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O CEO e o filho perdido: A segunda chance do destino romance Capítulo 446

Vivian caminha pela rua com passos firmes, mas o coração lateja como um tambor. Cada batida parece lembrá-la de que o passado continua a persegui-la, mesmo agora, quando tenta se reinventar. Ela não conta a ninguém para onde vai, não se permite demonstrar fragilidade. Apenas respira fundo, ajeita os cabelos, e entra no banco como quem cruza um portal para uma nova vida. Algo, porém, a incomoda, uma sensação de que aquele encontro revelará mais do que ela imagina.

Logo na recepção, é conduzida até a sala reservada do gerente. O homem de terno impecável se levanta para recebê-la, sorridente, com a postura de quem sabe a importância de cada palavra em momentos delicados.

— Dona Vivian, bom dia. Ele estende a mão.

— Sou Cláudio, gerente da agência. Já aguardava a sua visita.

Ela se senta, tentando disfarçar a tensão que cresce em seu peito.

— Recebi seu contato… a voz dela vacila. — Falou em algo sobre Alan Moretti.

O gerente abre uma pasta sobre a mesa, ajeita os óculos e fala com calma, como quem mede cada sílaba.

— Sim, exatamente. O senhor Alan Moretti, em vida, deixou registrado aqui no banco um seguro de vida em seu nome, senhora Vivian. O processo foi iniciado antes do falecimento, e agora, legalmente, cabe à senhora tomar conhecimento dos valores e opções de recebimento.

Vivian prende a respiração. Alan, mesmo morto, ainda encontra formas de atravessar o seu caminho.

— Seguro de vida? Ela repete quase num sussurro, surpresa.

— Um valor generoso, confirma Cláudio, deslizando alguns papéis até ela. — Estão aqui todas as cláusulas e condições. A senhora poderá optar pelo resgate integral ou pelo recebimento parcelado. Além disso, oferecemos aplicações financeiras seguras, caso queira investir o montante.

Ela balança a cabeça, tentando se recompor. — Não… não agora. Estou em processo de mudança de estado. Quero resolver a minha vida primeiro, me estabilizar, depois decido como investir.

— Perfeitamente compreensível. O gerente anota algo.

— Nesse caso, posso deixar o valor em uma poupança de fácil acesso. Seguro, mas disponível a qualquer momento.

— Sim, melhor assim, responde firme, tentando mostrar domínio sobre a situação.

A conversa se prolonga com explicações burocráticas, assinatura de documentos, carimbos que ecoam no silêncio da sala. Cada assinatura dela parece fechar um ciclo, mas também abrir uma porta para um futuro incerto.

Ao final, Cláudio entrega-lhe um envelope com cópias de tudo.

— Está resolvido. Qualquer dúvida, me procure.

Vivian agradece, guarda os papéis na bolsa e sai do banco com a respiração mais leve. Decide comprar frutas frescas em uma quitanda próxima, escolhendo mamão, maçãs e algumas laranjas, peras. O gesto é quase simbólico, cuidar da alimentação é cuidar do bebê, é lembrar a si mesma que há vida crescendo dentro dela, apesar de toda a dor.

De volta para casa, bebe um copo d’água gelada, deixa o corpo sob o chuveiro com água morna e sente a tensão escorrer pelo ralo. Ao se olhar no espelho, decide não permitir que a tristeza a domine. Veste uma roupa leve, prepara um almoço simples, mas nutritivo, e senta-se à mesa. Enquanto come, reflete sobre aquele seguro deixado por Alan é suficiente para garantir um futuro tranquilo para ela e para o bebê. Mas sabe que dinheiro, quando só sai e não volta, se esgota. Mais cedo ou mais tarde, terá de aprender a multiplicá-lo.

O relógio avança, e ela percebe que ainda há tempo antes do expediente da tarde. Decide ir à imobiliária e colocar de vez a casa nos trilhos de um novo destino.

A recepção é calorosa. A dona da imobiliária, Fernanda, antiga amiga da época da escola, a abraça com entusiasmo.

— Vivian! Quanto tempo, menina. Você é a mesma.

— Exagerada. Vivian sorri, surpresa pelo reencontro. — Vim resolver umas coisas… preciso colocar a casa para vender.

Fernanda a convida para a sala, senta-se à frente dela, já em tom profissional.

— Vamos organizar tudo. Primeiro, preciso agendar uma vistoria no imóvel. O corretor fará a avaliação de mercado, levantando o valor justo para locação.

Em seguida, Fernanda, agora mais à vontade depois de recapitular os trâmites burocráticos, inclina-se um pouco para frente, apoiando os cotovelos sobre a mesa e cruzando os dedos. Seu tom mudou de um pragmatismo rígido para um ar quase cúmplice, como se quisesse dar um conselho pessoal e não apenas profissional.

— Vivian, deixa eu te dizer uma coisa com sinceridade. Ela suspira.

— Então, vamos fazer assim, diz ela, mais firme, erguendo o queixo.

— Quero seguir com o aluguel.

O sorriso de Fernanda ilumina a sala.

— Excelente decisão. — Ela se levanta e pega o celular.

— Vou resolver isso agora mesmo. Consigo agendar uma vistoria para hoje à tarde, se você estiver disponível.

Vivian abriu um sorriso discreto.

— Hoje?

— Sim, sem perda de tempo.

Fernanda pisca.

— Quanto antes começarmos, antes o imóvel estará rendendo para você.

Concordaram com os detalhes e combinaram o horário. O reencontro com a amiga parecia mais do que coincidência; era quase como se o destino tivesse colocado Fernanda naquele caminho para apresentar a alternativa que Vivian não enxergava sozinha.

Quando volta para casa, trazendo ainda a sensação de calor do sol e o frescor das frutas compradas pela manhã, Vivian deixa as sacolas sobre a mesa da cozinha, organiza tudo com calma e, por fim, retira os papéis do seguro da bolsa. Passa os dedos sobre eles, como se buscasse decifrar não só as letras, mas as intenções escondidas atrás de cada cláusula.

Alan Moretti. Mesmo ausente, mesmo depois de tudo, ainda conseguiu surpreendê-la. Ele havia pensado nela, na estabilidade dela, no futuro dela em caso de sua morte. Por um instante, Vivian sente o peito se aquecer de uma forma confusa, entre a gratidão silenciosa e a dor de uma lembrança que insistia em não se apagar.

Alan havia partido, mas deixara rastros que pareciam protegê-la de alguma forma. E essa constatação fazia Vivian se perguntar, quem realmente era o homem que, em vida, tantas vezes a feriu… mas que, no fim, havia garantido que ela e o filho não ficassem desamparados?

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