POV/ CLARA
Quando abri os olhos…
uma lágrima solitária ainda escorria silenciosamente ao lado dos meus cílios.
Olhei para o relógio de cabeceira:
9h da manhã.
As meninas já tinham pulado da cama, arrastando os cobertores no chão como se fosse a trilha sonora de uma aventura começando ali mesmo.
Eu respirei fundo, espreguicei e comecei a chamar cada uma para arrumar o cabelo, escovar os dentes e pegar o pequeno pacote de lanchinhos que tínhamos.
— Hoje é o dia do parque! — Ângela repetia, empolgada, dançando pelo quarto.
— Vamos ver tudo! — Geovana completava, já com os olhos brilhando.
Eu sorri pela primeira vez de verdade desde que acordei.
— Nós vamos em todos! — Ângela anunciou com um brilho determinado nos olhos.
Claro que elas acreditavam nisso. Aos nove anos, a vida não tem limites… mas alguns brinquedos têm. Principalmente os que exigem mais de um metro e quarenta. Ou coragem.
Quando cruzamos os portões do parque…
eu quase deixei escapar a respiração.
Nunca, nem em meus sonhos mais coloridos, eu tinha visto algo tão enorme.
Era como se um pedaço do céu tivesse caído no chão e decidido transformar trilhos, rodas e luzes em magia.
Luzes coloridas piscavam mesmo sob o sol da manhã.
Brinquedos gigantescos — montanhas-russas que pareciam tocar as nuvens — rasgavam o céu com a audácia de quem não tem medo de altura.
A música alta flutuava no ar,
misturando-se ao cheiro doce de pipoca recém-feita e algodão-doce que parecia gritar “você está livre para se perder aqui”.
As meninas ficaram de boca aberta.
Completa e totalmente paralisadas por alguns segundos, como se tivessem acabado de descobrir que o paraíso tinha rodas, luzes e muita coisa para gritar quando girasse.
Eu andei alguns passos atrás delas, observando seus olhos grandes, suas mãos nervosas que queriam tocar tudo ao mesmo tempo…
e a minha própria respiração se ajustou ao ritmo da alegria delas.
Era impossível não sorrir.
Era impossível não sentir que…
por um instante, tudo que importava era aquele momento.
E então, com o ingresso na mão, nós realmente começamos.
Nós começamos pelas atrações infantis: xícara maluca, carrinho b**e-b**e (onde eu levei duas batidas do Adrian fingindo que foi acidente) e elefantes voadores que giravam devagar. O riso das meninas era tão alto quanto os brinquedos, e só de olhar para elas, meu peito aquecia de um jeito doce e estranho.
Eu comi pipoca demais, algodão-doce grudou no meu coque e quase acertei um prêmio gigante na barraca de argolas. Adrian… o homem sério, frio e todo cheio de controle… estava rindo. De verdade. Com os olhos.
Então veio a sugestão proibida.
— Montanha-russa de ponta-cabeça! — Geovana apontou lá para cima, onde o trilho riscada o céu.
O vento me engoliu viva.
Eu gritei como se estivessem me exorcizando.
E, quando percebi que ainda estava ali e inteira eu ri. Ri tão alto que assustei a mim mesma.
Quando a montanha-russa parou, eu estava trêmula, cabelo para todos os lados, tentando lembrar como se respirava. O chão não parava de balançar.
Foi quando senti a mão dele puxando meu cabelo do rosto, com cuidado, como se tocasse algo frágil.
— E então… se divertiu? — perguntou, com aquele sorriso que eu não estava pronta para lidar.
Minha voz falhou.
Meu coração, não.
— Talvez um pouco — respondi, corando.
O riso dele valeu cada segundo do meu drama existencial.
Passamos o dia inteiro ali, até o sol começar a se despedir do céu. As meninas ganharam brindes, tiraram fotos com mascotes que eu nunca tinha visto na vida e dividiram comigo a maior maçã do amor já criada.
Por algumas horas… a Clara adulta desapareceu.
E a Clara menina aquela que nunca pôde finalmente brincou.
Adrian viu isso.
E sorriu outra vez.

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