Continuação Crossover - Conheçam Heloísa a nova protagonista!
( COMPRADA PELO MAFIOSO OBCECADO: Contrato com a Virgem)
POV/ CLARA
Adrian e Killian estavam imersos em uma conversa sombria do outro lado do restaurante em Milão. O ambiente era luxuoso, mas o silêncio que nos cercava era garantido pelo poder absoluto do marido da mulher que estava sentada à minha frente. Eu estava fascinada por Heloísa. Havia uma força nela que não era óbvia, mas que pulsava em cada gesto. Ela, como eu, estava fora dos padrões uma beleza real, curvilínea, imensamente gentil. Tinha olhos azuis que pareciam ler a alma, pele alva e cabelos escuros que caíam em ondas até as costas. Mas não era apenas a aparência; a aura de Heloísa era magnética.
Adrian já havia me avisado que eu conheceria a mulher mais fantástica do mundo. Ela era o porto seguro de um homem que, no passado, frequentava o Ambrosia em busca de estímulos que seu cérebro não podia produzir. Killian Moretti não era apenas um bilionário arrogante; ele era um líder da máfia italiana, um homem com uma lesão no tálamo que o transformou em um psicopata insensível, um sociopata que operava sem o "freio" das emoções humanas.
As histórias que sopravam sobre Killian eram de arrepiar a espinha. Diziam que ele já havia derrubado um avião comercial apenas para eliminar um único traidor. Havia boatos de que ele incendiou um presídio inteiro para garantir que um inimigo não saísse vivo, e que cruzou a fronteira da Argentina sozinho para recuperar um carregamento de armas barrado, deixando um rastro de corpos para trás. Ele não era "legal". Ele era justo à sua própria maneira e dotado de uma honra sombria, mas era, essencialmente, terrível.
Quando Heloísa foi sequestrada, Killian literalmente colocou a Itália abaixo. Ele torturou e executou centenas de pessoas, sangue frio e sem hesitação, até encontrá-la. Para um homem que não sente nada, o que ele fez por ela foi um massacre de proporções bíblicas.
Heloísa tinha uma beleza delicada, quase frágil, mas seus olhos carregavam uma profundidade que eu conhecia bem. Era o olhar de quem já tinha visto o abismo de perto e sobrevivido. Enquanto os homens falavam sobre a Tec Moretti e acordos que decidiam o destino de nações, nós compartilhávamos o peso de amar monstros. Mas o dela, de fato, ocupava o topo da cadeia alimentar do crime.
Em um movimento distraído, meu braço esbarrou na taça de cristal, que se estilhaçou no chão de mármore. O som ecoou pelo restaurante vazio. Antes que qualquer funcionário pudesse se aproximar, Heloísa já estava de pé.
— Deixe comigo, Clara. Você pode se cortar — ela disse, a voz suave e calma.
Com uma humildade que não condizia com as joias que usava, ela se abaixou e começou a recolher os cacos maiores com um cuidado quase materno. Notei a gentileza em cada movimento seu. Isadora havia me contado que ela era de Paraisópolis, em São Paulo, e que a vida não tinha sido nada generosa com ela.
— Obrigada, Heloísa... mas você não precisava fazer isso — eu disse, enquanto ela voltava a se sentar, limpando as mãos com um guardanapo de linho.
— É força do hábito — ela sorriu, um sorriso triste que carregava anos de renúncia. — Minha mãe morreu quando eu tinha doze anos, deixando minha irmã de apenas cinco para eu criar. Como meu pai era caminhoneiro e vivia na estrada, fomos morar com minha avó, mas logo ela também descobriu um câncer de mama.
Ela fez uma pausa, olhando para as próprias mãos, as mesmas mãos que limparam tantas feridas.
— Eu cuidei da minha mãe, da minha avó e da minha irmã por muito tempo antes de o câncer levar as duas mulheres da minha vida. Aprendi a limpar a bagunça para que ninguém mais tivesse que lidar com ela. Minha mãe sempre dizia que eu precisava ser a Âncora das pessoas. Ela me ensinou que eu deveria ser gentil, fazer o bem e ajudar, não importa o quão difícil fosse a situação.
Senti um nó na garganta. Heloísa não era apenas uma sobrevivente; ela era um porto seguro. Enquanto eu lutava para pertencer ao Adrian, ela lutava para ser o equilíbrio de um homem que nem sequer sabia o que era sentir.
— Você é a âncora dele, não é? — perguntei, olhando de relance para Killian.
— Eu tento ser — ela sussurrou. — Mas é difícil ancorar um navio que não tem bússola. O Killian é um deserto, Clara. Mas ele é o meu deserto. E, de alguma forma, ele me faz sentir que toda a dor que passei cuidando dos outros me preparou para não desistir dele.
— E seu pai? — perguntei
— Um crápula, abusador! Ela afirmou
— O meu também era. — afirmei. Senti um nó na garganta. Eu sabia o que era crescer em um ambiente de escassez e dor.
Sabia o que era ter um pai que, em vez de proteger, era o monstro debaixo da cama. Isadora havia me revelado que Heloísa também fora molestada pelo pai, uma marca terrível que compartilhávamos em silêncio.
— Eles são intensos, não são? — Heloísa me perguntou, sorrindo com cumplicidade enquanto observava Adrian me olhar com aquela possessividade que eu já conhecia tão bem.
— Às vezes sinto que estou no olho de um furacão — confessei, sentindo o peso do diamante no meu dedo.
— No começo, é assim — ela tocou minha mão com suavidade. — Mas logo você percebe que o furacão é a única coisa que te protege do resto do mundo. Homens como eles não amam pela metade, Clara. Se o Adrian te escolheu, ele queimaria Porto Alegre inteira só para te ver sorrir por um segundo. Igual o Killian fez por mim. E olha que sou só uma secretária.
— E eu sou só a babá — respondi, e nós rimos baixinho da ironia dos nossos destinos.
Olhei para Adrian. Ele parecia um deus de ébano e marfim sob as luzes da Itália. Lembrei-me de novembro, do aniversário no Ambrosia, e de como aquele homem tão letal cuidava de mim com uma ternura quase sagrada.
— Eu queria te agradecer pessoalmente — comecei baixando o tom de voz. — Adrian me contou que o Killian foi quem negociou com os russos. Se não fosse pelo seu marido, o Adrian teria sido caçado até o fim do mundo pelo que fez para me resgatar. Eu sinto que devo a paz que tenho hoje a vocês.
Heloísa olhou para Killian por um segundo, e vi um misto de temor e algo incompreensível em sua expressão.
— O Killian faz o que é necessário para manter o mundo dele em ordem — ela respondeu. — Mas a minha vida mudou tanto em seis meses que às vezes nem me reconheço. Fui sequestrada por causa de um bilionário, ameaçada de morte... e agora estou aqui, casada com um homem que me comprou através de um contrato forçado para salvar o que restou da minha família.

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