Alexander ajeitou o casaco, voltando sua atenção para mim com aquele olhar que sempre conseguia me deixar desconcertada.
— Vamos. Vista algo quente e me avise imediatamente se não se sentir bem.
Assenti, com um suspiro de resignação, e o segui para fora do quarto. Meu destino de repouso estava oficialmente cancelado.
Ao chegarmos ao escritório, o líder da equipe de segurança já nos aguardava, a tensão evidente em sua postura rígida. Mas sua próxima frase jogou um balde de água fria em todos os preparativos de Alexander.
— Senhor Speredo, encontramos a senhorita Lily. Ela já está a caminho da mansão.
Virei-me imediatamente para Alexander com um olhar que dizia: Sério? Fiz tudo isso pra nada?
— Onde ela estava? — ele perguntou, ignorando meu descontentamento óbvio.
— A caminho do hospital — respondeu o líder, visivelmente confuso.
Franzi o cenho.
— Por quê? Ela está doente?
— Não há indícios de problemas de saúde, senhora. A senhorita Speredo se recusou a explicar. Estará aqui em poucos minutos.
O tom do líder claramente dizia: Não me pergunte, porque eu também não entendi.
Alexander apenas acenou com a cabeça em concordância, mas o aperto tenso em seus ombros denunciava sua irritação crescente. Sem dizer mais nada, ele se virou e saiu do escritório, comigo logo atrás. Seguimos diretamente para o quarto de Lily.
Alexander tinha uma única missão: repreendê-la como se ela fosse uma criança desobediente. Eu, por outro lado, queria entender por que ela estava agindo de forma tão estranha.
Ao entrar, o silêncio no ambiente me fez perceber que havíamos invadido o espaço dela na ausência dela. Decidi que, já que estávamos sendo rudes, por que não sermos um pouco mais? Comecei a examinar o quarto, olhando para os detalhes que geralmente ignorava.
— Charlotte, venha sentar-se. Não temos tempo para isso — Alexander disse com o tom impaciente de quem claramente estava a um passo de perder o controle.
Ignorei seu mau humor e me aproximei das pinturas penduradas na parede. Algo nelas chamou minha atenção. Elas pareciam tão familiares…
— Essas pinturas… são antigas? — perguntei, mais para mim mesma do que para ele.
— Como eu deveria saber? — respondeu Alexander, seco como sempre.
Passei os olhos por elas, minha mente tentando encontrar o motivo daquela sensação de déjà vu até que, de repente, tudo fez sentido. Minha expressão mudou para uma mistura de choque e realização.
— Eu conheço essas pinturas! Elas estavam no apartamento do Mattia! Fui eu quem ajudou a escolhê-las! — anunciei, estupidamente empolgada.
O silêncio que se seguiu foi mortal. Quando me virei, Alexander já caminhava em minha direção com uma expressão que faria até o mais valente tremer.
— Você já esteve no apartamento dele? — perguntou, a voz baixa, mas carregada de uma ameaça velada.
Engoli em seco.
— Claro que não! Como eu disse, ajudei a escolher os móveis. Essas pinturas estavam em uma loja.
Ele assentiu lentamente, mas não parecia convencido. Seus olhos analisaram as obras com um misto de desprezo e raiva antes de finalmente comentar:
— Entendi. Você escolheu quadros com molduras vermelhas em forma de coração e a frase “Eu te amo”. Muito apropriado.
Minha tentativa de rir para aliviar a tensão saiu mais nervosa do que eu gostaria.
— Meu gosto era… terrível naquela época.
— Concordo plenamente. — Ele virou-se para os quadros e começou a retirá-los da parede com movimentos deliberados. — Seu gosto para arte era tão ruim quanto para homens. Felizmente, isso mudou.
Ah, claro, porque ele é um presente divino na minha vida. Revirei os olhos enquanto tentava argumentar.
— Alexander, você não pode simplesmente mexer nos pertences da sua irmã! Ela vai perceber!
Ele ignorou minhas palavras completamente. Com os quadros em mãos, dirigiu-se ao banheiro, como se eu fosse invisível. Segui atrás dele, quase implorando para que reconsiderasse.

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