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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 245

POV/ CLARA

Minhas mãos tremiam tanto que o visor do celular parecia um borrão de luz sob as minhas lágrimas. Quase deixei o aparelho cair ao discar o número da Isadora; eu precisava ouvir uma voz que não fosse a minha própria mente gritando medos ancestrais, sussurrando que eu não era digna desse milagre.

— Amiga? O que aconteceu? Você está bem? — Isadora atendeu no segundo toque, a voz carregada de uma preocupação que me fez desabar.

— Deu positivo, Isa... — Minha voz saiu como um sopro, quase inaudível. — O exame de sangue, a ultrassom... tudo. E não é apenas um. São dois. Gêmeos, Isa. Eu estou esperando gêmeos do Adrian.

Houve um silêncio absoluto do outro lado da linha, um segundo que pareceu uma eternidade, antes de o grito dela quase estourar meu tímpano. Ela estava em êxtase, uma explosão de alegria falando sobre ser madrinha, sobre o enxoval e torcendo para que fosse pelo menos um menino para "quebrar o gelo" daquela casa. Mas eu não conseguia rir. Eu não conseguia sequer sorrir. Em vez disso, o choro veio com uma força devastadora. Um choro soluçado, que vinha de um lugar escuro, frio e profundo do meu peito que eu achei que já tinha cicatrizado.

— Eu não sei o que fazer, Isadora... — solucei, sentindo o ar faltar nos pulmões, como se o consultório estivesse ficando sem oxigênio. — Eu nunca tive uma mãe para me ensinar a amar, para me dizer como segurar um bebê ou como acalmar um choro. A minha mãe morreu quando eu ainda era uma criança que precisava dela, e o que sobrou foi aquele monstro... o meu pai. A única referência de "família" que eu tenho é a dor, o abuso e o medo. Como eu vou criar duas vidas se eu ainda sinto que estou tentando juntar os meus próprios pedaços do chão? E se eu falhar? E se houver um reflexo daquela maldade em mim?

Decidi que a revelação não poderia ser feita no jantar ou no quarto. Tinha que ser no nosso refúgio: o "Porão". Aquele loft industrial e luxuoso no subsolo era o único lugar onde o mundo lá fora deixava de existir. Ali, Adrian deixava de ser o Imperador implacável para ser apenas o meu homem, e eu deixava de ser a noiva sobrevivente para ser a sua metade.

Passei a tarde organizando o espaço com movimentos lentos, como se cada gesto fosse uma oração. Acendi algumas velas de aroma suave e ajustei a iluminação quente para que o ambiente ficasse acolhedor. Sobre a mesa de centro, coloquei a pequena caixinha de veludo preto. Dentro dela, escondi o teste de farmácia, o laudo médico e aquela imagem granulada da ultrassom, onde dois pequenos pontos brilhavam como estrelas em um céu escuro.

Olhei para aquela imagem pela centésima vez e, finalmente, permiti que minha mão repousasse sobre meu ventre, ainda discreto sob o tecido fino. Eu nunca tive um pai de verdade, mas aqueles bebês teriam o homem mais protetor, feroz e letal do mundo zelando por cada respiração deles. Eu só precisava de coragem para dizer a ele que o nosso destino não pertencia mais apenas a nós dois; ele tinha acabado de ser selado para a eternidade.

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