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O CEO da Máfia que me Odeia - Um acordo perigoso romance Capítulo 22

Capítulo 23

Sofia Kim

Subi as escadas ainda sentindo o cheiro dele no meu corpo. Entrei no quarto, fechei a porta e respirei fundo.

Em cima da mesinha havia uma bandeja com aperitivos. Peguei, comi de pé, encostada na janela, olhando pra fora. Desde que cheguei eu não sento na mesa para uma refeição de verdade. Será que hoje, depois de tudo, Richard finalmente sentaria comigo à mesa? Ou isso também era apenas mais um jogo dele?

Bom, porque estou pensando nisso? Não importa.

Decidi não usar couro hoje. Richard parecia sério demais. Escolhi um vestido preto longo, elegante, com fenda lateral discreta e mangas longas. Cobria o suficiente para parecer respeitável, mas ainda marcava o corpo. Prendi o cabelo num coque baixo e coloquei a Glock numa liga na coxa. Nunca saio desarmada.

Quando desci, Richard esperava no fim da escada, de costas, mãos nos bolsos. Nem se virou completamente quando me aproximei. Apenas olhou por cima do ombro, deu uma passada rápida de olhos no meu vestido e disse:

— Vamos.

Entramos no carro em silêncio. Três SUVs nos escoltaram. Pelo vidro, vi meus três soldados conferirem o interior do carro onde eu estava antes de ocuparem suas posições. Só depois deram sinal para a escolta seguir.

Quando o carro parou, percebi que não estávamos num restaurante. Era uma das propriedades dos Brown — um galpão reformado no limite da cidade, cercado por muros altos e segurança pesada. Assim que descemos, entendi tudo.

Então era isso. Nunca existiu jantar nenhum. Não sei por que imaginei que seria diferente.

Richard caminhou na frente sem dizer uma palavra. Eu o segui, sentindo o peso da Glock na coxa. Meus três soldados vinham logo atrás de mim, como se tivessem voltado ao antigo posto de guarda-costas.

Entramos numa sala ampla, mal iluminada, apenas um foco de luz caía diretamente sobre o centro. Um homem estava amarrado a uma cadeira de metal aparafusada no chão. O rosto dele era uma ruína: olho esquerdo completamente inchado e roxo, lábios rachados e sangrando, uma linha vermelha escorrendo do nariz quebrado até o queixo. Cada respiração dele produzia um chiado úmido. Os pulsos estavam amarrados tão apertados que os dedos já estavam roxos.

Ótimo! A diversão só estava começando!

Richard parou a dois metros do homem, as mãos ainda nos bolsos, como se estivesse avaliando uma obra de arte ruim. Fez um gesto quase imperceptível com o queixo para um de seus soldados — um brutamontes careca com cicatrizes no pescoço.

O soldado não hesitou. Agarrou o cabelo do cara com força, puxou a cabeça dele para trás e, com um movimento brutal, bateu o rosto do homem contra a borda da mesa de metal ao lado. Um dente voou. Sangue espirrou no chão de concreto.

O homem gemeu de dor.

Richard inclinou ligeiramente a cabeça e falou com aquela calma perigosa que sempre me arrepiava:

— Então você é o responsável pela morte do meu cliente, não é? — A voz dele ecoou baixa na sala. — Achou que poderia enfiar bala na cabeça dele e simplesmente desaparecer? Porque o matou?

O assassino cuspiu sangue no chão, perto dos sapatos de Richard. Tentou rir, mas saiu mais como um gorgolejo.

— Não sei do que você está falando...

Richard suspirou, quase entediado. Fez outro gesto discreto. O soldado agarrou o homem pela nuca e bateu sua testa contra a mesa. Sangue escorreu imediatamente.

— Já sumiu a amnésia? — Richard perguntou. — Quem mandou matar Victor Hale?

O homem cuspiu sangue.

— Já falei... ninguém. Tive problema com ele e matei.

— E a mensagem na parede?

— Não fui eu.

Richard nem piscou. Ele não precisava sujar as mãos. Bastava um movimento e seus homens obedeciam.

Um dos soldados puxou uma lâmina e fez um corte lento no peito do prisioneiro.

O grito ecoou pelo galpão. Mesmo assim, ele continuou negando.

Enquanto todos prestavam atenção nas respostas do assassino, meus olhos percorriam outra coisa.

As mãos, braços, pescoço, os detalhes, porque pelo jeito eles já estavam há horas tentando tirar informações. Foi então que vi... Atrás da orelha esquerda havia uma tatuagem parcialmente apagada.

Aproximei-me alguns passos, mas sabia que era território Brown e não sabia se tinha autorização pra interferir.

— Richard... — comecei, mas ele ergueu a mão indicando pra que eu avançasse. Pelo menos não discutiu.

— Virem a cabeça dele. — Ordenei imediatamente.

Os soldados olharam para Richard. Ele apenas fez um leve movimento com os dedos.

Autorizaram. Quando a cabeça do homem foi virada, enxerguei melhor.

— Interessante...

Richard finalmente olhou para mim.

— O quê?

Apontei discretamente.

— Essa tatuagem foi alterada.

O homem desviou os olhos.

— Não sei do que está falando.

Ignorei.

— Apagaram parte do desenho original e tatuaram outro símbolo por cima.

Passei o dedo próximo ao desenho, sem tocá-lo.

— Mas as cicatrizes ficaram.

Richard levantou da cadeira que colocaram pra ele pela primeira vez, e parou ao meu lado.

— O que isso significa?

Olhei diretamente para o prisioneiro.

— Significa que ele mentiu.

O assassino riu.

— Você está inventando.

Balancei a cabeça.

— Não.

Inclinei um pouco o rosto.

— Essa tatuagem diz muito sobre você. Sua família.

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