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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 80

POV/ ADRIAN

No meio de toda aquela encenação doce de pai de família, Clara parecia… diferente. Mais silenciosa, mais tensa, agindo como um animal que percebe o perigo antes de todo o resto do bando. No dia em que fomos ao shopping, tudo correu bem demais, de um jeito que agora me parece insultante. Foi leve. As meninas riram alto, correram e se cansaram, e por alguns instantes eu quase acreditei que o mundo podia ser simples, seguro e domesticável. Quase.

Até o telefone dela tocar.

Eu vi tudo em câmera lenta. A cor abandonando o rosto dela de uma vez só, os dedos tremendo de forma incontrolável e o celular escapando da mão, batendo no chão como um disparo abafado que ecoou no meu crânio. Aquilo não era um susto bobo; era reconhecimento. Era o tipo de medo que não nasce com a pessoa, ele desperta. Algo antigo, enraizado e sobrevivente. Quando ela saiu correndo sem olhar para trás, algo dentro de mim saiu do lugar com um estalo violento.

Não era ansiedade. Era a perda total do controle.

Foi como se alguém tivesse enfiado o punho fechado no meu estômago e arrancado o ar dos meus pulmões com as próprias mãos. O rosto dela — desfigurado e quebrado pelo terror — ficou gravado na minha retina como uma sentença de morte. Ela disse que precisava ir, mas o que eu ouvi, o que realmente perfurou meus ouvidos, foi um grito mudo de "não posso ficar". Um nó amargo subiu pela minha garganta, apertando as paredes da minha laringe até a dor se tornar insuportável. Minha boca secou instantaneamente, tomada por um gosto metálico de bile, e meu coração disparou em um ritmo errático que nem eu, com todo o meu treinamento de frieza, consegui dominar.

Eu senti raiva. Não a raiva racional de um homem de negócios, mas aquela primitiva, visceral e violenta que implora por sangue e ossos quebrados. Eu quis correr atrás dela. Quis caçar quem quer que tivesse sido capaz de provocar aquele olhar de agonia no rosto da minha mulher. Mas eu não estava sozinho. Minhas filhas seguravam minhas mãos; pequenas, assustadas e confiando plenamente em mim para protegê-las do que quer que estivesse acontecendo.

Então eu engoli a fúria. Engoli o instinto de predador. Engoli a mim mesmo até sentir o gosto do meu próprio ódio.

Levei-as para casa agindo como um homem funcional, mantendo a máscara de pai perfeito enquanto, por dentro, eu ruía em cinzas. Era sexta-feira, folga da Clara, mas eu sabia que naquela noite eu veria a Mel no clube, e a expectativa me corroía. Pensei em mandar uma mensagem como Adrian, um chefe preocupado com a funcionária desastrada. Seria aceitável, não seria? Ou seria apenas mais uma desculpa patética para tentar aliviar a culpa que começava a me esmagar como um bloco de chumbo?

A verdade me atingiu com a violência de um soco: eu tinha me acomodado. Estava tão acostumado com a presença dela na minha casa, no meu cotidiano e no meu conforto, que me tornei negligente. Quase dois meses atrás, Mathew não tinha encontrado quase nada sobre o passado de Clara, e eu, em vez de exigir resultados, deixei para lá. Esqueci porque estava feliz. Esqueci porque estava confortável. Esqueci porque estava ocupado demais pensando no corpo dela, no sorriso dela e no prazer que ela me entregava todas as noites.

CAP. 80 -  Choque de realidade 1

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