Entrar Via

O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio! romance Capítulo 120

Eu queria desaparecer. Preferencialmente em um buraco profundo e bem longe dali. Alexander, como sempre, era um monumento de controle e intimidação. Enquanto Soraya gaguejava sua explicação, eu me concentrava em qualquer coisa para não encará-lo — e os brincos dela brilhavam tanto que poderiam muito bem ser considerados patrimônios da humanidade.

Mas Alexander não estava satisfeito. Era óbvio pelo jeito que apertava a mandíbula e cruzava os braços, como se estivesse decidindo se deveria explodir ou ser apenas cirurgicamente cruel.

— Alguns dias depois daquele incidente — ele começou, com a voz tão fria que até o ar pareceu congelar —, um colega da faculdade me perguntou se era verdade que eu estava saindo com a herdeira de uma rede de restaurantes. Embora eu não tivesse ideia de quem fosse, procurei você, senhorita Lavoie, para esclarecer as coisas. — Ele se inclinou para ela, sem nunca tirar os olhos da mulher. — Diga à minha esposa exatamente o que eu disse naquele dia.

Soraya segurou o copo de água com tanta força que parecia prestes a esmagá-lo. Depois de um gole trêmulo, respondeu:

— Você perguntou se eu tinha espalhado boatos sobre estarmos juntos. E... quando eu disse que eram verdade, você respondeu que eu devia ter entendido tudo errado e que deveria parar de prejudicar sua reputação.

Fechei os olhos, sentindo a tolice do meu erro escorrer pela espinha. Ah, claro, eu entendi errado. De novo. Porque essa era a frase favorita do Alexander:

— Você entendeu errado, Charlotte.

Sim, ele sempre dizia isso. Sem nunca se preocupar em explicar exatamente o que foi mal compreendido. Até hoje, o maior drama do nosso casamento, envolvendo Olivia, poderia ter sido evitado se ele tivesse dito mais do que essa frase. Mas Alexander é assim: lacônico ao ponto da crueldade.

Eu conseguia imaginar Soraya na época, construindo castelos de areia com base em palavras ambíguas e olhares distantes. Se eu estivesse no lugar dela, jamais teria sido tão iludida. Mas, claro, nem todo mundo tem o privilégio de ser tão maravilhosamente cínica quanto eu.

Soraya, no entanto, não desistiu de tentar salvar o que restava de sua dignidade.

— Posso ter sua palavra, senhor Speredo, de que nada acontecerá com minha família por conta disso?

Alexander pegou seu casaco, vestindo-o com a precisão de um general se preparando para a guerra.

— Eu deveria fechar essa espelunca e garantir que ninguém da sua família jamais sirva qualquer coisa além de desculpas ruins — disse, com um tom casual que fez Soraya empalidecer. — Mas, enquanto este assunto permanecer enterrado, não retirarei os investimentos da Speredo.

Eu observei a cena sem conseguir acreditar. Ele falou isso com tanta calma que parecia até… sexy. Pare Charlotte. Não é hora para isso.

Alexander caminhou até mim e segurou meu braço, seu toque firme e decidido. Antes de sair, lançou um último olhar para Soraya.

— E se algo disso for conhecido, que seja o quanto amo e valorizo minha esposa.

Fui puxada para fora da sala tão rápido que mal tive tempo de processar o que havia acabado de acontecer. E por um breve instante, enquanto ele segurava meu braço, pensei: talvez ele não esteja tão bravo assim.

Mas a ilusão durou até chegarmos ao carro. Alexander me soltou como se meu braço fosse tóxico e ordenou ao chefe da segurança:

— Pague o restaurante e resolva com a gerência. Depois leve a senhora para casa. Preciso voltar ao escritório.

Depois que terminei minha explanação melodramática, ele simplesmente me ignorou. Sem dizer uma palavra, Alexander começou a trocar de roupa como se eu fosse invisível. Depois, deitou-se no sofá e fechou os olhos. Como se não tivesse uma esposa furiosa e ligeiramente desesperada diante dele.

A raiva me consumiu. Se ele queria ser infantil, eu mostraria que ele não estava lidando com amadores. Recusei-me a desligar a luz ao sair do escritório. Sua alteza teria que se levantar e fazer isso sozinho, ou então dormir em uma sala bem iluminada.

A partir daquele momento, mudei minha estratégia. Parei de implorar desculpas e decidi que se ele queria frieza, eu seria uma geleira. Quando vovó me perguntou o que estava acontecendo, fui direta — e ligeiramente dramática, claro:

— É Alexander que está agindo distante e teimoso! Se você quer ter bisnetos, vovó, vai ter que brigar e implantar algum senso na cabeça dura dele!

E assim se passaram três longos dias. Eu não o vi por um único momento. No fundo, confiava no amor que ele tinha por mim. Sempre fui eu quem desistiu primeiro nas nossas brigas, e ele quem tentou me alcançar. Mas, desta vez, subestimei tanto minha saudade quanto minha necessidade dele.

Na terceira noite, não aguentei mais. Descaradamente, esgueirei-me até o sofá onde ele dormia. O corpo de Alexander ocupava quase todo o espaço, mas empurrei aquele homem pesado e adormecido até abrir um pequeno espaço vazio. Deitei-me ali, a cabeça encostada em seu peito quente e forte, inalando o cheiro que eu tanto sentia falta.

Fui tomada por uma onda de emoções. Meus olhos lacrimejaram, e, incapaz de conter o momento, sussurrei enquanto beijava seu peito:

— Sinto tanto a sua falta, Alexander. Já estou muito dilacerada. Por favor, perdoe-me.

E eu quis dizer cada palavra. Pode ser que eu não seja a melhor pessoa para descrever o que sinto, mas naquele momento, a dor e a saudade eram esmagadoras. Ele não respondeu, mas o simples fato de estar ali, junto a ele, me trouxe um alívio que há dias eu não sentia.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!