POV/ Clara
Eu achava que viajar com um bilionário seria como naquelas propagandas de revista de luxo: silêncio absoluto, pessoas impecáveis e um café perfeito equilibrado no porta-copos enquanto a estrada passa como poesia pela janela. Mas, às cinco da manhã, descobri que o único poema possível era o da sobrevivência.
O táxi me deixou em frente à mansão quando o céu ainda era uma mancha escura e gelada. O portão abriu antes mesmo de eu tocar o interfone, como se a casa tivesse olhos.
As gêmeas já estavam a postos, saltitando no hall como dois coelhinhos que tivessem acabado de tomar um banho de cafeína. Mal me viram e vieram correndo com uma energia que nenhum ser humano deveria possuir antes do sol nascer.
Adrian estava na garagem, terminando de acomodar as malas. E, meu Deus... se existisse uma lei contra homens usando camisetas pretas justas, ele estaria na prisão perpétua. O tecido abraçava músculos que eu tentava fingir que não tinha notado e a jaqueta de couro por cima dava a ele um ar de perigo controlado. O cabelo estava levemente bagunçado, como se ele tivesse acabado de sair de um sonho pecaminoso do qual eu infelizmente, não tinha participado.
Quando ele levantou o olhar e me viu, um sorriso quase invisível surgiu no canto dos lábios. Quase. Mas foi o suficiente para minha espinha congelar e incendiar ao mesmo tempo.
— Bom dia — eu disse, tentando manter a voz profissional, o que é um desafio hercúleo quando suas cordas vocais parecem geleia em meio a um terremoto.
— Bom dia, Clara — ele respondeu. Aquele tom grave dele era tão gostoso que dava vontade de engarrafar e ouvir antes de dormir.
Ele indicou o SUV preto enorme atrás dele. Parecia um tanque de guerra blindado e luxuoso. O interior cheirava a couro novo, perfume caro e poder.
— Alugado — ele explicou, casualmente. — Vamos voltar de avião, então deixamos o carro no Rio.
Ajeitei meu vestido verde, o tecido leve que a Isa jurou que realçava minha pele. Prendi o cabelo em um coque firme e segurei minha almofada de pescoço como se fosse um escudo. Eu estava prestes a abrir a porta de trás para ir com as meninas quando senti o toque dele no meu braço. Um toque leve, mas que deixou minha pele formigando.
— Você vai na frente — ele disse. Não era um pedido, era aquela ordem suave que ele dava tão bem. — Preciso de uma copiloto. E você não vai aguentar quando elas começarem a cantar.
— Tudo bem... copiloto — respondi, tentando soar corajosa tinha tido uma noite espetacular com o Imperador e agora passaria 3 dias de viagens com meu chefe gostosão.
Que sorte a minha.
Ele abriu a porta para mim com uma cavalheirismo que me pegou desprevenida. Quando me sentei, o ar-condicionado gelou minha pele e o conforto do banco pareceu um abraço. Adrian assumiu o volante e, por exatos oito minutos, o mundo foi feito de asfalto liso e silêncio...
Até que a playlist da Disney atacou.
De repente, "Livre Estou" explodiu em um volume que provavelmente podia ser ouvido em outros estados. Geovana cantava com a convicção de uma rainha do gelo ferida. Ângela tentava acompanhar, mas inventava o próprio idioma no processo.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido