vinho tinha deixado meu corpo leve, e o balanço das imagens de O Chamado me fez cochilar.
Em algum momento, senti mãos grandes e cuidadosas me moverem. Acordei deitada sobre um edredom macio estendido no tapete, bem na frente do sofá. O brilho da TV agora era apenas um clarão azulado no escuro tocando algumas músicas internacionais aleatórias. Senti algo se arrastando atrás de mim. Um calor sólido, firme, que pressionou minhas costas.
Meu coração disparou. Tentei me virar, mas um braço pesado me envolveu, me puxando para trás até que minha nuca encontrasse o peito dele.
— Calma... sou eu — a voz do Adrian vibrou no meu ouvido, rouca, o hálito quente batendo na minha pele.
— Por que você faz isso? — sussurrei, sentindo o ar fugir. — Você tem tudo, Adrian. Bilhões, poder, o mundo aos seus pés. Por que insiste em vir aqui todo dia?
— Eu já disse. Nosso corpo sabe a resposta. Mas se você quer ouvir... eu te amo, Clara. De um jeito que não me deixa escolha.
— Eu não sei o que fazer com isso. A Isadora me contou sobre a Bahia, sobre como você pagou tudo. E sobre a Sarah... como ela está?
— Os rins dela pararam — ele disse, seco. — Ela está em uma cama na mansão, cercada de aparelhos. As meninas precisam de você.
— E você? — Girei meu corpo no edredom, ficando de frente para ele. Apoiei-me no cotovelo para encará-lo de cima. Nossos rostos estavam a centímetros. — Você precisa de mim?
— Eu necessito de você. Quero que você precise de mim. É só isso que importa.
— Adrian... de onde você conhece o Imperador? Foi você que falou de mim para ele?
O olhar dele mudou. O brilho predatório voltou, substituindo o carinho.
— Tem uma coisa que eu preciso te falar, Clara. Mas se eu falar agora, você vai me mandar embora. E eu não vou embora. Não hoje.
— Você me confunde — murmurei, frustrada.
— Eu nunca menti sobre o que sinto.
— Ah, é? — Senti o vinho me dar uma coragem perigosa. Sentei-me no edredom, cruzando as pernas e encarando-o de frente. — Então qual foi a maior loucura de amor que você já fez por alguém?
Ele deu um sorriso de canto, sombrio e possessivo, começando a enumerar nos dedos:
Eu estava doida de tesão. Cada poro da minha pele gritava por ele. Eu sentia a umidade pecaminosa entre minhas pernas, o latejar do meu clitóris contra o tecido fino da calcinha, marcando a seda. Eu queria esquecer a raiva, as mentiras e o medo. Queria que aquele homem o monstro, o pai, o babaca, não importava me tomasse ali mesmo, no tapete da sala, até que eu não lembrasse nem do meu próprio nome.
— Adrian... — Inclinei meu rosto, esfregando minha bochecha contra a palma da mão dele para sentir o calor daquela pele áspera em toda a minha extensão. — Você é completamente maluco.
— Eu sei... sou louco por você. Completamente — ele sussurrou, encostando a testa na minha. Nossos lábios estavam tão próximos que eu podia sentir o hálito dele de uísque e desejo.
Uma música lenta começou a ecoar pela sala, algo melancólico e envolvente que preenchia os espaços vazios entre nós. Adrian fixou os olhos nos meus e afastou uma mecha de cabelo do meu rosto com as costas dos dedos. O toque foi tão leve que pareceu um suspiro, mas deixou um rastro de fogo por onde passou.
— Eu desejo você como, eu nunca desejei nada nesta vida, Clara — ele sussurrou, e a vibração da sua voz atingiu a base da minha coluna, me fazendo estremecer. — Eu faço qualquer coisa por você. Só me diz o que você quer que eu faça para me perdoar. Eu faço. Qualquer coisa.
Soltei um riso baixo, a dormência do vinho me deixando corajosa e flutuante.
— Eu estou de bom humor agora, Adrian. E essa música... ela é boa demais para ser desperdiçada.
Ele sorriu de canto, um brilho de diversão predatória surgindo em seus olhos.
— Então aproveite — eu disse, segurando o rosto dele com as duas mãos, trazendo-o para perto de mim — Você tem o tempo desta música para tocar em mim. Mas só o tempo desta música.

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