Eu não estava com ciúmes. Pelo menos, era o que eu repetia para mim mesma. O que me incomodava de verdade era que Alexander tinha mentido. E, honestamente, se ele mentiu sobre isso, o que mais poderia estar escondendo?
Quando ele voltou à sala, encontrou um cenário digno de comédia absurda: dois guarda-costas sentados nas cadeiras que deveriam ser nossas, devorando o que restava da comida cara, enquanto eu, a esposa, estava em pé ao lado da janela, parecendo uma estátua de segurança contemplativa.
Era óbvio que ele não ia reagir bem.
— O que está acontecendo aqui? — Alexander perguntou, a voz carregada de autoridade e confusão.
Continuei olhando para o mar, ignorando completamente sua presença.
Os guarda-costas, claramente desconfortáveis, levantaram-se às pressas e tentaram se justificar.
— A senhora nos pediu para comer, senhor.
Alexander cruzou os braços e os encarou com uma expressão que fazia o ar ao redor parecer gelar.
— Voltem às suas posições. Agora.
Assim que os dois saíram, ele voltou a atenção para mim.
— Charlotte, o que aconteceu?
Continuei imóvel. Sem respostas. Apenas me afastei da janela, peguei minha bolsa na mesa e disparei com a frieza que só eu sabia fingir tão bem:
— Vamos para casa.
Ele avançou rapidamente, bloqueando minha saída, e segurou meu queixo com firmeza, forçando-me a olhá-lo.
— Charlotte, o que aconteceu?
Seus olhos estavam fixos nos meus, intensos, como se tentassem extrair a resposta diretamente da minha alma. Afastei sua mão e mantive o olhar firme, deixando claro que ele sabia exatamente o motivo da minha irritação.
Houve um momento de silêncio entre nós, carregado de tensão. Então, finalmente, consegui falar:
— Conversamos quando chegarmos em casa.
Eu tentei passar por ele, mas Alexander me segurou pelo braço, sua força firme, mas não agressiva. Antes que eu pudesse protestar, ele me empurrou suavemente para a cadeira e saiu da sala como um furacão, gritando pelos corredores:
— Chamem a senhorita Lavoie aqui. Imediatamente!
Ah, claro. Era exatamente disso que eu precisava: mais drama.
Quando ele voltou à sala, fechou a porta com força e caminhou até mim. Parou à minha frente, seus olhos cortantes e cheios de autoridade, como se ele tivesse o direito de estar irritado.
— Suponho que a senhorita Lavoie disse algo desnecessário, e agora você está agindo assim, como a típica Charlotte. Estou certo, não estou? — Ele falou com um tom calculado, tentando me desarmar com sua análise.
Olhei para ele em silêncio, recusando-me a dar a satisfação de uma resposta. Mas isso pareceu ser a faísca que ele precisava.
— Não estou certo? Não é, Charlotte? — ele explodiu, sua voz reverberando pelo ambiente.
Eu o encarei, incrédula com a audácia.
— Não grite comigo! — minha voz saiu baixa, mas firme, carregada com a frustração que eu vinha tentando segurar.
Ele respirou fundo, tentando recuperar o controle. Mas seus olhos ainda estavam fixos nos meus com intensidade.
— Eu quero saber o que está na sua cabeça, Charlotte. Quero saber agora.
Ah, que adorável. Ele achava que podia exigir respostas depois de esconder partes do passado. Já que ele queria guerra, seria guerra.
Levantei-me para encará-lo, minha altura muito menor que a dele, mas minha determinação era maior naquele momento.


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