POV ADRIAN
A Itália era o cenário perfeito para consolidar o que eu já sabia: Clara era o centro do meu universo, e eu faria o mundo girar ao redor dela. Durante aquela semana, percorremos o país com a urgência de quem queria recuperar o tempo perdido. Eu a levei de Milão à Toscana, registrando cada ângulo do seu rosto contra as ruínas de Roma e os canais de Veneza. Eu tinha milhares de fotos dela em meu celular; imagens que eu guardaria como relíquias do momento em que ela finalmente pareceu entender que não precisava mais fugir.
Teve um dia em que a levei ao Estádio Olímpico para ver um amistoso entre a Seleção Brasileira e a Itália. Ver o contraste do brilho nos olhos dela com a fúria da torcida foi revigorante. Ela torcia com uma paixão que me fazia querer possui-la ali mesmo, em meio ao caos das arquibancadas.
Mas nem tudo era euforia.
Em vários momentos, notei que a cor fugia do seu rosto. Ela cambaleava levemente, o estômago reclamando de refeições que, em Porto Alegre, ela devoraria com prazer.
— É o jet lag, pequena — eu sentenciava, segurando-a pela cintura para que não caísse. — Seu corpo é frágil e não está acostumado com a pressão de voos transatlânticos e a mudança brusca de fuso.
Eu a obrigava a descansar, observando-a dormir por horas enquanto eu resolvia pendências do império pelo telefone. Eu acreditava piamente que era apenas exaustão física, o preço de uma rotina de prazer e viagens que ela nunca havia experimentado. Minha preocupação beirava a paranoia; eu não admitia que nada, nem mesmo um enjoo passageiro, estragasse a perfeição do que eu havia planejado.
Para selar a viagem, decidi pelo isolamento total. Aluguei um iate de luxo para passarmos o último fim de semana no Mediterrâneo.
— Você tem licença para pilotar isso, Adrian? — ela perguntou, rindo enquanto o vento bagunçava seus cabelos no convés.
— Com os contatos certos e os valores adequados, uma licença é apenas um pedaço de papel que aparece em minutos — respondi, assumindo o leme. — E, sinceramente, eu saberia comandar essa embarcação até no escuro. Eu sei exatamente como guiar o que me pertence.
O iate particular cortava as águas cristalinas da costa italiana como uma lâmina de aço polido. Eu havia dispensado toda a tripulação assim que ancoramos em uma enseada isolada; naquele final de semana, o único capitão ali era eu, e o meu único destino era o território do corpo de Clara.
Ver ela ali, apoiada na amurada com aquele biquíni de tiras finas que eu mesmo escolhi propositalmente pequeno e provocante , era um convite ao caos. O vento trazia o cheiro do sal e a doçura inconfundível do seu perfume de frutas vermelhas, uma mistura que embriagava meus sentidos mais do que qualquer vinho safra especial que tínhamos a bordo.
Eu não tive paciência para preliminares sociais. O desejo latejava, bruto, exigindo reivindicação.
Aproximei-me por trás, sentindo o calor do sol irradiando da pele dela. Enquanto ela sorria, maravilhada, apontando para os golfinhos que saltavam ritmicamente à distância, eu a prensei contra o metal frio da amurada. O choque térmico arrancou um arquejo de seus lábios. Não tirei o biquíni; a urgência era tamanha que apenas afastei o tecido lateral com um movimento brusco, expondo sua intimidade úmida ao ar marinho e ao meu olhar faminto.
Caí de boca ali mesmo, sem aviso.
Enterrei meu rosto entre suas pernas, explorando cada centímetro dela com a língua, devorando-a enquanto ela cravava as unhas no corrimão de inox para não desabar. Eu queria que ela sentisse a vastidão do mar enquanto eu a consumia. O som das ondas batendo no casco se fundiu ao gemido profundo que escapou da sua garganta quando enfiei dois dedos nela, dedilhando-a com uma agressividade controlada que a fazia tremer.
— Adrian... aqui não... alguém pode ver — ela sibilou, mas seu corpo a traía, arqueando-se para me dar mais acesso.
— Não há ninguém em milhas, pequena — sussurrei contra sua pele quente, subindo os beijos por sua coluna até morder a base do seu pescoço. — Só o mar, o sol e eu. E você é minha em todos os elementos.
Eu a virei de frente, forçando-a a olhar nos meus olhos enquanto eu continuava a provocá-la. Eu a queria de todas as formas, sob o sol implacável daquela tarde italiana. Depois de devorá-la com a boca, sentindo o gosto dela misturado ao sal marinho, a urgência me atingiu como uma tempestade. Enfieis dois dedos nela com força, sentindo o aperto úmido e as contrações desesperadas.
Clara montou em mim dentro da banheira, a pele molhada deslizando contra a minha sob a luz prateada da lua. Eu não queria brutalidade agora; eu queria sentir cada milímetro do encaixe dela. Segurei sua cintura, ajudando-a a descer devagar, preenchendo-a até o limite enquanto ela soltava um suspiro que ecoou pela vastidão do oceano.
— Adrian... — ela sussurrou, passando as mãos molhadas pelo meu rosto, os olhos fixos nos meus.
Aquele era o sexo mais apaixonante que já tínhamos feito. Não havia pressa. O calor da água, a fricção suave e o ritmo ditado pelo balanço do iate criaram uma sinfonia de prazer que parecia nos tirar do chão. Eu a puxei para um beijo profundo, nossas línguas se encontrando em uma dança faminta, enquanto nossos quadris se moviam em um compasso perfeito.
A temperatura da água e o calor dos nossos corpos subindo em uníssono nos levaram ao limite rapidamente. Eu sentia as paredes dela pulsando ao redor do meu pau, implorando pela minha liberação. Clara arqueou as costas, a cabeça jogada para trás sob o brilho das estrelas, e eu soube que ela estava lá.
Gozamos juntos. Foi uma explosão de êxtase que pareceu parar o tempo. A fricção final, o calor extremo e a conexão absoluta nos fizeram desabar um contra o outro, o peito arfando em sincronia enquanto o jato da hidromassagem continuava a massagear nossa pele relaxada.
Ficamos ali por muito tempo, abraçados na água morna, o silêncio da noite sendo interrompido apenas pela nossa respiração voltando ao normal. Eu não queria mais nada. Nem dinheiro, nem império, nem comida. Eu só queria aquele momento eterno.
— Você está bem? — perguntei, beijando sua têmpora.
— Estou completa — ela respondeu em um sopro, aninhando-se no meu peito.
Eu a observei dormir nos meus braços mais tarde, já na cama da cabine principal.

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