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O CEO da Máfia que me Odeia - Um acordo perigoso romance Capítulo 7

Capítulo 8

Sofia Kim

Passei pela porta da minha nova sala resmungando.

Na verdade, era a antiga sala da assistente. Mesa pequena, computador simples, armários baixos. Nada que lembrasse o escritório que eu havia projetado com tanto cuidado.

— Filho da mãe… — murmurei, cruzando os braços.

O pior era minha cabeça que latejava sem parar.

Cada movimento parecia piorar a dor que começou hoje de manhã. Eu sabia que deveria ter ficado em casa, mas me recusava a dar essa vitória a Richard. Sentei na pequena mesa da sala de assistente e tentei me concentrar nas pastas.

Tentei ignorar a dor e continuei separando os documentos. Mal tinha organizado metade quando a porta foi aberta. Richard entrou e jogou mais uma pilha pesada de arquivos sobre a mesa.

— Até o meio-dia — disse ele, sem rodeios.

Levantei os olhos, irritada.

— Você quer que eu faça o trabalho de três pessoas?

— Quero que faça o seu — respondeu, já virando para sair. — Sem reclamações.

Ele saiu antes que eu pudesse responder.

Bufei e apoiei a testa nas mãos por um instante. A dor estava ficando cada vez mais forte, mas eu não iria parar.

Alguns minutos depois, a porta abriu novamente.

Uma mulher morena, alta e muito elegante, entrou sem bater. Ela me olhou de cima a baixo com um sorriso que não chegava aos olhos.

— Ah… então você é a nova secretária?

Não levantei o olhar dos documentos.

— Não.

O silêncio ficou pesado. Ela esperou. Eu continuei escrevendo.

— Sou Sofia Kim — completei, ainda sem encará-la.

A mulher soltou uma risadinha baixa.

— Claro… a esposa.

Ela abriu a bolsa, tirou uma gravata azul escura perfeitamente dobrada e colocou sobre a minha mesa.

— Faz um favor? Entrega isso ao Richard? Ele esqueceu isso comigo na semana passada. Fala que sou a Ingrid.

Peguei a gravata sem mudar a expressão.

— Claro.

Ela sorriu, satisfeita, então inclinei a cabeça.

— É curioso...

— O quê?

— Ele nunca comentou seu nome.

O sorriso dela vacilou.

Continuei:

— Deve ser difícil dedicar tanto tempo a um homem e descobrir que ele nem considera importante mencionar você.

Passei por ela segurando a gravata.

— Tenha um bom dia.

Ela me observou por mais um segundo, esperando alguma reação. Quando não encontrou nenhuma, deu de ombros e saiu.

Esperei a porta fechar. Meu olhar voltou, contra a minha vontade, para a gravata sobre a mesa.

Ridículo...

Que diferença fazia com quem Richard passava as noites antes do casamento?

Nenhuma.

Então por que aquilo estava me irritando tanto?

Fiquei olhando para a gravata por quase um minuto.

Continuei trabalhando. Escrevi duas linhas. Fechei a pasta. Respirei fundo.

Peguei a gravata e me levantei.

Entrei na sala de Richard sem bater e joguei a gravata sobre a mesa dele.

— Sua amiga pediu pra te entregar.

Richard olhou para a gravata por dois segundos.

Nenhuma surpresa ou constrangimento. Apenas pegou a gravata e colocou na gaveta. Como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Nem tentou esconder, ou inventou uma desculpa.

Aquela tranquilidade me irritou mais do que qualquer mentira.

— Ingrid esteve aqui?

— Pelo visto ela costuma aparecer — respondi, mantendo a voz calma e controlada. — Achei melhor devolver. Vai que outra aparece procurando o relógio.

Richard soltou um suspiro quase imperceptível.

— Terminou? Ainda tem bastante trabalho na sua mesa e está perdendo tempo.

Franzi a testa.

— Só isso?

— O quê?

— Nem vai inventar uma desculpa?

Ele apoiou as duas mãos na mesa.

— Você quer uma explicação?

Cruzei os braços.

— Não. Não tenho interesse na agenda das suas amantes.

Ele voltou a assinar um documento sem sequer olhar para mim.

— Ótimo. Porque eu também não pretendia dar nenhuma.

Virei-me para sair, antes que explodisse a cabeça dele numa bala.

— Volte para sua sala — ordenou ele. — Ainda tem muito trabalho.

Continuei andando.

— Não vou discutir com você porque não vale meu tempo.

Dei mais um passo.

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