POV/ CLARA
Minhas mãos tremiam tanto que o visor do celular parecia um borrão de luz sob as minhas lágrimas. Quase deixei o aparelho cair ao discar o número da Isadora; eu precisava ouvir uma voz que não fosse a minha própria mente gritando medos ancestrais, sussurrando que eu não era digna desse milagre.
— Amiga? O que aconteceu? Você está bem? — Isadora atendeu no segundo toque, a voz carregada de uma preocupação que me fez desabar.
— Deu positivo, Isa... — Minha voz saiu como um sopro, quase inaudível. — O exame de sangue, a ultrassom... tudo. E não é apenas um. São dois. Gêmeos, Isa. Eu estou esperando gêmeos do Adrian.
Houve um silêncio absoluto do outro lado da linha, um segundo que pareceu uma eternidade, antes de o grito dela quase estourar meu tímpano. Ela estava em êxtase, uma explosão de alegria falando sobre ser madrinha, sobre o enxoval e torcendo para que fosse pelo menos um menino para "quebrar o gelo" daquela casa. Mas eu não conseguia rir. Eu não conseguia sequer sorrir. Em vez disso, o choro veio com uma força devastadora. Um choro soluçado, que vinha de um lugar escuro, frio e profundo do meu peito que eu achei que já tinha cicatrizado.
— Eu não sei o que fazer, Isadora... — solucei, sentindo o ar faltar nos pulmões, como se o consultório estivesse ficando sem oxigênio. — Eu nunca tive uma mãe para me ensinar a amar, para me dizer como segurar um bebê ou como acalmar um choro. A minha mãe morreu quando eu ainda era uma criança que precisava dela, e o que sobrou foi aquele monstro... o meu pai. A única referência de "família" que eu tenho é a dor, o abuso e o medo. Como eu vou criar duas vidas se eu ainda sinto que estou tentando juntar os meus próprios pedaços do chão? E se eu falhar? E se houver um reflexo daquela maldade em mim?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido