POV/ CLARA
As portas da mansão em Porto Alegre se escancararam, e o ar-condicionado suave me atingiu como um choque térmico, dissipando o calor residual da Itália que ainda parecia impregnado em minha pele. O cheiro de casa era uma mistura inebriante: perfume de limpeza, o frescor do pinho das decorações natalinas e aquela paz silenciosa que eu achei que nunca mais experimentaria.
— CLARA! — O grito em coro cortou o silêncio do hall, vibrando nas paredes de mármore.
Ângela e Geovana eram dois furacões de vida. Elas colidiram contra mim com uma força que quase me derrubou, um abraço coletivo que cheirava a shampoo infantil e inocência — um contraste violento com o cheiro de pólvora e o sândalo caro que me cercaram nas últimas semanas. Ajoelhei-me, apertando-as contra o peito, sentindo o calor dos seus corpos pequenos. Por um segundo, fechei os olhos, deixando que a pureza delas lavasse as sombras que eu carregava.
Mas as meninas não eram apenas minhas. Elas se viraram para o homem que estava como uma sombra protetora atrás de mim.
— Papai! — Geovana exclamou, lançando-se nos braços dele.
Foi nesse momento que a intensidade me atingiu. Adrian, o homem que eu vi dar ordens letais sem piscar, o homem que dias antes negociava com a máfia italiana e me possuía com uma brutalidade possessiva que me deixava sem fôlego, simplesmente se desintegrou. Sua postura gélida de negócios ruiu. Ele pegou as duas no colo de uma só vez, os músculos dos braços — os mesmos que me prendiam com força na cama — agora serviam de balanço para as filhas.
Vê-lo rodar com elas no ar, ouvindo as gargalhadas agudas, era o que sempre desarmava minhas defesas. Ele as colocou no chão, depositando um beijo no topo da cabeça de cada uma, um gesto tão sagrado que parecia uma prece.
— Você demorou uma eternidade! — Geovana reclamou, pendurando-se no meu pescoço, o peso dela me lembrando que eu estava viva, que estávamos todos vivos.

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