Assim que chegamos ao segundo andar, Alexander chamou o mordomo. Quando o velho finalmente apareceu, meu adorável marido tratou logo de delegar mais uma de suas tarefas peculiares.
— Providencie um estilista para Charlotte. E compre roupas apropriadas para a ocasião — ordenou, como se estivesse solicitando uma simples xícara de café.
Cruzei os braços, encarando-o com descrença.
— Você também não faz ideia do que usar, não é?
Ele sequer piscou.
A verdade é que ser casada com Alexander tem seus… privilégios. Nunca precisei me preocupar com compras; ele sempre encheu meu armário com peças que julgava “adequadas”. Interagir com a alta sociedade? Também não. Bastava estar ao lado dele, e sua presença gelada era suficiente para afastar qualquer tentativa de contato social desnecessário. Prático, não?
Quando ele terminou de dar as ordens, me arrastou para o quarto, e, para minha total surpresa, foi direto até a gaveta, pegou o secador de cabelo e começou a secar meus fios, como se fosse algo completamente natural.
— A vovó estava com você quando encontrou o Nadir? — perguntou, seus dedos deslizando entre meu cabelo, massageando levemente meu couro cabeludo.
Meu olhar se voltou para ele, tentando decifrar se aquilo era uma armadilha.
— Sim. Fui procurá-la para uma conversa rápida, e ele estava lá. Fiquei surpresa ao vê-los lendo a Bíblia juntos, então… fiquei curiosa.
Alexander soltou um suspiro suave, e um leve sorriso brincou nos cantos de sua boca.
— Suas explosões de curiosidade sempre me surpreendem — murmurou, a voz baixa, mas com aquele tom sinistro que me fazia sentir como se estivesse prestes a ser interrogada pela CIA. — Na maior parte do tempo, você parece desinteressada e indiferente. Quando resolve se interessar por algo… é sempre algo peculiar.
Embora suas palavras pudessem parecer inofensivas, a forma como ele as disse — com a ponta dos dedos deslizando por minha nuca, o polegar roçando levemente meus lóbulos — fazia meu instinto de sobrevivência gritar em alerta.
Engoli em seco, tentando ignorar a sensação de que ele poderia abrir meu crânio com um olhar.
— Alexander… você realmente não precisa sentir esse ciúme todo…
— Preciso, sim. — Ele me interrompeu antes mesmo que eu terminasse, sem o menor vestígio de dúvida.
— Mas já conversamos sobre isso e...
— Eu não costumo pedir muito de você, Charlotte. Peço?
A pergunta me pegou desprevenida. Parei de falar por um segundo, avaliando o tom casual, mas carregado de significado. Alexander raramente pedia algo. Ele simplesmente dizia o que queria e as coisas aconteciam.
— Não… — respondi hesitante.
Ele desligou o secador, colocou-o de lado e, antes que eu pudesse respirar, soltou:
— Então, estou pedindo uma coisa agora. Fique longe dele. Pelo menos até eu entender suas verdadeiras intenções.
Cruzei os braços, analisando-o. Aquilo tudo parecia tão exagerado. Nadir era um homem direto. Se tivesse algo em mente, eu seria a primeira a saber. Mas, ao longo dos anos, aprendi a não contradizer Alexander tão rápido.
Suspirei, erguendo as mãos em rendição.
— Tudo bem, eu fico longe.
Ele assentiu, satisfeito, e sem dizer mais nada, seguiu para a varanda, já pegando o celular para sua inevitável chamada de negócios. Ah, claro. Ele pode me puxar para o quarto e me interrogar como um agente do FBI, mas depois simplesmente ignora minha existência como se nada tivesse acontecido.
Respirei fundo, olhando para meu reflexo no espelho. O amor tem diferentes formas e tamanhos, certo? Certamente. Ao longo da vida, amei várias pessoas e fui amada de várias formas. Mas ninguém pesava tanto no meu coração quanto Alexander.
E, aparentemente, o mesmo acontecia com Nadir.
Ele me colocou em um lugar especial na vida dele — e não de uma forma romântica. Era um carinho fraternal, algo que meu marido paranoico não conseguia, ou melhor, se recusava a entender.

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