POV/ ADRIAN
E assim se passaram dois meses.
Entre reuniões estratégicas e viagens internacionais, tentei me manter o mais presente possível.
Eu me vi decidindo tons de amarelo e conversando sobre tecidos de tule.
Nunca me imaginei organizando uma festa de princesas.
Mas com a Clara tudo era tão tranquilo e gostoso que o tempo simplesmente voou.
Enquanto isso, a vida seguia seu curso natural.
A festa se aproximava.
Os ensaios de dança começaram.
No dia do primeiro ensaio, tentei ser apenas o Adrian, o pai dedicado.
Mas quando vi a Isadora, o meu instinto de sobrevivência apitou.
Eu sabia exatamente quem ela era. Cereja.
E tive a certeza absoluta de que ela também me reconheceu.
— Eu te conheço de algum lugar? — ela perguntou, de repente.
O mundo deu um tranco sob os meus pés.
— Não — respondi rápido demais.
Isadora me olhava com uma profundidade desconfortável.
Não era o olhar de quem observa uma coreografia.
Era o olhar de quem estuda um padrão de crime.
Mais tarde, quando as meninas já estavam no banho e a casa silenciava, ouvi passos no corredor.
Eu estava no meu quarto, tirando o paletó, quando Isadora entrou sem bater.
— Então é você — ela disparou.
Levantei o olhar devagar, mantendo a máscara de gelo.
— Do que você está falando?
— Não mente para mim — ela disse, cruzando os braços.
— Eu estudo Direito e sou muito boa em ler homens.
O silêncio se esticou entre nós como uma corda prestes a arrebentar.
— Eu não estou brincando — retruquei, sentindo o peso da acusação.
— Não? Como não? A Clara tem problemas graves de confiança. Quando ela descobrir, ela vai odiar você.
— Eu gosto dela — respondi, antes de conseguir impedir as palavras de saírem. — E estou respeitando cada termo do nosso acordo no clube.
As palavras ficaram suspensas no ar, pesadas e definitivas.
— HA! — ela soltou uma risada seca e sem graça. — Então conta para ela — Isadora rebateu. — Ou eu conto.
Engoli em seco, sentindo o cerco se fechar.
— Não agora. Deixa o aniversário passar. Eu vou contar, eu prometo. Só não atrapalhe o aniversário das minhas filhas. Não faça as meninas pagarem por um erro que é apenas meu.
Isadora me mediu por longos segundos, avaliando a sinceridade na minha voz.
— Um mês — ela sentenciou, por fim.
— Se em trinta dias você não contar a verdade, eu mesma conto.
Assenti, aceitando o pacto.
Eu tinha um mês para descobrir como revelar à mulher que eu desejava que o homem que ela desejava e o chefe dela eram a mesma pessoa.
Um mês para não a perder para sempre.

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