POV/ CLARA
O Natal na mansão de Porto Alegre foi a primeira vez que entendi o verdadeiro significado de "lar". O hall estava impregnado com o cheiro de pinho da árvore gigantesca que as meninas insistiram em decorar comigo, pendurando laços e luzes que refletiam em seus rostos ansiosos.
A ceia foi um evento de família como eu nunca imaginei. Isadora estava lá, radiante ao lado de Mathew; Adelaide, nossa governanta, preparou um banquete digno de reis, e até a mãe de Isadora se juntou a nós. O clima era de absoluta harmonia. O peru estava dourado, a mesa farta, mas o meu foco era um só: a farofa de uva passa.
Eu sempre odiei uva passa. O sabor doce misturado ao salgado costumava me causar arrepios, mas naquela noite, eu sentia que poderia morrer se não comesse cada grão daquela travessa.
— Clara, você odeia uva passa — Isadora comentou, rindo ao me ver repetir o prato pela terceira vez. — O que deu em você?
— Não sei... parece que o sabor está diferente hoje. Está maravilhoso — respondi, ignorando a taça de vinho que Adrian havia servido para mim.
O cheiro do vinho, que eu costumava amar, estava me deixando nauseada. Troquei a bebida por um copo de suco de uva bem gelado, tentando disfarçar o mal-estar que subia pela minha garganta a cada risada mais alta na mesa. Mas o corpo tem vontade própria.
No meio da ceia, o solavanco no meu estômago foi impossível de ignorar. Pedi licença às pressas e corri para o banheiro social. O impacto do vômito me deixou fraca. Isadora veio logo atrás e fechou a porta.
— Amiga, você está bem? — Ela perguntou, segurando meu cabelo enquanto eu me recuperava. — Você passou mal no avião, passou mal na Itália... e agora está vomitando o jantar. Clara, você não acha que está grávida?

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