Capítulo 22
Sofia Kim
Acho que nunca vi Richard tão irritado.
Ele olhou para o chiclete grudado na ponta da arma como se eu tivesse acabado de cuspir na cara dele. A veia em seu pescoço pareceu saltar.
— Já chega, Sofia! Entra no carro. Agora!
Cruzei os braços.
— Não vou sem meus soldados.
Ele respirou fundo.
Seus homens ainda apontavam as armas para os meus. Meus soldados não piscavam, prontos para morrer lutando. E Richard… Richard parecia prestes a explodir.
Então ele fez algo que eu não esperava. Guardou a arma — chiclete e tudo — e avançou sobre mim com dois passos largos.
Antes que eu pudesse reagir, me agarrou pela cintura, me jogou por cima do ombro como se eu fosse um saco de sal e começou a andar em direção aos carros. Enquanto meus homens mantinham armas pra ele.
— Já chega, Sofia! — rugiu ele, a voz carregada de fúria. — Entra no carro agora!
— Me solta! — exigi, batendo nas costas dele. — Já falei que não vou sem meus soldados!
— Senhor Brown, solte a senhorita... Digo senhora. Não temos intenção de ir contra o senhor.
— Ah, que seja então! — berrou ele para os homens atrás de nós, sem nem parar de andar. — Entrem nos carros! Todos!
Ele continuou andando, dei alguns socos em suas costas. Senti o corpo dele vibrando de raiva. Cada passo era duro, possessivo.
— Você enlouqueceu?
— Ainda não. Mas estou perto.
Sorri. Estava funcionando.
Quando ele abriu a porta do carro, aproveitei a proximidade. Inclinei a cabeça e inspirei lentamente o perfume em seu pescoço.
— Adoro seu perfume, Richard... bravo parece ainda melhor. — Demorei ali pra provocar.
O corpo dele ficou rígido. Ele parou por meio segundo, o corpo inteiro tensionado. Depois me jogou no banco de trás do carro com menos gentileza do que o necessário.
— Sua peste! — rosnou, entrando logo atrás de mim e batendo a porta com força. — Você veio pra me enlouquecer!
Ele afastou meu rosto do pescoço dele antes de entrar ao meu lado.
Sorri satisfeita.
— Não, querido. Só estou pegando de volta o que é meu. Ainda faltam dois soldados... minhas empresas... meu dinheiro... Você sabe muito bem.
Mas enquanto falava, ajeitei distraidamente a gola de sua camisa.
Ele segurou meu pulso, mas não o afastou de imediato. Seus olhos estavam escuros. A respiração pesada denunciava o esforço para recuperar o controle.
— Você despeja veneno o dia inteiro e agora resolveu bancar a esposa carinhosa? O que está tramando ao me bajular?
Vi que olhou rapidamente ao redor, e gritou para o motorista:
— Dirija.
O carro começou a andar e ele apertou um botão onde nos separou da vista do motorista.
Olhei para ele de lado.
— Tenho a impressão de que deixei o senhor Brown preocupado.
Ele soltou uma risada sem humor.
— Você consegue transformar qualquer operação simples num desastre.
Dei de ombros.
— E mesmo assim veio pessoalmente me buscar. Acho que você ainda gosta de mim.

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